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Essa lula que consegue controlar o próprio DNA e editar seu código genético

POR Erik Ely EM Ciência e Tecnologia 14/04/20 às 14h50

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Recentemente, um novo estudo, publicado na Nucleic Acids Research, descobriu que as lulas têm a capacidade de alterar o que seus genes codificam, aprimorando seu RNA depois que ele sai do núcleo. Em outras palavras, elas podem controlar o próprio DNA e editar seu código genético. Assim, o mais surpreendente é o fato de que essa habilidade nunca foi encontrada em outro animal.

Por exemplo, na reprodução humana comum, os bebês nascem com um cariótipo XX ou XY, composto de uma mistura do DNA de seus pais. Dessa forma, esses genes herdados codificam para tudo no corpo, da cor do cabelo à função do órgão. Nossos genes são construídos e embora, alguns detalhes possam ser alterados, na maioria dos casos, eles permanecerão inalterados ao longo de nossa vida.

Uma habilidade que só pode ser encontrada nesse animal

Essa mesma rigidez se aplica ao RNA mensageiro (mRNA), que é usado na célula para ler seções curtas do nosso DNA. Isso acontece para que possam codificar proteínas. Uma vez que um mRNA "transcreveu" sua seção de DNA, ele deixa o núcleo da célula para começar a construir.

Desse modo, em todo reino animal, uma vez que o mRNA tenha deixado o núcleo celular, não poderão ser feitas mais edições na transcrição retirada do DNA. Mas, agora, graças às lulas, sabemos que isso não é verdade. "Pensamos que toda a edição de RNA aconteceu no núcleo. Em seguida, os RNAs mensageiros modificados são exportados para a célula", disse Joshua Rosenthal, autor do estudo. "Agora estamos mostrando que essa lula pode modificar os RNAs na periferia da célula. Isso significa que, teoricamente, eles podem modificar a função das proteínas para atender às demandas localizadas da célula. Isso lhes dá muita liberdade para adaptar as informações genéticas, conforme necessário".

Essa descoberta aconteceu enquanto a equipe estava investigando os nervos de macho adulto da espécie Doryteuthis pealeii, a lula costeira longfin. Assim, o estudo visava analisar o transcriptoma da lula. Um transcriptoma é o conjunto de todas as moléculas de RNA em uma célula. Desse modo, ele funciona mais ou menos como o genoma, mas composto por mRNA. Em seguida, foi observado que o mRNA dos neurônios da lula estava sendo editado no axônio, que é o filamento longo de uma célula nervosa. É essa célula que transporta impulsos do corpo celular para outras células.

Ainda não entendemos como isso pode acontece

Essa capacidade de editar o mRNA fora do núcleo permite que a lula altere quais proteínas são expressas (codificadas) ao longo de diferentes partes de seu sistema nervoso. No entanto, a equipe ainda não sabe exatamente por que o animal desenvolveu essa capacidade. A edição do mRNA, dentro do núcleo, foi observada no polvo e em um choco. Isso levou os pesquisadores a questionar se, talvez, essa habilidade de ajuste tenha contribuído para a inteligência superior desses invertebrados. De toda forma, o vínculo permanece incerto. Mas, em seguida, Rosenthal destaca que "a edição de RNA é muito mais segura que a edição de DNA. Se você cometer um erro, o RNA simplesmente se vira e desaparece".

Por fim, entendemos que o estudo ainda tem um caminho a percorrer para entender o objetivo exato e o mecanismo da edição exclusiva do mRNA. Contudo, espera-se que um dia a pesquisa possa contribuir para um melhor entendimento. Além de ainda, um melhor tratamento de distúrbios neurológicos que se concentram na disfunção do axônio. Assim, se pudéssemos editar o RNA dentro de nossas células, seria muito mais seguro do que novos tratamentos que atualmente usam o CRISPR para editar nosso DNA.


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Erik Ely
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