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Tarrare, o artista de circo que se alimentava por 15 pessoas e comia animais vivos

POR Bruno Destéfano    EM Curiosidades      20/05/19 às 14h42

Um de nossos prazeres mais mundanos se concentra na alimentação. Não há nada mais prazeroso do que fazer uma bela refeição em dias conturbados demais. Claro que existem outras maneiras de estar completamente pleno, mas a comida, com certeza, é indispensável para os seres humanos. Na sociedade humana, inclusive, temos diversos rituais completamente focados na maneira em que nos alimentamos. É parte de nosso dia a dia, sendo essencial para continuarmos executando as nossas tarefas. No entanto, por mais que sejamos ávidos na alimentação, nunca superaremos o artista de circo que se alimentava por 15 pessoas e comia animais vivos. A história de Tarrare é tão inimaginável que serviria tranquilamente como roteiro para grandes produções de cinema.

Por mais que não tenhamos muitas informações específicas sobre o homem, é correto afirmarmos que o francês marcou a história da humanidade. Até porque nunca presenciamos nada parecido com a sua fome insaciável. Durante anos, seus incríveis talentos cativaram o público em toda a França, mas Tarrare passou seus últimos momentos procurando desesperadamente por uma cura.

Como tudo começou

Ele era um menino magro, mas sua pele parecia estar solta ao redor do corpo. Relatos contemporâneos afirmam que Tarrare era capaz de envolver a pele de seu abdômen ao redor da cintura e sua barriga se enchia como "um enorme balão". Ele também tinha mandíbulas anormalmente grandes, sendo possível abocanhar até uma dúzia de ovos ao mesmo tempo. Por volta do século 18, os pais de Tarrare expulsaram-no de casa porque a situação financeira havia se tornado insustentável. Não era possível sustentá-lo por conta das cavalares porções de comida que o jovem precisava consumir para se saciar. Assim sendo, ele decidiu caminhar com suas próprias pernas pelas ruas de Paris, usando a sua condição como vitrine circense.

Tararre consumia barris de maçãs, rolhas, pedras e até animais vivos nas apresentações públicas. Ele também gostava de "saborear" carne de cobra e engolia enguias inteiras. Contudo, ninguém se incomodara com a sua condição, porque muitos performers na época eram excêntricos e escandalosos. Além disso, apesar de seu apetite voraz, ele pesava somente 45 quilos. A aparência não incitava enfermidade ou qualquer coisa do tipo, mesmo que a realidade fosse outra.

Registros publicados no London Medical Journal e no Physical Journal, em 1819, descrevem-no como "tendo cabelo loiro e uma boca anormalmente larga, na qual seus dentes estavam manchados". Ele sofria de uma espécie de indigestão crônica, com um cheiro "fétido" que piorou com o passar do tempo.

Estratégia

O verdadeiro problema começou quando ele se juntou ao exército francês, cuja prática de racionamento de refeições o deixava ainda mais adoecido. Um de seus médicos, Monsieur Courville, ficou horrorizado ao vê-lo comer os ossos e a pele de um gato. No entanto, enquanto muitos sentiam repulsa, outras pessoas viram uma oportunidade de guerrilha.

Tarrare foi transformado em mensageiro militar, mas seus métodos eram únicos. Seus oficiais de comando, incluindo o general Alexandre de Beauharnais, lhe pediram para consumir documentos secretos, preservados em contêineres especiais, depois atravessar as linhas inimigas. Se Tarrare fosse pego, não teria nada para entregar aos inimigos. Até porque ninguém nunca suspeitaria de seus talentos incomuns. Quando ele foi pego, no entanto, a pior tortura de todas foi a falta de refeições preponderantes. Finalmente de volta à França, Tarrare foi hospitalizado no Paris Hôtel "Dieu".

Tratamento e últimos suspiros de Tarrare

Inicialmente, o homem foi tratado com medicamentos comuns da época, incluindo o ópio e o vinagre branco. Quando estes falharam, o cirurgião-chefe do hospital passou para curas mais "contemporâneas", como grandes quantidades de ovos cozidos e uma dieta controlada. Tarrare, impulsionado por sua fome, rotineiramente escapava do hospital para lutar contra cachorros por restos de comida nos becos. Algumas fontes também afirmam que Tarrare tentou comer os corpos no necrotério da clínica, além de ter sido acusado de "sumir" com um recém-nascido.

A equipe do hospital decidiu expulsar definitivamente Tarrare de suas dependências. Quatro anos depois, o cirurgião-chefe ficou sabendo que o estranho homem estava com tuberculose. E, dentro de um mês, acabara falecendo.

Até hoje, ninguém sabe qual era o problema de Tarrare. Ele provavelmente sofria de algum tipo de polifagia, uma condição caracterizada por fome incontrolável e metabolismo extremamente alto. Mas, como o médico Syndee McElory relatou, em 2017, para a Quartz, isso não explica suas compulsões canibais. O artista de circo que se alimentava por 15 pessoas e comia animais vivos, morreu aos 26 anos. De acordo com a autópsia, a maioria dos órgãos - com exceção do estômago e do fígado - tinham um odor insuportável a ponto de incapacitar exames profundos.

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Bruno Destéfano
Escritor, fotógrafo e jornalista // Deixe que o conhecimento te revolucione de dentro para fora.
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