Os buracos negros estão entre as coisas mais curiosas de todo o universo. Trata-se de coisas completamente invisíveis. A força gravitacional é tão imensa que nada escapa desses buracos, incluindo a radiação eletromagnética, como raios-X, infravermelho, luz e ondas de rádio.

E no começo desse ano, um objeto identificado como sendo o buraco negro mais perto da Terra pode não ser na verdade um buraco negro. Equipes diferentes de cientistas reanalisaram os dados a respeito dessa descoberta e concluíram que o sistema em questão, chamado "HR 6819", não inclui nele um buraco negro.

Ao invés disso, eles descobriram que o sistema é na verdade duas estrelas com uma órbita binária. Isso é uma coisa bem incomum e faz com que o sistema seja difícil de ser interpretado.

O HR 6819 fica a aproximadamente 1.120 anos-luz de distância, e já faz algum tempo que ele é um verdadeiro quebra-cabeças. A priori, era pensado que era uma estrela única do tipo espectral Be.

Esse tipo é uma estrela quente e branco-azulada, cujo o espectro tem uma forte linha de emissão de hidrogênio que é interpretada como evidência de um disco de gás circunstelar ejetado pela estrela enquanto ela gira.

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Estudo

Os astrônomos viram, na década de 1980, que o objeto parecia ter a assinatura de luz de um segundo tipo de estrela do tipo B. No caso, uma estrela B3 III. Em 2003, isso foi descoberto para significar que o HR 6819 não era uma, mas sim, duas estrelas. E isso, mesmo que elas não pudessem ser resolvidas individualmente.

No entanto, essa não era a única interpretação. E astrônomos fizeram cálculos para analisar as possibilidades dessas estrelas.

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"A presença de um componente estrela Be no espectro de HR 6819 sugere outra interpretação do sistema. É possível que o componente estelar B3 III seja, na verdade, uma estrela de baixa massa, despojada, que ainda é relativamente jovem e luminosa. Nesse caso, a estrela Be seria a companheira do binário de 40 dias em vez de um buraco negro", escreveram os astrônomos Douglas Gies e Luqian Wang, da Georgia State University, em seu artigo.

Ou seja, a estrela B3 III, que tem uma massa mais baixa, iria girar em torno da estrela Be. Se esse fosse realmente o caso, o movimento orbital poderia ser detectado no gás de hidrogênio ao redor da estrela Be.

Eles fizeram estudos cuidadosos e viram que o disco de hidrogênio ao redor da estrela Be realmente tinha uma periodicidade de 40 dias. Isso foi consistente com a órbita da estrela B3 III. Coisa que é esperada de um sistema binário de massa desigual.

"Isso indica que HR 6819 é um sistema binário que consiste em uma estrela Be massiva e uma companheira de baixa massa que é o remanescente despojado de uma estrela doadora de massa anterior em um binário de transferência de massa", explicaram.

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Novas interpretações

Em um outro artigo, feito pelos astrônomos Kareem El-Badry e Eliot Quataert, da UC Berkeley, eles também analisaram, de forma independente, os espectros desse sistema. Com isso, obtiveram massas de 0,47 e 6,7 massas solares para as estrelas B3 III e B3, respectivamente.

“Nós argumentamos que a estrela B é uma estrela de hélio inchada e recentemente despojada com massa ? 0,5 massas solares que atualmente está se contraindo para se tornar um subanão quente. O movimento orbital da estrela Be elimina a necessidade de um buraco negro para explicar o movimento da estrela B. Um modelo de estrela despojada reproduz a luminosidade observada do sistema, enquanto uma estrela normal com a temperatura e gravidade da estrela B seria mais do que 10 vezes luminoso demais", escreveram.

Publicado em: 22/10/20 17h57