A nave Kosmos-2491 foi lançada em 2014, em uma missão secreta. Devido a isso, muitos pensaram que era algum tipo de arma espacial experimental. Agora, ele desapareceu e um dos principais astrônomos dos EUA acha que explodiu.

No Twitter, Jonathan McDowell, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, escreveu: 'Em dezembro de 2013, Rússia lançou um veículo Rokot, com três satélites de comunicações militares e uma quarta carga útil inicialmente não anunciada, mais tarde reconhecida com o nome de capa Kosmos-2491. Agora, em 2014, ao que parece, encerrou sua missão em 2014".

Vestígios

Sua missão, nunca detalhada, aparentemente se encerrou em 2014 e o Kosmos-2491 permaneceu em silêncio, desde então. Em contrapartida, antes de explodir, às 10:21, do dia 23 de dezembro de 2019, ele fez uma manobra súbita, acelerando a 1,5 m/s, e então desapareceu dos radares. Em seu lugar, dez novos objetos classificados como “lixo espacial” foram encontrados.

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De acordo com McDowell, o Kosmos-2491 pode ter se desintegrado após ter sido atingido por lixo espacial, destruição proposital ou uma explosão acidental, envolvendo as baterias ou combustível residual nos tanques. Segundo ele, explosões não são incomuns em satélites desativados que não esgotam o propelente em seus tanques. “Eu me inclino ao acidente, pois acho que o satélite já está morto há vários anos, mas não sei ao certo”.

O satélite faz parte de um trio de embarcações lançadas entre 2013 e 2015, que chamou a atenção de espiões e analistas militares depois de realizar uma série de manobras avançadas. Os três são capazes de chegar a algumas dezenas de metros de outros satélites, potencialmente sequestrando ou até destruindo-os.

Os Estados Unidos, Suécia, Japão e China já testaram naves espaciais semelhantes e afirmaram que foram projetados para manutenção de satélites, em vez de guerra orbital. Mas teme-se que as naves espaciais sejam realmente destinadas a destruir outros satélites.

"Olhando para a história da tecnologia espacial, ela geralmente começa com um satélite pequeno e barato, fácil de lançar, e a mesma tecnologia é incorporada a algo maior", disse Anatoly Zak, jornalista e historiadora espacial nascida na Rússia.

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Em uma conferência de imprensa em dezembro de 2014, o chefe da agência espacial russa Oleg Ostapenko chegou a insistir que os veículos não eram 'satélites assassinos'.

Reino Unido

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No ano passado, empresas líderes de tecnologia informaram que o Reino Unido precisa construir uma força espacial. O objetivo, nesse inteira, seria se preparar para combater ataques terroristas espaciais. No futuro, terroristas e estados-nações poderão causar estragos econômicos ao atacar satélites de comunicação.

O novo presidente da agência espacial do Reino Unido, Will Whitehorn, disse que iria analisar a criação de uma força espacial. Objetivo é ajudar a proteger a nação contra essas novas ameaças. “À medida que avançamos nesse cenário, claramente irá haver uma maneira como poderemos responder à questão”.

Atualmente, a guerra espacial provavelmente envolverá pouco mais do que nações rivais destruindo ou bloqueando os satélites umas das outras. Embora isso prejudique as comunicações e potencialmente cause danos econômicos, acredita-se que civis não é foco.

Whitehorn acrescentou: “É claro que essas tecnologias são capazes de serem levadas a um nível sofisticado. O que estados-nação como o Reino Unido precisam fazer é garantir à frente desse jogo. E só avançamos pensando nisso com antecedência.

Publicado em: 17/01/20 18h20