Dois dilemas que podem definir uma personalidade psicopática

POR A redação    EM Curiosidades      04/08/14 às 21h34

Joshua D. Greene, psicólogo da Universidade de Harvard, examinou durante anos como os psicopatas lidavam com diversos dilemas morais deste estilo, e também o que acontecia dentro de seus cérebros quando o faziam. O que descobriu é que há psicopatas que são profundamente empáticos (o que parece contradizer a frieza dos psicopatas), mas que, no entanto, destilavam uma classe de empatia mecânica, funcional. "Fria", como a de um botão que ativa uma resposta. Mas antes de seguir, vejamos duas classes de dilemas morais.

Primeiro dilema

O seguinte dilema foi proposto pela filósofa Philippa Ruth Foot:
Um vagão de trem corre por uma ferrovia. Em seu caminho estão cinco pessoas amarradas nos trilhos, que não podem escapar. Felizmente, você pode pressionar um botão que desviará o vagão a uma outra via, apartando assim o vagão das cinco pessoas, mas com um preço: há outra pessoa amarrada aos trilhos desse desvio, e o vagão matará essa pessoa. Você apertaria o botão?

A maioria de nós decidirá sem muitos problemas morais, em base a uma ética utilitarista, pela opção que mate menos pessoas. Não é agradável, mas não fazer nada seria ainda pior. Como no caso da democracia ou da escolha de políticos, é a opção menos pior.

Segundo dilema

O seguinte dilema foi proposto pela filosofa Judith Jarvis Thomson:
Como antes, um vagão de trem segue descontrolado por uma ferrovia onde estão as cinco pessoas amarradas. Mas desta vez, você se encontra de pé atrás de um desconhecido muito corpulento em uma passarela de pedestres bem acima da ferrovia. A única forma de salvar as cinco pessoas é empurrar o desconhecido lá para baixo. Este morrerá ao cair, mas sua corpulência considerável bloqueará o vagão, salvando assim cinco vidas. Você empurraria o grandão?

O dilema é o mesmo: é melhor matar uma pessoa do que cinco. No entanto, custa-nos bem mais empurrar uma pessoa à via. Porque participamos ativamente no homicídio. Por conseguinte, provavelmente preferiremos não fazer nada e vamos embora para não ver o resultado da tragédia.

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Empatia fria

O que sugere Joshua D. Greene é que estes dois dilemas morais afetam duas regiões diferentes do cérebro. O primeiro dilema, o córtex pré-frontal e o córtex parietal posterior, implicados em nossa experiência objetiva da empatia fria: o razoamento e o pensamento racional. O segundo dilema, afeta a amígdala, o centro emocional do cérebro, o circuito da empatia quente. E tal e qual assinala Kevin Dutton em seu livro The Wisdom of Psychopaths:

"Como a maioria dos membros normais da população, os psicopatas não têm muito problema à hora de resolver o dilema apresentado no caso:

1. Pressionam o botão e o trem desvia-se, matando apenas uma pessoa em vez de matar cinco. No entanto -e aqui é onde a coisa fica interessante-, diferente das pessoas normais, também não teriam muitos problemas no caso

2. Os psicopatas ficariam muito tranquilos empurrando o tipo gordo às vias sem pestanejar, se não restasse outro remédio."
Estudos de Daniel M. Bartels, da Universidade de CHicago, e David A. Pizarro, da Cornell, sugerem que 90% das pessoas se negariam a empurrar um desconhecido da ponte para salvar cinco vidas. Os 10% restantes são calculistas e empáticos na versão mais automatizada possível, gente que talvez esteja a nosso arredor e utilizam suas habilidades psicopáticas para liderar uma empresa, para trabalhar como neurocirurgiões ou para ingressar no exército e fazer carreira.

E você, empurraria o grandão na ferrovia ou faria cara de paisagem e iria embora?

A redação
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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