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Conheça Betsy Davis e a história da morte mais linda que o planeta já presenciou

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Em julho de 2016, Betsy Davis convidou 30 amigos mais próximos e familiares para uma festa no fim de semana, na sua casa no sul da Califórnia. O convite enviado para os convidados dizia o seguinte: “As circunstâncias são completamente diferentes de qualquer festa que vocês viram antes: esta vai exigir resistência emocional, foco e mente aberta”. Na festa ela exigia apenas uma regra: ninguém podia chorar na frente dela. Já leu nossa matéria da mulher com câncer terminal que lançou discussão sobre o direito à morte?

A artista de 41 anos sofria de esclerose lateral amiotrófica (ELA), a rara doença degenerativa que ficou mundialmente conhecida graças ao “desafio do balde de gelo”, em 2014. Betsy idealizou a reunião para dizer adeus antes de se tornar uma das primeiras pessoas na Califórnia a utilizar a lei estadual (aprovada no mesmo mês) que permite que os pacientes terminais recorram à eutanásia.

This July 24, 2016 photo provided by Niels Alpert, Betsy Davis, smiles during a going away party with her family and friends in Ojai, Calif.  In early July, Davis emailed her closest friends and family to invite them to a two-day celebration, telling them: "These circumstances are unlike any party you have attended before, requiring emotional stamina, centeredness, and openness.  And one rule: No crying."  Davis, diagnosed with ALS,  held the party to say goodbye before becoming one of the first California residents to take life-ending drugs under a new law that gave such an option to the terminally ill. (Niels Alpert via AP)

“Para mim e todos os outros que foram convidados, foi muito difícil pensar nisso, mas não havia chance de não ir”, conta o amigo Niels Alpert, um cinematografo de Nova York. “A ideia era ir e passar um lindo fim de semana que culminaria num suicídio. Não é algo normal, não é algo normal do dia a dia. Em meio a diversão, sorrisos, risadas, tinha um pano de fundo, um clima de que sabíamos o que viria”, diz ele. Leia também a nossa matéria com os tipos de pena de morte usados ao redor do mundo.

This July 24, 2016 photo provided by Niels Alpert, Amanda Friedland, left, surrounded by friends and family adjusts her friend Betsy Davis's sash as she lays on a bed during her "Right To Die Party" in Ojai, Calif. In early July, Davis emailed her closest friends and family to invite them to a two-day celebration, telling them: "These circumstances are unlike any party you have attended before, requiring emotional stamina, centeredness, and openness. And one rule: No crying." The 41-year-old woman diagnosed with ALS,  held the party to say goodbye before becoming one of the first California residents to take life-ending drugs under a new law that gave such an option to the terminally ill. (Niels Alpert via AP)

Ela descobriu a doença em 2013. Essa condição afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal, e como consequência, Betsy foi perdendo todo o controle do seu corpo, e por isso ela decidiu realizar um encontro como uma forma alegre de dizer adeus antes de, digamos assim, se matar. Ela planejou tudo detalhadamente para o encontro do fim de semana de 23 e 24 de julho, inclusive as horas precisas em que entraria em coma, e dividiu esses planos com seus convidados nos convites.

This July 24, 2016 photo provided by Niels Alpert, Betsy Davis, third from left, has a laugh with her friends during a going away party in Ojai, Calif. In early July, Davis emailed her closest friends and family to invite them to a two-day celebration, telling them: "These circumstances are unlike any party you have attended before, requiring emotional stamina, centeredness, and openness. And one rule: No crying."  The 41-year-old woman diagnosed with ALS held the party to say goodbye before becoming one of the first California residents to take life-ending drugs under a new law that gave such an option to the terminally ill. (Niels Alpert via AP)

Os convidados vieram de Chicago, Nova York e de boa parte da Califórnia. Uma mulher levou um violoncelo, outro homem uma gaita, e na festa houve drinques, a pizza do restaurante favorito de Betsy e uma exibição de “A Dança da Realidade”, do diretor chileno Alejandro Jodorowsky, um dos filmes favoritos dela. Com o fim de semana chegando ao fim, os amigos se despediram com beijos e abraços de Betsy, se juntaram para uma foto e foram embora. Betsy foi para uma cama em uma colina próxima, onde tomou uma combinação de morfina, pentobarbital e hidrato de cloral.

This July 23, 2016 photo provided by Niels Alpert, Kestrin Pantera plays her chello at a going away party for her friend Betsy Davis in Ojai, Calif. In early July, Davis emailed her closest friends and family to invite them to a two-day celebration, telling them: "These circumstances are unlike any party you have attended before, requiring emotional stamina, centeredness, and openness.  And one rule: No crying."  The 41-year-old woman diagnosed with ALS,  held the party to say goodbye before becoming one of the first California residents to take life-ending drugs under a new law that gave such an option to the terminally ill. (Niels Alpert via AP)

Na festa, amigos que não se viam a muito tempo voltaram a ter contato, e Betsy entrava e saía das várias salas com sua cadeira de rodas elétrica. Em um certo momento, ela chamou seus amigos para seu quarto para vestirem algumas roupas que ela tinha escolhido para eles, todos vestiram e riram bastante. Os convidados também receberam “souvenires da Betsy”, uma pintura, produto de beleza ou outra lembrança. Cada lembrança tinha uma notinha explicando o seu significado.

This July 24, 2016 photo provided by Niels Alpert, Betsy Davis, center, is accompanied by friends and family for her first ride in a friends new Tesla to a hillside to end her life during a "Right To Die Party" in Ojai, Calif.  In early July, Davis emailed her closest friends and family to invite them to a two-day celebration, telling them: "These circumstances are unlike any party you have attended before, requiring emotional stamina, centeredness, and openness.  And one rule: No crying. " The 41-year-old woman diagnosed with ALS,  held the party to say goodbye before becoming one of the first California residents to take life-ending drugs under a new law that gave such an option to the terminally ill. (Niels Alpert via AP)

Trajada de um quimono japonês (um dos itens da lista de coisas para fazer antes de morrer) Betsy viu seu último pôr do sol e tomou os medicamentos as 18 e 45, ao lado de seu médico, acompanhante, massagista e sua irmã, que segurava sua mão. Quatro horas depois Betsy morreu. Seus amigos se reunirão em junho do ano que vem no dia do seu aniversário, para espalhar suas cinzas.

E aí amigos, já conheciam a emocionante história de Betsy? Comentem!

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