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Trisal de águias está intrigando cientistas

POR Bruno Destéfano    EM Mundo Animal      17/04/19 às 11h18

Três águias, uma fêmea e dois machos, cuidam de três filhotes - mantendo-os aquecidos, alimentando-os com bagres recém-pescados e transportando-os para longe da borda do ninho. O caso inteiro foi transmitido ao vivo em uma webcam instalada em 2011 pelos administradores do Refúgio do Alto Rio Mississippi. Situados em uma árvore alta situada no rio Mississippi, em Fulton, Illinois, todos os pais se revezam na caça e na criação dos filhos, geralmente chamando um ao outro para obter ajuda. Pelo visto, estamos lidando com um trisal de águias. O mais curioso é que dois machos de uma espécie tipicamente territorialista estão coexistindo em uma mesma família. Isso é que eu chamo de evolução. Família é família.

A vida neste ninho nem sempre foi tão favorável. Em 2012, quando o par original - Valor I (masculino) e Esperança (feminino) - começou a se aninhar, o Valor I não era um bom companheiro ou pai. Ele era irresponsável quanto a incubar os ovos e alimentar os filhotes.

"Valor I" não mostrou o seu valor

"Normalmente, eles trocam de papéis, mas o que aconteceu foi que Esperança ficaria sentada no ninho por muito, muito tempo", diz Pam Steinhaus, gerente de serviços de visitantes do refúgio. "O companheiro não saía para garantir comida, então ela teria que se levantar e sair para caçar". Enquanto ela estava fora, Valor I sentava no ninho por talvez 10 minutos antes de se levantar e abandonar sua prole.

Segundo a Sociedade Nacional Audubon, que vem documentando a atividade das aves, a falta de compromisso e conhecimento do Valor I estava impedindo a capacidade do casal de se reproduzir com sucesso. Então, um segundo macho, posteriormente chamado Valor II, apareceu na webcam do refúgio no outono de 2013. No início, ele manteve a distância, empoleirando-se na borda do ninho ou em um galho próximo. Em pouco tempo, porém, ele começou a mostrar interesse pela família.

Constituição da família

Nos dois anos seguintes, as três águias adultas foram observadas ao redor do ninho, embora devido a problemas de câmera, era difícil ver como os adultos interagiam. Somente em 2016 os biólogos de refúgio tiveram uma documentação clara de nidificação cooperativa, com o Valor I e o Valor II assumindo funções de construção de ninhos, incubação e alimentação. Sim, até mesmo o Valor I estava contribuindo, aparentemente motivado pela nova inclusão masculina no contexto. Esse também foi o primeiro ano em que Esperança foi vista acasalando com ambos os machos.

Assim que o trio se descobriu co-pais de sucesso, no final de março de 2017, duas águias desconhecidas começaram a gradativamente atacar o ninho. "Foi um ataque contínuo, dia após dia", lembra Steinhaus.

"Esperança lutou  provavelmente ficou gravemente ferida. Nunca a encontramos". Valor I e II também lutaram contra as águias ofensivas e mantiveram a prole sem ferimentos.

Depois que Esperança provavelmente morreu, Valor I e Valor II recusaram-se a deixar os filhotes. Ambos os machos retomaram seus deveres parentais. "Foi incrível como eles se uniram e fizeram o que pais fazem.", diz Steinhaus. O trisal de águias ainda "resistia", mesmo sem a Esperança.

Novo membro

Como muitas espécies de aves de rapina, as águias-pescadoras acasalam durante toda a vida. Quando a parceira morre, não hesitam em procurar uma nova. No entanto, é incomum que dois machos escolham ficar juntos, em vez de se separarem e encontrarem suas próprias companheiras. Robyn Bailey,  líder do projeto NestWatch no laboratório de ornitologia da Universidade de Cornell, enfatiza que o Valor I permaneceu no ninho por questões de interesse. "Ele deveria estar obtendo benefícios também, como a maior probabilidade de seus filhos sobreviverem", diz.

De qualquer maneira, os dois não constituíram uma família a dois durante muito tempo. Uma nova fêmea foi flagrada coletando materiais de nidificação com os dois machos, em setembro de 2017. Os fãs da transmissão pela webcam nomearam-na de "Starr". Naquela primavera, havia dois filhotes no ninho. Um morreu depois de um mês e, embora o outro tenha nascido o cedo, acabou por ser visto aparentemente em bom estado de saúde.

Este ano, o trisal de águias produziu três ovos que eclodiram no dia primeiro de abril.

"Nós sentimos que é um ninho muito especial", ressalta Robyn Bailey. "E esperamos que fique aqui por um longo tempo".

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Bruno Destéfano
Escritor, fotógrafo e jornalista // Deixe que o conhecimento te revolucione de dentro para fora.
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