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Você já ouviu falar na “síndrome da filha mais velha”? Entenda como evitá-la

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Agora, mais do nunca, está se popularizando a síndrome da filha mais velha. Esse fenômeno já existe há muitos anos, mas somente recentemente a internet começou a falar sobre o assunto.

Nesse caso, vale a pena conhecer mais sobre esse acontecimento e por que ele é tão ruim quanto se fala.

O que é síndrome da filha mais velha?

Via Freepik

A Síndrome da Filha Mais Velha é um termo que se refere a um conjunto de características e comportamentos que podem ser observados em algumas filhas mais velhas em famílias com múltiplos filhos.

Essas características incluem um forte senso de responsabilidade, maturidade precoce, perfeccionismo, busca por aprovação e uma tendência a assumir o papel de cuidadora da família.

Essas características podem ser desenvolvidas como resultado da pressão e expectativas colocadas sobre a filha mais velha para ajudar a cuidar dos irmãos mais novos e assumir responsabilidades precocemente.

A Síndrome da Filha Mais Velha pode afetar o desenvolvimento emocional da criança e também pode impactar suas relações interpessoais e sua autoestima.

No entanto, é importante lembrar que nem todas as filhas mais velhas experimentam a Síndrome da Filha Mais Velha. Cada indivíduo é único e pode ter diferentes experiências em sua família.

Além disso, essa síndrome não é uma condição médica reconhecida e, portanto, não é oficialmente diagnosticada ou tratada como tal.

Por que é ruim?

As suposições populares de que os filhos mais velhos, especialmente as filhas, devem ser mais maduros e cuidar dos irmãos mais novos estão tão profundamente enraizadas em nossa cultura que é difícil perceber o problema subjacente.

No entanto, a tendência recente no TikTok de adolescentes falando sobre a Síndrome da Irmã Mais Velha (#EldestDaughterSyndrome) está chamando a atenção.

Ela fala sobre a quantidade injusta de trabalho não remunerado e não apreciado que essas filhas mais velhas assumem em suas famílias, bem como seus efeitos adversos em suas vidas, saúde e bem-estar.

Embora essa síndrome tenha existido há séculos em muitas partes do mundo, ela agora está sendo tratada como um problema.

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Isso porque, apesar do progresso em direção à igualdade de gênero no local de trabalho, as mulheres ainda são responsáveis pela maior parte do trabalho doméstico.

As meninas entre 5 e 14 anos gastam 40% mais tempo em trabalho doméstico do que os meninos, refletindo a divisão de gênero entre adultos.

Como resultado, a filha mais velha muitas vezes carrega o peso do fardo entre seus irmãos, seguindo uma ordem hierárquica patriarcal.

A síndrome pode prejudicar o bem-estar das filhas mais velhas, “roubar” sua infância e fazê-las assumir uma quantidade desproporcional de responsabilidades adultas.

Com isso, acabam reproduzindo a desigualdade de gênero no trabalho doméstico de uma geração para outra – também conhecida como parentificação.

Por que isso acontece?

A síndrome da filha mais velha é fundamentada em pelo menos três teorias comportamentais, que muitas vezes atuam simultaneamente, reforçando uma à outra.

A primeira é a teoria da modelagem de papéis. Ela sugere que as filhas mais velhas aprendem a fazer o gênero seguindo a mãe como modelo.

A segunda é a teoria da tipificação sexual, que propõe que os pais frequentemente atribuem tarefas diferentes e de gênero para meninas e meninos, isso baseando-se em sua compreensão sobre o trabalho doméstico como algo associado à feminilidade.

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Mesmo os pais que buscam incutir a igualdade de gênero em seus filhos podem inconscientemente cair na tipificação sexual. Com isso, leva as filhas mais velhas a se juntarem às mães em atividades de gênero.

A terceira é a teoria da substituição do trabalho, que sugere que, quando as mães que trabalham têm pouco tempo disponível para o trabalho doméstico, as filhas mais velhas muitas vezes agem como “substitutas”, dedicando mais tempo aos cuidados e aos afazeres da casa.

Essa questão tem implicações de longo alcance para a desigualdade global de gênero e uma crise de assistência global em andamento.

Por exemplo, muitas mães nas Filipinas migram para outros países para trabalhar como domésticas e ajudar a libertar seus clientes da desigualdade doméstica de gênero, terceirizando o trabalho doméstico.

No entanto, as filhas mais velhas dessas mulheres muitas vezes são forçadas a assumir o papel de mães “substitutas” e cuidar da casa.

Assim, acabam reproduzindo a desigualdade doméstica de gênero através de gerações e descarregando essa desigualdade de uma parte do mundo para outra.

Como mudar isso?

A solução aparente para a síndrome da filha mais velha é que as famílias reconheçam o peso injusto que é colocado sobre essas filhas e redistribuam as responsabilidades domésticas de forma mais igualitária.

No entanto, isso não é tão fácil quanto pensamos. Requer que os homens da família aumentem sua contribuição para o trabalho doméstico, e que se desfaça de séculos de pensamento sobre o trabalho doméstico.

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Para alcançar essa mudança, é necessário primeiro reconhecer o problema do trabalho doméstico, especialmente aquele realizado por crianças e filhas mais velhas.

Essa tarefa passa despercebida, não é paga e é subvalorizada. Embora o orçamento do Reino Unido para 2023 invista 4 bilhões de libras esterlinas na ampliação da cobertura de cuidados infantis, essa quantia representa apenas uma pequena fração do que as meninas e mulheres precisam realizar em termos domésticos, especialmente as primogênitas.

No entanto, não podemos mudar o que não podemos ver. Portanto, estar mais ciente da síndrome da filha mais velha não apenas como uma luta individual, mas também como uma questão de desigualdade de gênero, é um bom começo para abordar esse problema complexo.

Reconhecer a síndrome da filha mais velha e a desigualdade de gênero subjacente é o primeiro passo para mudar o status quo. Ainda, permite alcançar uma distribuição mais justa de responsabilidades domésticas entre os membros da família.

 

Fonte: Revista Galileu

Imagens: Freepik, Freepik, Freepik, Freepik

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