A história dos soldados das Cruzadas que acabaram se tornando canibais - Fatos Desconhecidos

A história dos soldados das Cruzadas que acabaram se tornando canibais

História | 17 de julho de 2017 por Mateus Graff

Todo mundo sabe que as cruzadas foram guerras longas e sangrentas, e como tal, as pessoas envolvidas tiveram que enfrentar muitas dificuldades para sobreviver. Uma das dificuldades era a fome, que fez alguns soldados recorrerem ao canibalismo na hora do “aperto”. Nunca ouviu falar nesse fato? Bom, a Fatos Desconhecidos está aqui justamente para contar essas coisas para vocês. Já leu nossa matéria que mostra quanto custaram as 7 maiores igrejas do mundo?

No dia 12 de dezembro de 1098, na cidade de Ma’aarat al-Numan, na Síria, uma ação militar de importância menor, ganhou uma importância particular devido aos relatos de excessos de barbárie dos soldados cruzados, que incluíram o massacre da população e canibalismo, permanecendo um episódio marcante na memória muçulmana.

Depois de concluído o cerco de Antioquia, que resultou e extrema violência dos cruzados aos muçulmanos e no massacre dos habitantes da cidade, os ocidentais continuavam com poucos mantimentos. Ineficazes na avaliação e proteção das linhas de provisões, os peregrinos sofriam com a fome generalizada e a falta de equipamento adequado. O recurso para a obtenção destes bens foi a pilhagem dos arredores de Antioquia, que aumentaria com a chegada do Inverno.

Em um ataque anterior, exatamente em julho do mesmo ano, os cruzados foram derrotados pelos muçulmanos, sofrendo muitas baixas. Durante o resto do verão, os cruzados continuaram uma lenta marcha em direção ao sul, conquistando pequenos povoados.

No final de novembro daquele ano, milhares de cruzados começaram a cercar Ma’arrat, mas com a aproximação do inverno e a falta de planejamento, os cristãos não podiam ter um cerco demorado, e eles precisavam passar as muralhas da cidade. Os cidadãos de Ma’arrat estavam pouco preocupados com os invasores, já que tinham vencido os mesmos a poucos meses atrás. Os cidadãos não tinham experiência de batalha, mas conseguiram repelir os ataques dos cruzados por duas semanas.

Porém, quando os cruzados construíram uma torre, isso permitiu que eles pudessem ultrapassar as muralhas ao mesmo tempo que um grupo de cavalheiros escalava os muros que não estavam sendo defendidos, do outro lado da cidade. No dia 11 de dezembro daquele ano, os cruzados ocuparam as muralhas e os muçulmanos se retiraram para o interior da cidade. Todos estavam se preparando para aguardar o amanhecer antes de voltar a atacar,  mas os peregrinos cristãos mais pobres aproveitaram para começar a saquear.

Na manhã de 12 de dezembro, houve um acordo para os muçulmanos se renderem, e aconteceu. Porém, ao se renderem, os cruzados imediatamente começaram o massacre da população. Cerca de 20 mil civis foram mortos. O problema é que Ma’arrat não era uma cidade rica como os cruzados pensaram, e os meses de frio e falta de suprimento os levaram a fome extrema. De acordo com relatos, a fome fez com que os cruzados comecem os corpos dos muçulmanos, fervendo e grelhando os pedaços de carne antes de comer.

Em uma carta para o Papa, um dos cruzados, chamado Radulph de Caen, descreveu a situação, dizendo o seguinte: “Uma terrível fome atormentou o exército em Ma’arra, e impôs a cruel necessidade de se alimentar dos corpos dos muçulmanos.”

Outro cronista das cruzadas, Fulcher de Chartres, escreveu o seguinte: “Eu tremo só de pensar que muitos dos nossos soldados, assediados pela loucura da fome excessiva, cortam pedaços dos corpos dos sarracenos, cozinham e depois assam no fogo. Eles comem a carne como selvagens.”

Esses acontecimentos tiveram um forte impacto nos habitantes locais do Oriente Médio. Os cruzados agravaram ainda mais a sua prévia reputação de crueldade e barbarismo. Séculos mais tarde, os cruzados continuaram a ser descritos como fanáticos e canibais na literatura árabe.

Mas e você, já conhecia essa parte da história? Te contaram isso nas aulas de catequese? Comentem!

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