Essa ilha é o lugar mais “alienígena” que você vai encontrar na Terra

POR Júlia Marreto    EM Mundo Afora      13/03/17 às 15h32

A paisagem remota da ilha de Socotra parece ter saído de um filme de ficção científica, mas de fato evoluiu para parecer realmente um mundo perdido. Essa ilha se separou do continente africano há 35 milhões de anos. Muito parecida com as Ilhas Galápagos, que são conhecidas por sua incrível variedade de vida selvagem, a ilha de Socotra é o lar de mais ou menos 800 espécies raras de fauna e flora, cerca de um terço dos quais são encontrados em nenhum outro lugar do planeta. Socotra é um pequeno arquipélago, formado por quatro ilhas no Oceano Índico, a 250 km da Somália e a 340 km do Iêmen.

Precisamos lembrar que não temos o intuito de criticar, julgar, muito menos impor verdades absolutas. Nosso objetivo é único e exclusivo de informar e entreter. Por isso, o conteúdo dessa matéria se destina a aqueles que se interessarem e/ou identificarem.  De cada 10 espécies de plantas, 4 só são encontradas na ilha e em nenhum outro lugar do planeta. As plantas e árvores evoluíram para se adequar ao clima hostil, sendo que algumas variedades datam de 20 milhões de anos.

A paisagem dessa ilha conta com inúmeras praias, dunas brancas, desertos e oásis escondidos no fundo de grandes canyons, além de bosques -  resquícios de uma imensa floresta que há, mais ou menos, 30 milhões de anos, formava uma espécie de cinturão, pelo super continente chamado de Gondwana, onde se encontrava, praticamente, toda a terra que hoje está no hemisfério sul.

 

Esse supercontinente se separou - América do Sul, Índia, África, Oceania e Antártica -, então a Ilha de Socotra ficou isolada, no meio do Oceano Índico. Motivo pelo qual boa parte das espécies ali existentes pararam sua evolução. A Dracena Cinnabari é a árvore mais simbólica da região, também chamada de Sangue de Dragão por sua seiva de cor avermelhada; há milhões de anos, essa árvore cobria boa parte da terra, atualmente divide seu espaço com pastores e suas cabras.

Esses pastores são muçulmanos que ali chegaram há muitos séculos e quase nada mudaram em seu estilo de vida. A principal fonte de renda dessas pessoas são os cristais da árvore Sangue de Dragão. Para isso, é preciso abrir um buraco na casca da árvore e esperar alguns anos. Da seiva da árvore cristais se formam, com a ponta de uma faca são raspados esses cristais de resina.

Para a venda desses cristais, eles são purificados, aquecidos no fogo. Deles escorrem uma tinta, com vermelho intenso. Depois são concentrados em bolas, que vão para o mercado no Oriente Médio, cada uma delas é vendida ao equivalente a cinco reais. O que para nós parece pouco, para eles é uma fortuna, em uma região onde praticamente não circula dinheiro.

Além disso, esses cristais são usados para muitas coisas pelos habitantes da ilha, como por exemplo: tingir cerâmica, maquiagem, como remédio - por ser um poderoso coagulante, quando uma mulher dá à luz, ela toma um pouco do pó desses cristais diluído em água para evitar hemorragia.

O mais interessante nas árvores da região são suas formas. A Sangue de Dragão possui sua folhagem em forma de guarda-chuva, para manter as raízes úmidas o máximo possível, em uma região semi-árida. Apesar disso, essa espécie corre perigo, causado pela exploração da seiva.

Não apenas, cada vez que uma dessas árvores morre, várias outras espécies também sofrem. O tronco dela é cheio de conchas e alimentam lagartixas. Mas o grande problema são as cabras, tendo um número maior do que o ambiente suporta, porque como não é possível plantar pasto na região, elas acabam comendo as mudas novas dessa árvore. Porém, a principal fonte de alimento da população é o leite de cabra.

O turismo poderia ser uma boa fonte de renda para a região mas, infelizmente, é uma área que sofre ameaça constante do islamismo fundamentalista. Da sua vegetação, outra bem diferente é a Rosa do Deserto, com galhos pequenos, quase sem folhas - para não desperdiçar energia -, mas com muitas flores, seu tronco parrudo é resultado da necessidade de acúmulo de água, para sobreviver aos nove meses do ano em que não há chuva. Por conta de seu formato, também é conhecida como Árvore Garrafa. Além disso, ela nasce sobre rochas.

Outra árvore fascinante, que também guarda água em tronco, e por causa de seu formato quase ninguém é capaz de adivinhar qual seu tipo, é esse pepineiro acima. Ao contrário do pepino que conhecemos, que nasce em trepadeiras, em Socotra, os pepinos nascem em árvores de um metro de diâmetro e cinco metros de altura, mas não são comestíveis.

Essas são mais algumas imagens da incrível paisagem desse verdadeiro paraíso:

Então pessoal, o que acharam dessa ilha? Já conheciam/tinham ouvido falar? Encontraram algum erro na matéria? Ficaram com dúvidas? Possuem sugestões? Não se esqueçam de comentar com a gente!

 

Júlia Marreto
É a dona de um coração esculpido pela literatura e preenchido pelos bons vinhos de Baco. Guiada nas artes da vida por Ares, possui a discreta delicadeza de um elefante pulando carnaval numa loja de cristais! Movida diariamente pelo combustível da vida: o café, essa garota possui raízes profundas na poesia da vida. É muito séria, mas sabe brincar na hora certa. Ama os animais e detesta filme de terror. Apesar de cantar mal, canta com sentimento. E adora musicais! Sua principal tentativa desportiva é o baralho. Ela gosta mesmo é de coisas antigas, apaixonada pela vida e sonha com o universo. Instagram: juliamarreto

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