Antigamente, tudo possuía uma explicação baseada nos deuses. Isso englobada desde fenômenos da natureza até os sentimentos humanos. E, um dos exemplos mais claros disso pode ser encontrado na mitologia egípcia, quando os deuses eram representados na astronomia. Dito isso, muitas pessoas se perguntam: como os astros eram vistos pelos egípcios?

Segundo Valdecir Ferreira, filósofo, teólogo e professor de Antropologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), as divindades representavam aquilo não se tinha respostas. "Podemos dizer que foi uma primeira forma de conhecimento mais sistemática, mesmo que não científica. Era interessante como as estações do ano eram determinadas pelos deuses. O mesmo se dizia sobre os trovões, as chuvas, as secas, a beleza na natureza e tantas outras situações referentes as obras existentes", afirma Ferreira.

Trovões, chuvas e secas eram manifestações dos deuses

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Ainda de acordo com o teólogo, esse pensamento foi muito importante no desenvolvimento da astronomia enquanto estudo. "No tocante ao ser humano ou àquilo que nele se esbarra, é importante recordar que a paixão, o medo, a coragem também eram atribuídos aos deuses", afirma Ferreira. "Guerras, pragas, males e até mesmo as classificações sociais eram igualmente direcionadas, como forma de pretextar", continua. Mas, "assim como os gregos tiveram a influência dos egípcios, estes tiveram influência dos mesopotâmicos. A astronomia egípcia estava muito ligada com a economia", completa o pesquisador.

Com isso, os egípcios construíram as pirâmides em alinhamento com as estrelas. Além disso, toda a sociedade estava ligado ao comportamento do sol, dos ventos e das chuvas. Contudo, isso poderia variar de cidade para cidade. No caso de Heliópolis, Capital do XIII nomo do Baixo Egito, a criação tinha a Nut, a deusa do céu, como protagonista.

Nesse mito, Nut é filha de Shu, deus do ar seco e Téfnis, deusa da umidade. Dessa forma, Nut casou-se com seu irmão, Geb, do deus da Terra. Seu riso representa o trovão e seu choro, a chuva. Em outras regiões, o deus Hórus é a personificação do céu.

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O Sol, a Lua e as constelações também eram personificações dos deuses

O deus do Sol, Rá, é um das divindades egípcias mais importantes e antigas. Em sua história, Rá está associado à construção das pirâmides e à ressurreição dos faraós. Com isso, todos os dias, Rá nasce com o nascer do sol, e morre com o pôr do Sol. Depois disso, Rá segue para o submundo e voltará no dia seguinte.

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No caso da Lua, Quespisiquis é a personificação do satélite natural da Terra. Em algumas versões de sua história, Quespisiquis é um dos criadores da nova vida nos seres vivos. Assim, o deus da Lua também atua como curandeiro.

Bem como na mitologia grega, os astros eram vistos pelos egípcios como deuses ou personificações. Desse modo, podemos citar Sopdet, a personificação de Sirius. Sopdet também é deusa da agricultura. Assim, ela é responsável pelo solo fértil e pelas inundações do rio Nilo. Em sua história, Sopdet casa com Sah, uma representação da constelação de Órion. Também vale lembrar que, Sah, eventualmente, é representada como Hórus.

Publicado em: 06/10/20 21h58