A inexplicável Ilha de Oak e seu tesouro amaldiçoado

POR Pietro Bottura    EM Mundo Afora      03/10/14 às 20h53

Existe uma ilha canadense batizada de "Oak Island" (Ilha do Carvalho) que reúne, na vida real, inúmeros elementos de um romance de aventura ao melhor estilo "caça ao tesouro". A misteriosa ilha, clamada como o maior mistério do Canadá e talvez até do mundo, tem intrigado gerações há 4 séculos e permanece sem resposta.

Tudo teve início em 1795, quando um jovem chamado Daniel McGinnis estava perambulando pela ilha, e achou uma depressão estranha no solo. Acima dela, pendurada num grande e frondoso carvalho, estava uma corda usada para levantar pesos. Já sendo um local que fazia parte de lendas envolvendo piratas e tesouros, McGinnis chamou dois amigos e voltou ao local no outro dia para investigar o local marcado, imaginando que aquela seria uma evidência de que alguém havia escondido algo ali.

Depois de tirar pedras que serviam como pavimento e escavarem 3 metros, encontraram vários troncos de carvalho apodrecidos. A aproximadamente 7 metros de profundidade, encontraram um túnel que parecia ter sido feito por humanos, mas não conseguiram continuar a escavação. Zombados e amaldiçoados pelos moradores da ilha, que diziam ser algo errado mexer no local, McGinnis e seus amigos acabaram praticamente abandonando o projeto.

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28 anos depois, em 1803, os três amigos finalmente conseguiram a ajuda de um empresário, chamado Simeon Lynds, da cidade de Onslow. Com a companhia de prospecção fundada, batizada "Onslow Company", continuaram a escavação, que, tentando aprofundar as escavações, descobriu que havia uma parede de troncos de carvalho a cada 3 metros de profundidade. Junto delas, camadas de barro, carvão e fibras de coco, usadas para dar resistência. Alguém queria mesmo esconder alguma coisa ali.

Finalmente, depois de quase 30 metros de escavação, encontraram uma rocha lisa, em formato de tabuleta, com inscrições ininteligíveis. Um pouco depois, encontraram algo de madeira, que acharam ser um baú do tesouro (tem como ficar mais pirata?). Mas encerraram o dia, porque a situação estava ficando bizarra. Um erro, já que na próxima manhã voltaram ao local e encontraram o local totalmente inundado, com quase 20 metros de água. Quanto mais tentavam usar baldes, percebiam que o nível da água não se alterava.

No ano seguinte, tentaram até cavar um poço secundário para filtrar a inundação, que também não funcionou e acabou se inundando. Foi assim que a companhia Onslow acabou. Mas não a história da ilha.

Em 1849, um outro grupo, a "Truro Company", foi tentar escavar o poço original, e usou escavadeiras para retirar material abaixo das partes inundadas, encontrando 3 correntes de ouro, o que seria a prova da existência de um tesouro. Mas, quando tentavam escavar túneis, continuavam com o mesmo problema de inundação, e um ano após as operações foram abandonadas.

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Retomadas em 1858, prosseguiram sem resultados até 1862, quando a companhia desistiu de vez do lugar. Nesse meio tempo, a primeira vítima conhecida da ilha: um trabalhador que foi escaldado vivo por um acidente num aquecedor de água.

Outra empresa, a "Oak Island Eldorado Company", que não tinha como ter um nome mais sugestivo, realizou operações em massa para escavação no "Poço do Dinheiro", como o dinheiro começou a ser chamado. Quando mais escavavam e interligavam os túneis, inclusive tentando cortar a fonte de inundação da escavação principal, mais inundavam a ilha, até que o complexo todo cedeu. Os aventureiros, finalmente, começaram a supor que havia algum sistema de armadilhas para impedir o acesso ao tesouro.

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Já em 1897, a "Oak Island Treasure Company" encontrou cimento, pedra e carvão, além de um tipo de documento escrito, onde apenas se podia ler letras que pareciam ser "R" e "I". No mesmo ano, um homem que estava escalando um dos poços teve sua corda de segurança arrebentada, caindo e morrendo. Foi a segunda morte. Em 1900, a companhia foi junto, a 4ª num período de 100 anos.  Com a virada do século e as lendas, o Poço do Dinheiro era agora um local popular, e diversas empresas de aventureiros e arqueólogos tentaram acessar o local.

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Em 1965, quatro homens morreram intoxicados por gás ou pelo vapor de caldeiras - não se sabe ao certo - totalizando 6 mortes. Em 1966 houve a última tentativa de encontrar o que havia ali, quando vários investidores e grupos se uniram e montaram a "Triton Alliance", que acabou, como todas as outras, destruindo a ilha e não encontrando nada. Depois de ter prometido até uma mesmo uma grande escavação, com 10 milhões em investimentos, a empresa foi à falência e a ilha aberta para os turistas.

Desde então, a história acabou virando uma piada, e diversos astrólogos, tarólogos, leitores de sorte, adivinhadores, inventores de aparelhos malucos e outros tipos de charlatões e doidos infestaram o local, todos, é claro, sem conseguir nada. Dentre as alegações do que estaria ali, todo tipo de coisa bizarra: manuscritos perdidos de Shakespeare, jóias da Coroa Francesa, o Graal Santo da Távola Redonda e até mesmo a Cidade de Atlantis.

Um dos donos da Triton, chamado Dan Blankenship, meio caduco, continuou morando na ilha, que logo foi fechada para visitantes após um incidente onde ele apontou uma arma para um homem que tentava encontrar o tesouro. Hoje, há vários avisos de "não ultrapasse", "privado" e "perigo" ao redor do local.

Apesar disso, a própria existência do tesouro continua sendo um grande mistério. Há quem duvide de vários detalhes na história, como alguém ter "esquecido" a corda no carvalho que originou a história e a existência de diversos outros sumidouros (local onde há um furo no solo e a água infiltra) próximos dos locais principais. Também foi, inclusive, encontrado um outro local com placas de árvores em intervalos regulares, o que foi suposto como a atividade desses sumidouros derrubando árvores de tempo em tempo, uma explicação racional. Mas e a tabuleta e as correntes de ouro?

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Pra ajudar, outras coisas estranhas foram encontradas. Como pedras triangulares formando uma cruz ou um grande triângulo, com mais de 3 metros de lado, esculpido em pedras marítimas. Ah, e sobre a tabuleta, há diversas interpretações, mas a mais famosa diz que a mensagem é: "Forty Feet Below Two Million Pounds Are Buried". Agora o "pounds" pode ser um peso ( aprox. 907 kgs) ou a moeda britânica.

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Dentre as lendas, há uma história que diz que o mistério será revelado quando sete pessoas morrerem na ilha. Outra, que há um cemitério com dois milhões de mortos. Outra, que essa é na verdade uma metáfora que conta a história da Maçonaria, da qual seria propriedade. Para os pesquisadores, toda a história não passa de um conjunto de cavernas naturais que se alagam naturalmente, e não armadilhas. A resposta nós jamais saberemos, mas, se gostou do tema, pode conferir um episódio da série tratando desse caso, feita pelo History Channel:

Pietro Bottura
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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