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Entenda porque Urano está "vazando" gás

POR Erik Ely EM Ciência e Tecnologia 12/04/20 às 14h36

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No ano de 1977, uma nave robótica norte americana, chamada Voyager 2 foi lançada a uma missão espacial. Depois disso, em 2018, se tornou o segundo "objeto humano" a entrar no espaço interestelar. Agora, a mais de 18,5 bilhões de quilômetros de distância, a vontade dela de se comunicar com a Terra está "esfriando um pouco". Contudo, ela não deixa de surpreender. Há 34 anos, passando a cerca de 80 mil quilômetros de Urano, ela fez uma descoberta notada somente agora pelos cientistas: Urano está "vazando" gás.

Por décadas, a revelação passou despercebida até ser confirmada pela NASA. Dessa forma, bastou mais ou menos um minuto, passando por uma "bolha" de gás chamada plasmoide para detectar o evento, percebido como uma anomalia presente nas informações revisitadas.

Um planeta um tanto quanto excêntrico

De acordo com o estudo, é possível que entre 15 e 55% da camada de gases de Urano já tenham sido drenados. Para se ter uma ideia, essa proporção é maior do que a que ocorre em Júpiter ou Saturno. De fato, Urano está "murchando". Contudo, seu comportamento é singular. Para começar, sua rotação acontece como se ele estivesse "deitado" quando analisado em perspectiva com outros planetas do Sistema Solar. Além disso, ele dá uma leve "cambaleada" em sua órbita. Isso leva os cientistas a acreditarem que ele foi atingindo por um objeto massivo em algum ponto de sua história. No entanto, ainda não sabemos o que poderia ter sido esse objeto.

Voltando ao assunto principal, o "vazamento" possui origem nos laços magnéticos suaves e fechados encontrados no "dossiê" enviado pela Voyager. Esse material foi analisado pelos pesquisadores DiBraccio e Gershaman, da agência espacial.  Ao comparar esses resultados com os plasmoides observados em Júpiter, Saturno e Mercúrio, os cientistas estimaram que a bolha de Urano teria uma forma cilíndrica. Além disso, teria pelo menos 204.000 km de comprimento e até 400.000 km de diâmetro.

Dessa forma, foi concluído que este é o formato típico de plasmoides nascidos de lançamentos de atmosfera para o espaço. Isso acontece quando um planeta lança pedaços de sua atmosfera para o espaço enquanto gira. "Esta primeira observação de um plasmoide em uma magnetosfera gigante de gelo esclarece processo que ocorrem na magnetosfera de Urano. Assim, isso sugere que os plasmoides podem desempenhar uma papel importante no transporte de plasma", afirmaram os cientistas responsáveis pelas descoberta à Geophysical Research Letters.

Ainda não temos todas as informações do que está acontecendo

Diferente de qualquer outro planeta do Sistema Solar, Urano gira quase totalmente de lado, completando uma volta em si a cada 17 horas. Assim, o eixo de seu campo magnético está apontando 60 graus para longe do eixo de rotação. Desse modo, enquanto o planeta gira, sua magnetosfera oscila. É algo tão estranho que os cientistas ainda não sabem como modelar.

Precisamos entender que não há muito a ser feito com o que foi visto nesse "passeio rápido". "Imagine se uma nave passa pelo quarta de uma casa e tenta descrever a Terra inteira a partir dessa observação. Obviamente as informações não vão mostrar coisa alguma sobre como é a vida no Saara ou na Antártica", afirmou DiBraccio. Contudo, ainda assim, a dedicação é a maior possível. "É por isso que eu amo astronomia planetária. Você sempre vai a algum lugar sem saber o destino", completou o pesquisador.


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Erik Ely
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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