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Cientistas brasileiros descobriram ovos de peixe que se chocam mesmo depois de ingeridos

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Muitos cientistas já ‘quebraram a cabeça’ para tentar compreender como certas espécies de peixes podem surgir, e até mesmo se proliferar, em locais nos quais não nativas. De acordo com um novo estudo, a explicação mais improvável pode ser a mais correta: o fenômeno literalmente pode estar caindo do céu. Mais especificamente, a partir das fezes de um cisne, os ovos de um certo peixe continuam sua jornada. Ou seja, eles conseguem se chocar mesmo após serem ingeridos pelas aves.

A descoberta, publicada na revista científica Ecology, foi feita por pesquisadores brasileiros da Universidade Unisinos. Eles descobriram que os ovos do peixe killifish podem, mesmo que em casos raros, sobreviver mesmo depois de serem engolidos por cisnes. Os ovos permanecem intactos em sua jornada pelo trato digestivo das aves, sendo excretados posteriormente.

Isso explicaria porque o killifish consegue aparecer em lagoas, lagos e diversos outros lugares onde seria improvável que espécies novas aparecessem. O killifih consegue suportar diversos ambientes. Esses peixes de água doce sobrevivem desde em poças d’água no meio do deserto, até nas águas de enchentes represadas.

De acordo com os resultados do estudo, foi sugerido que as fezes dessas aves podem ser capazes transportar os ovos de peixes. Inclusive, fazendo-os chegar muito longe de seus locais originais. Um dos ovos no estudo só foi se chocar mais de um mês após ter passado algum tempo dentro do organismo do cisne.

O estudante de pós-graduação da Unisinos, Giliandro Silva, junto de alguns outros colegas descobriram anteriormente que algumas plantas aquáticas sobreviviam após serem ingeridas e depois floresciam também nas fezes dos cisnes. Enquanto ainda realizavam esse estudo, os pesquisadores encontraram um ovo de killifish numa amostra fecal congelada de um Coscoroba coscoroba. Assim, eles resolveram testar se o que acontecia com plantas, também acontecia com os ovos do killifish.

Uma longa viagem

Foram misturados ovos de duas espécies de killifish, encontradas em nosso país, na comida de cisnes vivendo em um zoológico. Nos próximos dias, amostras de fezes destes cisnes foram coletadas e levadas para análise. De todos os 650 ovos misturados à comida das aves, foram encontrados cinco. O que representa cerca de um por cento do percentual total.

Os ovos foram mantidos em laboratório para acompanhar seu desenvolvimento. Dos cinco, apenas três continuaram a se desenvolver. Dois deles morreram devido à uma infecção fúngica. No entanto, um deles eclodiu. Isso se deu após quarenta e nove dias depois de ter passado pelo trato digestivo do cisne. Todo o processo só foi possível graças a uma membrana externa espessa que envolve os ovos do killifish.

Quando água acontece de secar, os ovos desta espécie de peixe entra em uma espécie de estado de hibernação. Porém, caso a água surja novamente, eles podem reviver e se chocar meses depois. O que explicaria alguns casos de surgimento “espontâneo” de peixes em locais onde se formam lagos e lagoas sazonais.

“Eles são famosos por causa de sua incrível capacidade de sobreviver na lama”, disse Andrew Green, co-autor do estudo e pesquisador do Estación Biológica de Doñana, em Sevilha, na Espanha. Os pesquisadores agora planejam realizar um experimento semelhante usando ovos de carpa, que eclodem ainda mais rápido do que os do killifish. As carpas, bem como o killifish, são uma espécie invasora e compreender como elas se espalham, poderia ajudar a contê-las.

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