Curiosidades

Descoberta de uma estranha pirâmide de 4 mil anos intriga os cientistas

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Quando se fala em pirâmide é inevitável pensar logo no Egito. Até porque, ela é praticamente um símbolo do país. No entanto, elas não são uma exclusividade do povo egípcio. Tanto é que arqueólogos descobriram uma pirâmide de quatro mil anos a 13 quilômetros a leste da vila de Taldy, nas vastas estepes do Cazaquistão.

Essa incrível descoberta sugere uma semelhança com os mausoléus do Egito antigo. A pirâmide foi encontrada na quarta temporada de escavações que foram lideradas pelos cientistas da Universidade de Karaganda. De acordo com Aibar Kassenali, do Museu Nacional da República do Cazaquistão, conforme mostram as análises de carbono 14, a construção é datada dos séculos 14 a 12 a.C.

A hipótese é de que essa pirâmide servia como um mausoléu complexo da cultura Begazy-Dandybai. Eles prosperaram na região de Saryarka durante a Idade do Bronze. E uma das características conhecidas do povo dessa cultura era justamente construir mausoléus megalíticos.

Pirâmide

Jornal da fronteira

Dentro da construção os arqueólogos encontraram vasos de cerâmica decorados, uma ponta de flecha de bronze e ouro e uma peça de cerâmica que tem uma forma de escrita arcaica. Além disso, no local também foi encontrado um crânio que confirmou que o local servia como cemitério para os líderes da tribo Andronovo.

Ainda conforme Kassenali, ele compara essa descoberta com o Vale dos Reis no Egito. Isso porque as várias construções de mausoléus piramidais é uma evidência de que o vale do rio Taldi era um lugar de sepultamento de líderes significativos.

Outro ponto observado com a descoberta foi a espiritualidade da cultura Begazy-Dandybai que é evidenciada justamente pelas pedras lapidadas, o tamanho do mausoléu e a construção em uma área árida. E o mausoléu não era tido somente como um lugar de descanso eterno, ele era um local sagrado para cerimônias. Isso é evidenciado por pinturas rupestres que sugerem que os solstícios eram estudados e celebrados.

Essa descoberta mostra como a cultura e espiritualidade do Cazaquistão eram bastante ricas na Idade do Bronze. E conseguindo compreender os mistérios do passado, os arqueólogos ficam mais perto de entender as narrativas complexas que moldaram a região, além das suas práticas religiosas e culturais.

Construções

Folha de São Paulo

Como dito, as pirâmides não são uma exclusividade do Egito. Tanto é que, bem perto de nós, na Amazônia boliviana, os povos que viveram entre 1.500 e 600 anos atrás criaram assentamentos que tinham uma rede de fortificação complexa, estradas, canais e represas. Aparentemente, tudo isso era controlado do alto de pirâmides de terra batida que chegavam a ter mais de 20 metros de altura.

Essas curiosidades sobre as pirâmides na Amazônia foram reveladas na última edição da revista “Nature” e devem acabar de vez com a ideia de que o território amazônico era “só mato” antes dos europeus chegarem.

“Essas plataformas e pirâmides eram artificiais desde a base até o topo. Aliás, foram construídas em cima de terraços com até seis metros de altura, os quais, por si sós, já correspondem a um acúmulo incrível de trabalho”, disse Heiko Prümers, pesquisador do Instituto Arqueológico Alemão e coordenador do novo estudo.

Prümers, junto com a boliviana Carla Jaimes Betancourt, da Universidade de Bonn, trabalha na região de Llanos de Mojos há aproximadamente 20 anos mapeando os sítios arqueológicos da chamada Casarabe. Ela se espalha por uma área de 4.500 quilômetros quadrados, o que é cerca de três vezes maior que o município de São Paulo.

A região de Llanos de Mojos é formada, principalmente, por um tipo de savana que é inundada periodicamente, mas ela também tem trechos com florestas densas. Vários estudos anteriores já mostravam que a população pré-colombiana da região tinha sistemas sofisticados para o manejo do território, como por exemplo, campos artificiais elevados onde conseguiam plantar durante os períodos de cheia, canais que regularizavam a distribuição de água e rampas e estradas para facilitar o deslocamento na estação chuvosa.

Mesmo assim, a cobertura vegetal densa em boa parte da região atrapalhava as tentativas de ter uma visão de conjunto das modificações feitas pelos povos do passado nesse território.

Foi então que os arqueólogos começaram a usar o LIDAR, uma tecnologia que é como se fosse um radar que usa lasers. Com esses aparelhos a bordo de aviões ou helicópteros, eles disparam pulsos de laser infravermelho na direção do solo. Então, com o tempo que a luz leva para tocar o chão e ser refletida para os detectores, os arqueólogos conseguem calcular os detalhes do relevo com uma precisão bem grande.

Graças a essa tecnologia que Prümers, Betancourt e sua equipe conseguiram mapear uma rede de 24 sítios arqueológicos da cultura Casarabe. Desses, dois foram batizados de Cotoca e Landívar. Eles têm o tamanho de cidades com seus 147 e 315 hectares, respectivamente.

Os dois têm um centro ritualístico ou governamental formado pelos terraços e pelas pirâmides em cima deles. Além do mais, eles eram cercados por três estruturas de defesa concêntricas que eram formadas por um fosso e uma muralha, também de terra batida.

“Esses centros são o produto de um longo processo. Tal como Roma, não foram feitos num só dia. Os três ‘anéis’ de estrutura defensiva no sítio de Cotoca, por exemplo, indicam um remodelamento constante e adaptações causadas por uma população em crescimento”, disse Prümer.

Além disso, os outros sítios espalhados pela região sugerem uma hierarquia de assentamentos com diferentes tamanhos e funções. Contudo, de acordo com Prümers, a região tinha uma diversidade linguística e cultural grande demais para que se saiba qual foi o povo responsável por essas estruturas.

Fonte: Jornal da fronteira, Folha de São Paulo

Imagens: Jornal da fronteira, Folha de São Paulo

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