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Estudo sobre maior surto de Candida auris no Brasil é publicado por cientistas

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Após um ano do maior surto de Candida auris no Brasil, um grupo de cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descreveu detalhes dos casos e analisou os possíveis motivos do surto desse fungo em dezenas de pacientes.

Entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, um hospital de Recife, em Pernambuco, registrou 48 casos de infecção grave, segundo dados da Secretaria de Saúde do estado. O estudo e impressões dos especialistas seguirão para publicação na revista científica Frontiers in Cellular and Infection Microbiology.

Esse fungo emergente representa uma séria ameaça à saúde pública devido à sua capacidade de resistir aos principais medicamentos antifúngicos e se espalhar com considerável rapidez.

Análise do maior surto de Candida auris

Via AMECI

Em todo o mundo, as infecções por C. auris se tornaram uma doença grave e que chama atenção dos médicos, por conta da alta morbidade e mortalidade dos casos. Por conta disso, chamou atenção dos pesquisadores, que realizaram uma análise detalhada sobre o que teria sido a maior infecção no Brasil.

Os pesquisadores destacaram que é fundamental a disponibilização de metodologias rápidas e diagnóstico preciso para implementar as devidas medidas de prevenção e controle do surto de Candida auris.

Além disso, os médicos também indicaram que as condições propícias onde o fungo se instalou foram fundamentais para a rápida disseminação dos casos.

No período em que o Brasil definiu o seu terceiro e maior surto, nove pessoas foram diagnosticados com o fungo, entre sete homens e duas mulheres que apresentaram reincidência durante várias oportunidades enquanto internados. As idades variavam entre 22 e 70 anos.

O primeiro paciente do surto deu entrada na hospitalização em novembro de 2021, enquanto os demais foram admitidos na mesma unidade em fevereiro de 2022.

O coordenador da pesquisa que avalia o surto de Candida auris no Brasil, Manoel Marques Evangelista Oliveira, do Laboratório de Taxonomia, Bioquímica e Bioprospecção de Fungos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), afirmou que o objetivo dessa análise é tornar o diagnóstico da infecção mais simples.

Atualmente, os especialistas desejam ter respostas mais rápidas para confirmar os casos de infecções fúngicas e ajudar os pacientes. Além disso, o estudo contou com a colaboração de outros cientistas conhecidos, inclusive da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), como o professor Reginaldo Gonçalves de Lima Neto, e participação da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.

Todos os resultados da análise estarão disponíveis na revista, e poderão ajudar outros hospitais e centros de atendimento a identificar o fungo mais rapidamente.

Via CNN

Perigos do surto no Brasil

O fungo Candida auris é um agente causador de doença que recebe o nome de oportunista, pois se aproveita do estado frágil do paciente. A princípio, o primeiro relato desse agente surgiu no Japão em 2009, em um caso de otomicose. No entanto, se espalhou rapidamente para os demais continentes.

A ameaça grave acontece porque algumas de suas cepas são resistentes aos medicamentos comuns para tratar infecções por fungos. Ou seja, a C. auris tem mais chances de continuar viva e se espalhando. Alguns estudos apontam que até 90% dos isolados são resistentes a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.

Além disso, vale mencionar que, ao contrário da maioria dos fungos ambientais, o surto de Candida auris parece ser resistente também a temperaturas elevadas, que vão de 37°C a 42°C. Essa capacidade de sobreviver a condições ambientais adversas torna possível se adaptar fora do hospedeiro humano.

Em outras palavras, aumentam os riscos de surtos hospitalares. Isso porque traz colonizações externas que chegam até dispositivos médicos e nas mãos de profissionais de saúde. Dessa forma, a infecção é potencialmente maior e perigosa.

Esse fungo, uma vez que está na corrente sanguínea, também pode causar infecções invasivas que chegam a ser fatais. Principalmente em pacientes com a imunidade comprometido ou com morbidades.

Outra característica que torna o fungo C. auris tão perigoso é que os pacientes podem continuar como parte da colônia por muito tempo, de modo que garante a sobrevivência dos agentes e gera a propagação para outras pessoas.

Desde março de 2017, o Brasil criou um documento com orientações para os serviços de saúde, como hospitais, clínicas e laboratórios. Assim, eles devem proceder para prevenir e controlar a disseminação do fungo. Junto do estudo mais recente, será mais fácil identificar e reter surto de Candida auris.

 

Fonte: CNN

Imagens: CNN, AMECI

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