Assim é a vida de crianças que trabalham em fábricas de jeans na Índia

POR Júlia Marreto    EM Curiosidades      09/03/17 às 17h46

É inegável a maneira desenfreada como consumimos - todo e qualquer tipo de produto. A necessidade de termos sempre algo mais, principalmente aquilo que não precisamos, podemos agradecer ao famoso capitalismos e seus métodos de nos envolver cada vez mais, fazendo com que nos tornemos cada vez mais reféns dessa rede de compras e gastos.

Se o consumir se torna necessário também é preciso o aumento da produção desses produtos. Por mais que atualmente tenha-se maquinário suficiente para determinados trabalhos, fazendo com que a quantidade de produção se eleve cada vez mais, ainda hoje é utilizada a mão de obra barata em vários países - em especial os mais pobres - que não possuem normas e legislações trabalhistas, resumindo-se, praticamente, a trabalhos escravos.

Para que possam sobreviver e ajudar sua família, muitas crianças são contratadas para trabalhar em condições deploráveis, em troca de alguns centavos por dia. Elas trabalham por mais de 20 horas diárias, sem direito a descanso, comida ou educação.

Mesmo conhecendo histórias como a de Shyam, um menino de 10 anos que já não consegue mais andar direito depois de passar 4 anos trabalhando em uma fábrica, sentado 22 horas por dia, ou de Lucky, também 10 anos, que não conseguia abrir os olhos quando viu a luz do sol pela primeira vez em quatro anos, essa parece ser uma realidade muito distante.

Essas crianças apanharam com martelos por terem cozinhado um pouco mais de arroz do que o permitido, por terem cochilado no trabalho e, até mesmo, por terem parado de trabalhar por alguns instantes para ir ao banheiro.

O trabalho deles era cortar fios de jeans e embalá-los. Eles precisavam embalar 10 partes em 10 minutos e quem terminasse por último apanhava com martelo pelo empregador. Essa história de tortura extrema foi revelada por 26 crianças, na faixa etária de 8 a 13 anos, que foram resgatadas de uma fábrica de jeans na área de Seelampur, no nordeste de Deli.

"Nós éramos autorizados a dormir às 5 horas da manhã e o empregador costumava nos acordar às 7 horas da manhã. Durante o trabalho, se dormíamos, ele nos acordava batendo com um martelo. por quatro anos só comíamos duas vezes por dia, batata e arroz. O menu nunca mudou e não podíamos sair da sala nem por um segundo", disse Raheem, um menino de 7 anos, que foi resgatado da fábrica.

Quando Shyam foi resgatado ele não conseguia se mover sozinho. "Ele tinha que ter ajuda para levantar. Agora, ele faz fisioterapia e já começou a mover os pés. Quase todos os meninos tem marcas de lesão no corpo e deficiência de vitaminas. Nunca vimos esse tipo de tortura em nossas vidas", disse um membro da Bachpan Bachao Andolan, uma ONG dirigida pelo Prêmio Nobel Kailash Satyarthi. A ONG dirige uma casa - Mukti Ashram - para crianças, no norte de Déli's Burari, onde as crianças ficam e recebem tratamento para tentarem levar uma vida normal.

"Fomos mantidos em uma pequena sala e eu não vi a luz do sol em quatro anos. Quando fui resgatado, não conseguia abrir os olhos porque não estava acostumado a luz. Não podíamos tomar banho ou ir ao banheiro, porque todos os dias tínhamos que embalar cinco mil peças de jeans", disse Lucky.

Satyarthi também diz que, mesmo depois de três décadas, houveram poucas mudanças. Cada criança resgatada enfrentou a pior forma de escravidão. Suas mãos são cheias de cicatrizes, carregam marcas de queimadura por todo o corpo, os braços e tem sinais de tortura.

Essas são mais algumas fotos de crianças que trabalham/trabalhavam em fábricas de jeans na Índia:

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Júlia Marreto
É a dona de um coração esculpido pela literatura e preenchido pelos bons vinhos de Baco. Guiada nas artes da vida por Ares, possui a discreta delicadeza de um elefante pulando carnaval numa loja de cristais! Movida diariamente pelo combustível da vida: o café, essa garota possui raízes profundas na poesia da vida. É muito séria, mas sabe brincar na hora certa. Ama os animais e detesta filme de terror. Apesar de cantar mal, canta com sentimento. E adora musicais! Sua principal tentativa desportiva é o baralho. Ela gosta mesmo é de coisas antigas, apaixonada pela vida e sonha com o universo. Instagram: juliamarreto

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