Chaves, ainda nos dias de hoje, é um sucesso. Principalmente, se você foi uma criança nos anos 1990, aqui no Brasil. Mas o seriado é mais antigo do que isso. O seu primeiro episódio, por exemplo, foi ao ar em 20 de junho de 1971. O programa encanta e conquista por sua genialidade, inocência, e claro, pelas mensagens que abordam por detrás de suas histórias.

E não só os personagens da vila, como também Chapolin, têm um lugar especial no coração das pessoas. Mas os programas dos personagens interpretados por Roberto Bolaños, ou Chespirito como também é conhecido, não serão mais transmitidos nos canais de aproximadamente 20 países onde passavam. Em alguns desses lugares, os programas eram transmitidos desde os anos 1970.

Essa notícia foi dada pelo filho de Bolaños, Roberto Gómez Fernández. Ele usou seu Twitter, para dizer "Minha família e eu esperamos que Chespirito esteja em breve nas telas do mundo".

Motivo

O cancelamento aconteceu por conta de uma disputa entre a rede de televisão mexicana Televisa, que tinha os direitos dos programas, e a família de Bolaños, que tem os direitos de exploração comercial dos personagens.

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Aqui no Brasil, o canal conhecido por transmitir os programas de Bolaños é o SBT. E a emissora confirmou que recebeu uma notificação da Televisa, informando sobre a suspensão do contrato por "um problema pendente a ser resolvido com o titular dos direitos das histórias".

O SBT se pronunciou a respeito do caso. "O SBT lamenta a decisão, principalmente em respeito ao seu público, que acompanha fielmente os seriados há tantos anos na emissora. Continuamos na torcida para um acordo entre as duas empresas mexicanas o mais rápido possível e, se isto acontecer, teremos o prazer de informar aos fãs de Chaves, Chapolin e Chespirito, imediatamente", disse o canal.

Além do SBT, o canal Bolivisión, da Bolívia, também anunciou a suspensão temporária dos programas noa país e disse que isso se deve a "desentendimentos entre os donos dos direitos".

A Televisa não comentou a respeito do caso. E o Grupo Chespirito, a empresa que administra as licenças de exploração comercial, dirigido por Roberto Gómez também  não falou detalhes sobre esse conflito.

Críticas

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Os envolvidos diretamente não falaram nada. Mas o silêncio foi quebrado por Edgar Vivar, que deu vida ao Senhor Barriga e Nhonho. Em uma entrevista feita pela emissora Radio Fórmula, ele disse que Chespirito tinha dado os direitos dos personagens para a Televisa até 31 de julho de 2020.

Quando o dia chegou, "esses direitos não foram renovados, a Televisa não quis pagar", explicou Vivar. O ator disse que conseguiu essas informações depois de ter conversado com Roberto Gómez.

Vivar também disse que na falta de um acordo, os direitos dos personagens agora são propriedade dos herdeiros. E que eles podem ser adquiridos por outros canais.

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A filha de Bolaños, Graciela Gómez Fernández, também criticou o cancelamento dos programas do pai. "É uma pena que aqueles que mais se beneficiaram dos programas de Chespirito hoje afirmem que eles não valem mais nada", disse.

Além dela, Florinda Meza, que era casada com Bolaños e interpretava Dona Florinda no seriado também falou a respeito do assunto. "É triste ver como em sua própria casa, a quem você deu milhões de dólares, é onde você tem menos valor", ressaltou.

Outros conflitos

Esse não foi o primeiro conflito de direito envolvendo as marcas Chespirito. Desde o começo dos programas, Bolaños registrou os direitos dos personagens que ele tinha criado. Isso acabou causando problemas legais com alguns dos colegas de elenco. Como por exemplo com Carlos Villagrán, que interpretava o Quico, e Maria Antonieta de las Nieves, que fazia a Chiquinha. Eles foram impedidos de interpretar seus personagens sem pagar royalties.

Publicado em: 06/08/20 15h23