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Mergulhador encontra tesouro em garrafas de cerveja no fundo do mar

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Steve Hickman, um técnico de mergulho e mergulhador amador, atravessou uma das escotilhas até o porão de um navio afundado há mais de 100 anos e encontrou o tesouro do naufrágio: garrafas de cerveja.

Durante a expedição realizada em 2021, o explorador levava consigo uma sacola de rede para procurar o tesouro. Preservadas no porão deste navio, havia fileiras de garrafas de vidro da bebida, enterradas no lodo marinho.

Logo após ele retirar a primeira garrafa do lodo, o sedimento se agitou e formou uma enorme nuvem. Com isso, o mergulhador ficou sem enxergar nada. Mas ele conhecia o navio, já havia mergulhado diversas vezes no local, e conseguiu continuar a busca por mais garrafas.

Após reunir e ensacar algumas garrafas, ele deixou o navio, e sua equipe carregou cuidadosamente os objetos para a superfície.

O naufrágio era o Wallachia, um navio de carga que afundou em 1895 na costa escocesa depois de colidir com outra embarcação em meio a uma forte neblina. O navio carregava diversos produtos, entre eles  milhares de garrafas de bebidas alcoólicas a bordo, que foram preservadas nas águas geladas do fundo do mar.

Desde que começou a mergulhar no Wallachia na década de 1980, Hickman recuperou dezenas de garrafas contendo uísque, gim e cerveja.

Recriar a cerveja 

Foto: Steve Hickman/ BBC

As garrafas recuperadas por Hickman e sua equipe foram entregues a cientistas de uma empresa de pesquisa chamada Brewlab que, junto a colegas da Universidade de Sunderland, no Reino Unido, conseguiu extrair levedura viva do líquido que havia dentro de três das garrafas.

Eles usaram essa substância para tentar recriar a cerveja original. Vale lembrar que em 2018, um projeto similar na Tasmânia utilizou levedura de garrafas de cerveja de 220 anos encontradas em um naufrágio para recriar uma bebida do século 18.

No entanto, o estudo da levedura do Wallachia apontou que as cervejas possuíam um tipo incomum de levedura, e a equipe por trás do trabalho está avaliando se essa cepa poderia ser aplicada nas cervejarias modernas e melhorar as cervejas atuais.

Isso significa que procurar garrafas em naufrágios, vasculhar recipientes antigos e coletar amostras de destilarias abandonadas, podem ser formas de encontrar cepas fabulosas.

A cerveja centenária

Foto: Steve Hickman/ BBC

De acordo com Steve Hickman, na década de 1980, quando começou a coletar as garrafas, a cerveja era quase bebível. Ele conta que a bebida, com quase 100 anos na época, assentou lentamente e gerou uma espuma espessa e cremosa, quase como uma cerveja Guinness.

No entanto, o cheiro da bebida era horrível. “Uma espécie de cheiro salgado de putrefação. Acho que essa seria a melhor descrição.”

Além disso, o gosto não era bom e as garrafas chegavam a explodir, devido ao ajuste de pressão mais baixa acima do nível do mar, fazendo os gases dentro do recipiente se expandirem. Atualmente, a cerveja está mais deteriorada e o mergulhador nem pensa em prová-la de novo.

Alguns companheiros de mergulho de Hickman foram capazes de provar a nova cerveja criada pelo Brewlab usando cepas de levedura isoladas das garrafas do Wallachia. Andy Pilley, topógrafo e mergulhador amador, afirma que a bebida é uma cerveja encorpada com 7,5% de teor alcoólico.

Levedura incomum

Foto: Ryan Mcfadden/ Getty Images

O fundador da empresa, Keith Thomas, afirma que após a cerveja do Wallachia chegar em seu laboratório, ela foi tratada com a máxima cautela. Isso garantiu que as mostras não fossem contaminadas por nenhuma cepa de levedura dos dias modernos.

Os testes genéticos apontaram que Wallachia continha dois tipos diferentes de levedura — Brettanomyces e Debaryomyces. De acordo com Thomas, é comum encontrar Debaryomyces em uma cerveja antiga, mesmo que tenha sido encontrado em algumas cervejas belgas feitas por fermentação espontânea.

Algumas das cepas de leveduras mais comuns usadas na fabricação de cerveja são da espécie Saccharomyces cerevisiae. Essa fermentação costuma acontecer quando as leveduras consomem os açúcares de grãos maltados, como a cevada.

Vale destacar que a maioria dos cervejeiros modernos não varia muito a levedura que usa, mesmo que façam experimentos com outros ingredientes, como o grão que fermentam ou o lúpulo que adicionam para dar sabor.

Em relação ao estudo da cerveja do Wallachia, Thomas afirma que a combinação das duas leveduras que encontraram na bebida de 126 anos pode inspirar inovações na indústria cervejeira de hoje.

Ainda de acordo com Thomas, a levedura Debaryomyces encontrada na cerveja do Wallachia também parece ser tolerante a metais pesados ​​como arsênio e chumbo. Isso significa que ela seria boa na biorremediação, utilizada para absorver poluentes em um ambiente contaminado, para limpá-lo.

Leveduras históricas 

Foto: Brandi Mueller/ Getty Images/ Uol

O naufrágio do Wallachia é considerado um lembrete de como temos sorte por ter acesso a leveduras históricas que podemos associar com segurança a um período de tempo e lugares específicos.

Hickman conta que durante os 30 anos mergulhou na região e observou como os destroços se deterioraram com o passar do tempo. Com isso, a embarcação está desaparecendo.

“Eu diria que, possivelmente nos próximos 20 a 30 anos, terá desaparecido por completo”, ele avalia

O naufrágio provavelmente levará consigo as garrafas de cerveja que sobrarem. Dessa forma, as cervejarias do século 19 desaparecerá para sempre, levando consigo as leveduras históricas.

Fonte: BBC

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