corpo humano é uma verdadeira máquina que sempre está sendo estudada e ainda é cheia de mistérios. Ele é constituído por 14 sistemas, sendo eles: cardiovascular, respiratório, digestório, nervoso, sensorial, endócrino, excretor, urinário, reprodutor, esquelético, muscular, imunológico, linfático, tegumentar. Cada um desses sistemas envolvem órgãos, que são responsáveis pela realização das funções vitais do organismo.

Para uma única célula ele é um labirinto gigante com outras trilhões de células agitadas. E de algum jeito, no meio de toda essa confusão, a maioria das células consegue chegar ao seu destino.

Por mais que várias células que constituem nosso corpo sejam essencialmente moles, elas tem algumas estruturas internas que precisam manter a sua forma. Como por exemplo, o núcleo delas onde está armazenado, com segurança, as instruções genéticas aninhadas em configurações específicas.

O núcleo está preso no lugar por uma rede de filamentos chamada citoesqueleto. Ele tem um papel importante na forma como as células se movem. Isso determina coisas importantes como a forma como nos desenvolvemos, como os órgãos funcionam e como o câncer invade o corpo.

Esses movimentos das células foram estudados, até agora, mais em um ambiente 2D. O que é muito diferente do 3D que é o nosso corpo. Por isso, uma equipe de pesquisadores da França olhou mais de perto como as células passam por obstáculos 3D. E eles conseguiram capturar isso em imagens.

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Células

A bióloga molecular da Universidade de Estrasburgo Emilie Le Maout e sua equipe montaram uma pista de obstáculos de túneis. Alguns deles eram abertos e outros tinham constrições, com por exemplo, gargalos menores que os núcleos das células.

As células testadas foram de fibroblasto, que compõe o tecido conjuntivo importante para a cicatrização de feridas e formação do colágeno. E como é mostrado, elas se distorcem para passar nos túneis.

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Outra descoberta feita foi que, quando a lacuna é muito pequena para o núcleo, as células param. Algumas células parecem ancorar e puxar até que seu núcleo se comprima o bastante para que ela consiga passar.

Passagem

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Esse outro vídeo mostra como a queratina se acumula na extremidade posterior do núcleo em todo o processo de compressão. Ela é um dos componentes de uma das três redes de filamentos que fazem o citoesqueleto. A queratina tem um papel na construção e desmontagem rápida dos andaimes.

Pode ser que seja esse rearranjo da queratina que dê a célula a possibilidade de se distorcer. Por isso que Le Maout e sua equipe testaram essa teoria com as células epiteliais escamosas orais mutantes. Que são as células que revestem a boca.

Essa mutação produz proteínas de queratina deformadas. E elas estão ligadas a cânceres encontrados nesse tipo de tecido. E essas células mutantes não conseguem passar dos gargalos. Isso sugere que a queratina tem uma grande importância no processo de esmagamento no núcleo.

"Como a parada inicial no capilar é crítica para as células tumorais metastatizarem para locais secundários em órgãos distantes, o bloqueio pela queratina mutante pode fornecer vantagens para a propagação, sobrevivência e proliferação do tumor. Estudos futuros podem usar esta estratégia de canal para identificar redes de sinalização que são modificadas no contexto do câncer", disse o biofísico celular da Universidade de Estrasburgo, Daniel Riveline.

Publicado em: 13/10/20 21h56