Em todas as culturas, sempre houve a crença em uma ou mais entidades superiores. Antigamente, por exemplo, todos os eventos da natureza e até as emoções humanas eram justificados com base nos deuses. Dito isso, para entender melhor desse passado, trouxemos um pouco de como os maias interpretavam os astros.

Historicamente, a civilização maia é conhecida por sua cultura, arquitetura, arte e escrita. Contudo, um de seus aspectos mais marcantes e que quase não é lembrado é a religiosidade. Pelo que sabemos, os maias acreditavam em três planos. São eles: a Terra, o céu e o submundo. Além disso, a civilização cultuava muitos deuses. Ou seja, era monoteísta. Nesse sentido, cada deus era adorado de uma maneira particular e com uma determinada funcionalidade.

Os maias já estudavam astronomia antes dos europeus

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Bem como os astecas, sua fé era refletida diretamente na cultura rural, pautada pela agricultura e principal meio de subsistência do povo maia. "Com a observação dos astros, verificavam o melhor dia para os rituais, para o plantio e para as colheitas. Organizaram um calendário lunar e, posteriormente, um solar auxiliando nas questões mais elementares, como o culto ou a agricultura. Mesmo com instrumentais não tão ágeis, conseguiram estabelecer com precisão o ciclo lunar, solar e de Vênus. Muito antes que os europeus, descobriram que a Terra era esférica e que não era o centro do universo", afirma Valdecir Ferreira, filosofo, teólogo e professor de Antropologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

De fato, é difícil entender como os maias interpretavam os astros e sabiam dessas questões. Afinal, a astronomia apenas começou a avançar significativamente na Europa do século XVII. Além disso, seus templos e bibliotecas foram queimados pelos espanhóis. Por isso, muita informação sobre essa civilização se perdeu. Nesse sentido, a maior parte do que sabemos vem de um documento chamado Código Dresden, que conta com a descrição de rituais religiosos e cálculos.

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Como os maias compreendiam o céu, o Sol e a Lua?

Na mitologia maia, o responsável pelos céus era Itzamna, uma divindade que também personificava o dia e a noite. Dito isso, Itzamna atuava como um poderoso curandeiro, auxiliando a humanidade com seus poderes. Visualmente, Itzamna era representado já com uma idade avançada, sem dentes e com um nariz torno. Ainda na mitologia, Itzamna era casado com Ixchel, deusa da fertilidade, da gravidez e do parto. Com isso, também devemos lembrar de Pauahtun, o responsável por sustentar os céus e que, na mitologia grega é equivalente a Atlas.

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Para os maias, os pingos de chuva eram as lágrimas de Chac sobre à Terra. Chac era o deus da agricultura Huracán, o senhor das tempestades e que já havia destruído a humanidade uma vez. Também temos Kinich-Ahau, a personificação do Sol e encontrado na forma de um jaguar. Kinich-Ahau também disputava esse posto com Vucub Caquix, um dos deuses-demônio de Xibalba, como é chamado o submundo na mitologia maia.

Na mitologia maia, o Sol e a Lua são não são tidos como opostos, mas sim, como uma mesma divindade em formas diferentes. Ou seja, além de ser o Sol, Kinich-Ahau também representa a Lua.

Publicado em: 21/10/20 11h47