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Conheça Shanay-Timpishka, o rio peruano que ferve no meio da Amazônia

POR Erik Ely EM Curiosidades 20/04/20 às 22h16

capa do post Conheça Shanay-Timpishka, o rio peruano que ferve no meio da Amazônia

No coração da Amazônia peruana, a cerca de uma hora de voo para a cidade de Pucallpa, um rio, envolto em muitas lendas, intriga os cientistas há muitos anos. Assim, estamos falando de Shanay-Timpishka, o rio peruano que ferve no meio da Amazônia.

Acredita-se que este seja o maior rio térmico do mundo, correndo quente para cerca de 6,24 quilômetros floresta adentro. Para se ter uma ideia, ele chega a ter 25 metros de largura em seu ponto mais largo. Além de também, cinco metros de profundidade na sua parte mais profunda.

O maior curso de águas quentes do mundo

Embora as temperaturas extremas do rio não sejam incomuns para uma superfície geotérmica, é, de fato, surpreendente que ele não seja vulcânico. Além disso, a área vulcânica mais próxima é, na verdade, a mais de 700 quilômetros de distância. O chamado "Rio Boiling" (rio fervente).

Sendo alimentado por fontes úmidas e quase quentes, o rio também alimenta várias cachoeiras térmicas, ao longo de seu comprimento. Para se ter uma ideia, o rio é tão quente que chega a ferver instantaneamente animais que caiam nele. Isso porque as temperaturas podem atingir os 96º.

Logo, dá para entender a escolha do nome do rio. Sendo um antigo nome indígena, Shanay-timpishka significa "fervido pelo calor do sol". Embora enrolado com camadas de lendas, espiritualidade e misticismo, o rio é considerado um lugar sagrado para a comunidade local. A área do rio também abriga o Santuário Huistin e o Mayantuyacu, duas comunidades nativas de cura da Amazônia.

Essas comunidades também consideram o local como sagrado e um lugar de poderes espirituais, que apenas os curandeiros comunitários mais poderosos visitariam. Desse modo, esses curandeiros podem "comungar com os espíritos". E assim, aprender sobre os poderes e rituais de cura secretos de seus predecessores.

Um rio que já apareceu em inúmeras histórias indígenas

O rio se localiza em uma área que os xamãs chamam de Mayantuyacu. Mayantu é um espírito da selva, com a cabeça de um sapo, o corpo de um lagarto e os braços e pernas de uma tartaruga. Ele é um dos benevolentes espíritos da selva. Junto com isso, Yacu significa água. De acordo com as tradições locais, o rio Boiling é um lugar de tremendo poder espiritual, um lar de espíritos da selva muito poderosos, onde apenas os xamãs mais poderosos poderiam ir porque outras pessoas tinham medo dos espíritos.

Ao redor do mundo, existem muitas nascentes de água quente e rios em ebulição, como o Parque Nacional Yosemite, nos Estados Unidos, e na Islândia. No entanto, a energia geotérmica desempenha um papel crucial no aquecimento da água nestes lugares. Entretanto, no caso do rio, o mistério permanece, já que as primeiras formações vulcânicas ficam a mais de 700 quilômetros de distância.

Em outra teoria, o rio poderia não ser aquecido naturalmente. Mas sim, ser o resultado de um acidente num campo petrolífero próximo. Isso porque, o rio fica a apenas três quilômetros do campo de petróleo mais antigo da Amazônia peruana. Portanto, se houvesse um fluxo de óleo e gás que só produz água quente, sem hidrocarbonetos ou gás, eles poderiam simplesmente abandoná-lo. Outra possibilidade é que um fluxo de petróleo e gás acidentalmente perfurou um sistema geotérmico.


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Erik Ely
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