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Conheça a maior história de sobrevivência de todos os tempos

POR Arthur Porto EM Curiosidades 10/01/20 às 22h25

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A Sibéria segue sendo um território inóspito. Até hoje, é fonte inesgotável de histórias de sobrevivência, castigo, dor e exílio. Mas, hoje, focaremos apenas em uma dessas coisas. Vamos falar sobre a família Lykov, que ficou exatos 42 anos isolada do mundo.

Durante mais de quatro décadas, a família Lykov viveu no sul da Sibéria, na Rússia, em meio à neve. O motivo? Fugir da morte que era ocasionada pelo regime soviético. Vivendo sem rádio ou televisão, foi assim que Karp, Akulina, Savin, Dmitriy, Natalia e Agafia nunca tomaram conhecimento dos horrores da 2ª Guerra Mundial ou da chegada do homem à Lua.

A família e a fuga

Karp Osipovich, o patriarca, era um dos líderes da seita "Os Velhos Crentes". A seita era um ramo fundamentalista cristão originário da Igreja ortodoxa russa. Desde os tempos de Pedro, o Grande, foi perseguida. Como se a perseguição não fosse suficiente, foi condenada à extinção pelos ventos bolcheviques e intolerantes, que arrasavam a estepe russa no princípio do século XX.

Em 1936, durante uma varredura comunista em Lykova, seu povoado natal, os ateus dispararam no irmão de Karp. Ambos trabalhavam no campo quando tudo aconteceu. Karp, que escapou da morte, percebeu o quão importante era lutar pela liberdade religiosa, seus princípios e pela sobrevivência de sua família.

Rapidamente, Karp reuniu sua mulher, Akulina, e seus dois filhos, Savin, de 9 anos, e Natalia, de 2, para buscar um local seguro. Karp pegou alguns pertences, vários tipos de sementes, que tinha guardado e submergiu nas profundezas da taiga, o bosque de árvores e neve siberiano.

Ali, longe das patrulhas que queriam executá-los por suas crenças, e isolados de tudo que acontecia no restante do mundo, começaram uma nova vida. As primeiras semanas foram um calvário. Afinal, caçar era extraordinariamente complicado na Sibéria. Nesse ínterim, a família se viu obrigada a lidar com uma dieta, eminentemente vegetariana.

Nesse lugar inóspito, a família cresceu. O casal teve mais dois filhos: Dmitriy e Agafia. Nesse tempo, ocorreu a 2ª Guerra Mundial, o assassinato do presidente americano John F. Kennedy e a chegada do homem à Lua. Para passar o tempo, a família se dedicava a ler a Bíblia, semear e a fazer roupas a partir de peles de animais que encontravam.

Sobrevivência

A família só foi descoberta em 1978, quando quatro geólogos, que exploravam a região de helicóptero, avistaram a cabana de madeira onde moravam. Até então, não havia qualquer registro de atividade humana naquela área. Normal, o assentamento mais próximo ficava a 200 km de distância.

Depois de várias visitas e conversas não só com Karp, mas também com outros membros da família, os geólogos conseguiram saber o motivo que os levou àquele lugar. A partir desse momento, a família ganhou visibilidade e despertou comoção nacional. As pessoas queriam saber como uma família havia conseguido chegar e, sobretudo, sobreviver ali, sem que o inverno russo aniquilasse cada um deles.

Após ser descoberta, a família começou a retomar o contato, com as localidades mais próximas. Infelizmente, ao estabelecer contato com a civilização, três dos cinco integrantes da família morreram em 1981, por causa de diferentes doenças.

Dmitry e Natalia desenvolveram uma infecção nos rins - devido à limitada dieta que levaram por anos -, e Savin não resistiu a uma pneumonia, causada por uma infecção. Por sua vez, Karp morreu em 1988.

A única sobrevivente, Agafia, decidiu ficar longe das cidades, como lhe ensinaram seus entes queridos. Ela queria morrer no mesmo lugar, onde havia aprendido a viver. De fato, em 70 anos, Agafia se aventurou fora do assentamento familiar apenas seis vezes. A primeira vez foi na década de 1980, logo após terem sido publicadas reportagens sobre o isolamento da família.


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Arthur Porto
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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