Todos nós temos um lugar de origem. Aquele bairro onde crescemos e nos tornamos adultos. Várias pessoas podem achar que  o lugar onde elas cresceram não tem nenhuma importância em suas vidas. Ou que isso não as afeta. Mas não é bem assim. Vários estudos mostraram que crianças que crescem em bairros mais carentes tendem a ter uma saúde física pior quando são adultos. Do que aquelas que foram criadas em áreas mais ricas.

O caso se repete quando o que é levado em consideração é a renda e a educação da família. E se os pais tem ou não doenças graves. E para lidar com essa diferença na saúde, os pesquisadores precisam entender como aquelas pessoas que vivem em bairros desfavorecidos têm piores resultados em sua saúde.

O estudo mais recente mostrou como o bairro de infância pode influenciar na saúde de uma pessoa nos próximos anos. Isso pode ser feito mudando a forma como a atividade dos seus genes é regulada.

Genes

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Essa regulação de genes, também chada de epigenética, é o processo de ativar ou desativar genes. E é uma parte bem importante de como o nosso corpo se desenvolve ao longo do tempo.

Como por exemplo, ativando um determinado grupo de genes para aumentar a produção de hormônios durante a puberdade. E o conjunto de formas que os genes são regulados é chamado de epigenoma.

Foi descoberto que crianças que foram criadas em comunidades com privação econômica, desconexão social e perigo, apresentaram diferenças em relação a seus pares em seus epigenomas. Isso em comparação com aquelas que cresceram em bairros mais abastados. E tinham um ar mais limpo e eram conectados socialmente e seguros.

O epigenoma é composto de proteínas e compostos químicos que são capazes de alterar a atividade dos genes se ligando a segmentos do DNA. A sequência do DNA não é alterada, mas ela influencia no funcionamento dos genes. Ele pode ativar ou desativar os genes para que produzam ou não determinada proteína.

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As proteínas tem um papel crítico nos corpos das pessoas. E são necessárias para a estrutura,f unção e regulação dos tecidos e órgãos. E ativar genes que antes estavam inativos pode ter consequências devastadoras.

Estudo

Para fazer o estudo foram analisados os epigenomas de aproximadamente duas mil crianças. Que nasceram na Inglaterra e no País de Gales, entre 1994 e 1995. Elas foram acompanhadas pelas últimas décadas. Essas crianças cresceram em bairros que representam todo o espectro de condições socioeconômicas em todo o Reino Unido.

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E várias fontes de dados foram usadas para caracterizar as características físicas, sociais, econômicas e de saúde e segurança dos bairros. Então essas informações foram comparadas com os dados epigenéticos conseguidos pelas amostras de sangue dos participantes do estudo quando eles fizeram 18 anos.

Foi descoberto que as crianças que cresceram em bairros mais desfavorecidos, tinham uma diferença na regulação dos genes que eram ligados à inflamação crônica e ao desenvolvimento de câncer de pulmão.

As descobertas apoiam a ideia de que a regulação dos genes pode ser uma das formas pelas quais as desvantagens dos bairros causam diferenças na saúde a longo prazo. Mas ainda não é possível saber se essas diferenças epigenéticas vistas em jovens adultos são duradouras ou se podem mudar.

Publicado em: 30/06/20 15h48