Embora o Universo Cinematográfico Marvel esteja anos luz à frente do Universo Estendido DC em vários quesitos, a Casa das Ideias sai perdendo quando o assunto são vilões. Olhando a filmografia da DC podemos encontrar diversas falhas. No entanto, dificilmente, a representação de seus antagonistas será criticada. Obviamente, estamos desconsiderando o Lobo da Estepe aqui, afinal, assim como Zack Snyder, ignoramos a Liga da Justiça de Joss Whedon. Enfim, essa introdução cheia de firulas visa trazer à tona uma discussão em torno do Coringa de Heath Ledger.

Considerada uma das maiores representações vilanescas não apenas em filmes de super-heróis, mas no cinema em geral, a performance de Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas é um marco na sétima arte. Apesar do ator ter tido um papel fundamental na consolidação do personagem como um clássico, não podemos deixar de lado outros fatores que contribuíram para esse êxito, como o roteiro e a direção. Pois bem, olhando agora, é um consenso que Christopher Nolan foi bastante pontual na execução de ambos. Contudo, um nome não muito familiar, mas extremamente importante nessa equação é David S. Goyer.

Conhecido por seu trabalho na franquia Blade, Goyer ficou encarregado pelo roteiro e história na trilogia do Cavaleiro das Trevas. Sendo assim, o escritor sabe detalhes dos bastidores e resolveu compartilhar algumas informações inéditas em seu painel na edição virtual da San Diego Comic-Con. Segundo o roteirista, o Coringa de Ledger quase contou com uma história de origem no filme. No fim das contas, eles optaram por deixar o passado do personagem uma incógnita. Surpreendentemente, essa decisão contribuiu para a complexidade da figura representada por Ledger. Afinal, quando não se sabe a origem de alguém, suas motivações também se tornam desconhecidas.

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A importância da origem do Coringa, ou melhor, da falta dela

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Certa vez, Jeff Gomes, escritor, produtor e CEO fundador da Starlight Runner, disse que um dos motivos pelos quais Hollywood falhava constantemente na adaptação de animes era sua necessidade de criar ou recontar origens e fatos. Realmente, se pararmos para pensar, os filmes de super-heróis são repletos disso. Basta pensar em quantas adaptações estreladas pelo Batman começaram com a morte dos Wayne. Isso mesmo, todas. Sendo assim, quando dizemos que a trilogia de Nolan desempenhou um papel revolucionário no gênero, não é exagero. O diretor decidiu adaptar a história do Homem-Morcego da forma mais autêntica possível e, apesar de também ter mostrado a morte de Thomas e Martha Wayne em Batman Begins, ele inovou em outros quesitos.

Como muito bem pontuado por Sean O'Connel, do CinemaBlend, o final de Batman Begins é perfeito. Quando vemos Jim Gordon encontrando a carta de baralho do Coringa, não havia nem necessidade de uma sequência. É de conhecimento geral que o vilão é o nêmesis do Batman, então apenas aquele símbolo já carregava consigo uma história que não precisava ser contada. Todavia, o longa foi um sucesso e uma sequência foi requisitada. Assim surgiu o Cavaleiro das Trevas e dessa vez Nolan fez questão de não dar uma história de origem ao antagonista. Segundo Goyer, essa decisão deixou algumas pessoas preocupadas.

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"Eu me lembro quando nós estávamos falando sobre, 'Bom, e se o Coringa não tiver uma história de origem?' Mesmo depois do sucesso de Batman Begins, isso foi considerado algo muito controverso e tivemos muitas respostas negativas. As pessoas estavam preocupadas. 'Você tem que ter uma história de origem. Como as pessoas vão simplesmente não saber?' Eu me lembro das discussões na época, era assustador", compartilhou o roteirista. No fim, não saber a verdadeira natureza do Coringa era o que o tornava mais perigoso. Além disso, essa falta de origem fazia parecer que ele realmente era um puro agente do caos.

Publicado em: 31/07/20 10h32