Ciência e Tecnologia

Embora seja o mapa do céu noturno mais antigo do mundo, ele ainda é incrivelmente preciso

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Muitas pessoas acreditam que velho é sinônimo de ultrapassado, mas o mapa do céu noturno mais antigo do mundo mudou essa percepção ao ser incrivelmente preciso, mesmo nos dias de hoje.

Essa criação foi do astrônomo grego Hiparco , 2.200 anos atrás, que desenvolveu uma ferramenta para reimaginar um sistema de coordenadas que fosse semelhantes à latitude e longitude, e, assim, pudesse medir, com precisão, a posição das estrelas.

Ele não sabia que esse recurso seria uma das maiores contribuições para os estudos espaciais, e estaria precisamente certo, mesmo nos dias atuais. Inclusive, sua proposta foi usada para quebrar a teoria de que a Terra era o centro do universo.

Atualmente, pesquisadoras acreditam que os estudos do mapa do céu noturno de Hiparco permitiu que estudiosos chegassem ao ápice da astronomia antiga. Isso porque seu catálogo de estrelas marcou a primeira vez em que coordenadas foram usadas para fazer a referência de objetos no céu. Trata-se da tentativa mais antiga de estruturar a ordem do espaço, e marcou a época.

No entanto, com os anos, esse documento acabou se perdendo no tempo, sendo substituído pelas teses de Ptolomeu, que criou seu próprio mapa do céu noturno, cerca de 150 d.C.

Foi apenas recentemente que pesquisadores e historiadores conseguiram provar que Hiparco é o pai da astronomia e das coordenadas estelares, com a tentativa mais fiel e precisa do céu, feita há mais de 2 mil anos.

Projeto recuperado

Via Pexels

A proposta de recuperação do documento de Hiparco foi ideia de Victor Gysembergh, um historiador da ciência do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica.

A princípio, ele revelou evidências sobre a precisão do mapa do céu noturno do astrônomo por meio do poema Fenômenos, escrito pelo grego Arato no século III a.C.

Esse documento passou pela recuperação histórica graças à tecnologia do uso de imagens multiespectrais. Elas utilizam diferentes comprimentos de onda de luz para destacar o texto que se perdeu.

Ao aplicar essa tecnologia no poema, o pesquisador descobriu uma cópia perdida do mapa, e estudou suas posições. Assim, foi capaz de encontrar as coordenadas das quatro estrelas mais distantes ao norte, sul, leste e oeste da constelação Corona Borealis. Elas estavam incluídas no texto original do poema, com uma alta compatibilidade aos graus modernos que temos atualmente.

Além disso, embora os historiadores não tenham teorias de como Hiparco conseguiu medir o local das estrelas, acredita-se que ele tenha utilizado uma esfera armilar, instrumento de medição com anéis rotativos. Cada um tem por objetivo representar um globo celeste e suas partes.

Ainda mais antigo, Hiparco teve influência do trabalho de astrônomos babilônicos, responsáveis por medir distâncias de constelações elípticas. Esses povos conseguiram verificar as estações do ano e prever eventos espaciais somente por meio de conceitos de observação regular. Ao unir esse conhecimento com a matemática e a geometria grega, seria possível encontrar resultados surpreendentemente exatos no campo da ciência.

As pistas no mapa do céu noturno

Esse poema recuperado como parte do projeto histórico permitiu conhecer coordenadas exclusivas, que catalogam cerca de 800 novas frações de estrelas identificadas por Hiparco.

Infelizmente, somente parte desses registros estão disponíveis, pois o poema não apresentou todas as informações que o astrônomo reuniu ao longo da sua vida.

Além disso, acredita-se que seu trabalho foi mais preciso do que o de Ptolomeu, que já contava com diversas ferramentas e avanços para a época, permitindo observar o céu com mais detalhes.

Essa conclusão é resultado de estudos comparativos com os documentos disponíveis no momento para os historiados. Enquanto isso, também registraram algumas pequenas inconsistências, por conta de uma possível mudança celeste com o passar dos anos.

No entanto, de modo geral, o mapa do céu noturno mais antigo do mundo não apenas permitiu descobrir pistas de novas estrelas, como também traz informações fundamentais para os historiadores.

Via Pexels

Descoberta

O poema que permitiu tudo isso contém vestígios de escrita antiga que passou por remoção, e faz parte do Codex Climaci Rescriptus. Essa é uma coleção de pergaminhos com data entre os séculos X e XI.

Esse material único, escrito em uma língua antiga da Ásia Ocidental, veio à luz somente em 2012 a partir de um estudo de aluno bíblico, Peter Williams, da Universidade de Cambridge, que reparou em uma escrita grega visível abaixo do texto.

Segundo a pesquisa possibilitada por meio dele, os historiadores também determinaram que Hiparco  foi o primeiro cientista a descrever o movimento de precessão.

Esse fenômeno celeste faz com que a Terra oscile em torno de seu eixo conforme a rotação natural. Dessa forma, é possível identificar as coordenadas que indicam sa posições de estrelas na Corona Borealis. Essa é uma região do cosmos da ilha de Rodes por volta de 130 a.C.

O poema, com parte do mapa do céu noturno, só foi descoberto por meio de uma tecnologia única de imagem, e apesar disso, revelou parte das informações escondidas no universo e nos registros passados. Segundo os estudiosos, devem existir milhares ainda esperando para serem descobertos.

Por isso, é válido esperar que existam outras descobertas relevantes para os próximos anos.

 

Fonte: MegaCurioso

Imagens: Pexels, Pexels

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