É normal associarmos símbolos culturais com nações inteiras. No exterior, todo mundo conhece o Brasil pelo carnaval, futebol ou caipirinha. Da mesma forma, nós também conhecemos outros países por suas tradições.

Mas e se algumas das coisas mais famosas que relacionamos a alguns países na verdade tem origens em outros locais? Será que é possível que os famosos biscoitos da sorte chineses tenham sido inventados em outro país?

Certas vezes a apropriação de um símbolo fala tão forte com uma nova cultura que parece ter sido criada ali. Confira alguns dos símbolos mais fortes de alguns países com origem em outras terras.

Biscoitos chineses

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O nome já faz a associação; se o biscoito é chinês, ele veio da China, certo? Errado. Antes da Segunda Guerra Mundial, imigrantes japoneses levaram sua culinária para os Estados Unidos e, com os pratos, levaram os biscoitos. Com o ataque a Pearl Harbor, surgiu uma onda de preconceito com os japoneses. Com isso, os chineses aproveitaram para tomar o espaço de culinária asiática e, já que o público amava, mantiveram os famosos biscoitinhos da sorte. Da América, os biscoitos se espalharam para todo o mundo, menos para a China.

Piñatas mexicanas

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Além dos sombreiros, tacos e tequilas, as pinãtas são frequentemente associadas à cultura mexicana. Apesar disso, a criação não é de fato mexicana. Quando o explorador Marco Polo visitou a China, entrou em contato com a ideia dos animais falsos cheios de sementes. As pessoas batiam nas criaturas enquanto coletavam as sementes jogadas. A ideia foi levada para a Itália e associada a práticas religiosas. De lá foi levada para a Espanha, que transportou os hábitos para a colônia na América. Hoje em dia a tradição é menos religiosa e associada a festas de crianças, onde as piñatas são recheadas de doces.

Cerveja norte-americana

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Quando se fala em cerveja dos Estados Unidos, Budweiser é um ícone. O que poucos sabem é que a origem da bebida é europeia, mais propriamente da República Tcheca, de uma cidade chamada Budweis. A cerveja começou a ser produzida em 1400 e levou o nome de toda e qualquer coisa produzida na cidade, de acordo com a língua local: Budweiser. A bebida foi levada para os EUA por imigrantes alemães, que copiaram a receita. Em 1939, eles compraram os direitos do nome após a conquista da Tchecoslováquia pela Alemanha nazista.

Gaita de foles escocesa

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Ao mencionar escoceses, a imagem que vem à mente é bem clara: um homem de saia tocando sua tradicional gaita de foles. O instrumento, no entanto, já era popular no mundo antigo. Os relatos apontam que o imperador Nero foi o primeiro a tocar uma gaita de foles. Quando Roma invadiu o Reino Unido e expulsou celtas e escoceses da região hoje conhecida como Escócia, o povo se impressionou tanto com o instrumento que passou a idolatrá-lo.

Bonecas russas

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Pequenas bonecas que cabem dentro de bonecas maiores que cabem em bonecas ainda maiores. A tradição russa das matryoshka é famosa no mundo inteiro. Talvez seja uma das poucas coisas associadas à Rússia além do frio e da vodka. A ideia, porém, vem da China e do Japão. No princípio, os chineses inventaram o conceito, mas utilizavam apenas caixas, sem nenhum design especial. Mais tarde, os japoneses utilizaram a mesma ideia das caias, dessa vez com bonecos ilustrados. As bonecas só foram levadas para a Rússia no século 19.

A popularização de elementos da cultura dependem de como um povo a absorve, e é natural que símbolos às vezes tratados como comuns num grupo fiquem idolatrados em outro. Dessa forma, a gente pode até saber que alguns desses países não tiveram as ideias antes dos outros, mas a valorização e a exportação da força desses detalhes, não tem como tirar.

Publicado em: 09/05/16 14h44