Sem sombra de dúvidas, os cometas estão entre os principais objetos celestes, e um dos mais interessantes e curiosos. Alguns cometas são visíveis a olho nu, outros acabam passando despercebidos até pelos olhos mais atentos. Hoje, com toda a tecnologia disponível, podemos identificá-los ainda distantes, quando estão em suas órbitas previsíveis, basta saber onde e quando procurar por um cometa.

E no começo desse ano, um cometa entrou no sistema solar vindo de uma estrela distante que parecia ter morrido quando começou a se separar. Mas uma nova análise da fragmentação, do chamado 2I/Borisov, descobriu que o corpo principal do cometa irá sobreviver ao encontro com o sistema solar.

Essa é uma situação ganha-ganha. Esse cometa se partiu parcialmente, e isso significa que os cientistas podem analisar os detritos do seu interior para tentar entender a sua composição. Além de também entender a jornada que ele fez através da galáxia.

Cometa

O 2I/Borisov foi observado pela primeira vez em agosto de 2019. Ele passou pelo sistema solar em uma trajetória e velocidade que sugeriam uma origem interestelar para ele. Isso fez com que ele fosse o segundo visitante interestelar conhecido e o primeiro cometa interestelar.

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No dia oito de dezembro de 2019, ele chegou em seu ponto mais perto do sol. E depois continuou o seu caminho, se curvando levemente por conta da gravidade do sol. E em março desse ele começou a agir.

Os astrônomos poloneses observaram que o brilho dele tinha aumentado. Brilho que eles atribuíam a explosões de poeira e gelo que eram "fortemente indicativas de uma fragmentação contínua do núcleo".

Observações

Com novas observações feitas com o Hubble a respeito do 2I/Borisov, no final de março, o cometa estava em pelo menos dois pedaços. Isso foi o que disse o artigo de pesquisa, liderado por David Jewitt, da Universidade da Califórnia. Com a análise dos dados, a equipe de Jewitt descobriu uma desintegração completa e improvável.

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"Nossas observações revelam que a explosão e divisão do núcleo são eventos menores que envolvem uma fração desprezível da massa total. E o 2I/Borisov sobreviverá a sua passagem pela região planetária em grande parte incólume", escreveram os pesquisadores.

Não é uma coisa fora do comum que os cometas do sistema solar externo se desintegrem depois de chegar no seu mais próximo do sol. É acreditado que isso congela o cometa sublimado e acelera sua rotação. E o torque que é adicionado ao processo faz com que a instabilidade centrípeta aumente. E é isso que faz com que o cometa se separe.

O 2I/Borisov tem várias características em comum com os cometas do sistema solar externo. E sua fragmentação já era antecipada como sendo uma forte possibilidade. Mas segundo o novo estudo, a explosão que aconteceu em março foi relativamente pequena.

Segundo os cálculos de Jewitt e sua equipe, a explosão que aconteceu no começo de março foi uma nuvem de aproximadamente 100 quilômetros quadrados de diâmetro feitas de partículas de cerca de 0,1 milímetros de tamanho. A nuvem tinha uma massa estimada de 20 milhões de quilogramas.

Isso é apenas uma fração do núcleo que a equipe estimou ser de 300 bilhões de quilogramas com um raio de 500 metros. Esse tamanho foi calculado pelas medições de alta resolução da superfície do objeto.

Sobrevivente

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O objeto secundário que apareceu depois tinha aproximadamente 600 metros quadrados e uma massa de 120 mil quilogramas. A equipe acredita que ele é um pedaço que se soltou do núcleo principal durante a explosão. Mas ele não apareceu por várias semanas. E com isso, a equipe foi capaz de calcular como e porque ele apareceu.

"A aparência tardia e o rápido desaparecimento do secundário juntos sugerem uma origem por rotação e ruptura rotacional de um ou mais pedregulhos grandes, em escala de metro, sob a ação de torques de desgaseificação", explicaram.

Os astrônomos ainda continuam observando esse cometa, mas até agora nenhuma outra  explosão foi vista. Isso mostra que esse visitante interestelar está intacto e sobreviveu ao estresse de estar perto do sol. Coisa que vários cometas não fazem.

Publicado em: 04/06/20 15h33