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Esse homem cruzou o Oceano Atlântico para reencontrar seus pais durante a pandemia

POR Erik Ely EM Curiosidades 07/07/20 às 23h17

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Até onde você iria para reencontrar sua família? Com a chegada da pandemia de coronavírus ao mundo, milhares de pessoas acabaram ficando presas em outros países e em navios. Dito isso, o argentino Juan Manuel Ballestero foi uma dessas pessoas, que acabou ficando isolado longe de casa. Contudo, para reencontrar seus pais, Ballestero cruzou o Oceano Atlântico sozinho por três meses.

Ballestero, que possui 47 anos, é salva-vidas, surfista e aventureiro natural do balneário mais famoso da Argentina, o Mar del Plata. No entanto, quando a pandemia se espalhou pelo mundo, ele se encontrava do outro lado do Atlântico.

Ele viajou sozinho por 3 meses

Na época, Ballestero havia comprado um barco veleiro de quase nove metros em Barcelona. Dessa forma, o barco se tornou uma casa flutuante. Mas, quando o novo coronavírus forçou os países a confinarem suas populações, ele estava no arquipélago português da Madeira.

Para não ficar preso em Madeira, Ballestero não hesitou e preparou suas coisas para a viagem. "No mesmo dia, decidi zarpar para a Argentina", afirmou Ballestero. "Por que ficaria por lá? Queria voltar para minha casa. Ainda estaria lá sem poder ir a qualquer lugar se não tivesse tomado essa decisão. Estaria no Porto Santo, sozinho", completou o navegante.

Para além do fato de estar sozinho em outro continente, Ballestero também pensou em seus pais na hora de tomar a decisão. Conforme ele mesmo descreve: seu pai se chama Carlos e é um pescador aposentado, de 90 anos, e sua mãe se chama Nilda, de 82 anos, que ainda vive em sua cidade natal, no Mar del Plata. "Pensei o pior. Se este era um vírus irrefreável, esta poderia ser a última chance de ver meus pais vivos", afirmou Ballestero.

Em 24 de março, Ballestero se muniu de cartas náuticas e um rádio de frequência para iniciar sua jornada. Assim, para ele, "não foi uma loucura". Mas, uma viagem que ele sabia que daria conta. Isso porque, ele já havia feito um trajeto semelhante em 2010, quando viajou de Barcelona a Mar del Plata. Contudo, os motivos da viagem foram outros. "Simplesmente fiquei sem dinheiro e tive que voltar navegando", afirmou Ballestero.

Uma viagem quase sem escalas

Em 2010, Ballestero foi parando de porto em porto e a situação era outra, não havia uma pandemia. Por isso, dessa vez, ele decidiu fazer a jornada quase sem escalas. Dessa forma, ele planejou a rota que faria a mais de 10 mil quilômetros. Dito isso, sua única parada seria em Cabo Verde, na costa noroeste da África. Isso porque, em algum momento, ele precisaria de latas de combustível para continuar a viagem. Mas, por conta do isolamento social, Ballestero foi impedido de entrar no país. Assim, ele precisou seguir a viagem sem o combustível extra.

Depois disso, Ballestero enfrentou o momento mais complicado da viagem, uma perseguição por supostos piratas. "Pouco depois de deixar Cabo Verde, um barco começou a me seguir. Era noite e vi a luz me seguir e me seguir. Isso nunca tinha acontecido comigo", afirma. De toda forma, ele conseguiu mudar de ruma e se afastar do barco.

Ao longo da viagem, Ballestero levou 160 latas de comida, mas, mesmo assim, essa era uma quantidade limitada de comida. Após 25 dias de viagem, ele ficou sem combustível. Em seguida, ele orou e esperou por 10 dias até que o vento soprou o barco novamente.

Por fim, Ballestero finalmente conseguiu encontrar sua família. Segundo o navegante, ele pretende escrever um livro sobre suas aventuras. E claro, quando a pandemia passar, ele já tem o próximo destino separado, a próxima viagem será passar pela Patagônia e entrar no Pacífico através do Estreito de Magalhães. "O que aprendi nesta viagem é continuar, perseverar em meu objetivo. Não enfraquecer minha convicção, pensar positivo e ter muita fé. Não devemos desistir", afirma Ballestero. "A hora mais escura é sempre antes do amanhecer", completa o aventureiro.


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Via   BBC Brasil  
Imagens BBC Brasil
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Erik Ely
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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