Saúde

Obesidade e sobrepeso aumentam risco para 13 tipos de câncer

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Pessoas que apresentam excesso de peso ou obesidade enfrentam um aumento no risco de desenvolver 13 tipos de câncer, incluindo câncer colorretal (intestino), câncer de mama e câncer de pâncreas.

É o que indicam pesquisas realizadas nos Estados Unidos, e especialistas confirmam os resultados.

Por outro lado, a adoção de mudanças no estilo de vida e a prática regular de exercícios físicos podem reverter essa situação.

No Brasil, mais de 60% da população adulta vive com excesso de peso, o que corresponde a mais de 96 milhões de pessoas, de acordo com dados do IBGE.

Isso indica que há um grande contingente de indivíduos potencialmente em risco para diversos tipos de câncer.

Para esclarecer, aqueles que possuem um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 25 são classificados como sobrepeso, enquanto a obesidade é definida pelo IMC igual ou superior a 30. Além do IMC, outros parâmetros podem ser utilizados para determinar essa condição.

É importante ter em mente que esses números variam conforme uma série de elementos, como altura, massa magra, índice de gordura e sedentarismo. Contudo, pessoas saudáveis, que mantêm uma rotina equilibrada, tendem a permanecer com índice inferior.

Obesidade e câncer

Via Freepik

Além de constituir um fator de risco para hipertensão arterial (pressão alta), diabetes e elevação do colesterol, a obesidade contribui para 4% a 8% dos casos de câncer, conforme indicado por um estudo publicado na revista Cancers.

De fato, o excesso de gordura corporal está associado a 13 tipos de câncer, conforme revelado por uma pesquisa publicada na Public Health:

  • Câncer colorretal;
  • Câncer de endométrio;
  • Câncer de esôfago;
  • Câncer de estômago;
  • Câncer de fígado;
  • Câncer de mama;
  • Mieloma múltiplo;
  • Meningioma;
  • Câncer de ovário;
  • Câncer de pâncreas;
  • Câncer de rim;
  • Câncer de tireoide;
  • Câncer de vesícula biliar.

Vale pontuar que os tipos de câncer com maior risco em pessoas obesas são aqueles que afetam o intestino, estômago e outros organismos responsáveis por processar a ingestão de alimentos e nutrientes.

No entanto, por ser um sistema complexo e um dos principais no corpo humano, existem mais incidências de alterações celulares e o desenvolvimento da doença na região.

Por que o risco aumenta?

Diversas teorias buscam explicar o aumento do risco de câncer em pacientes, e, nesse contexto, o médico Luiz Gustavo Torres, oncologista da Oncologia D’Or e mestre em Ciência pela Fiocruz/ENSP, concentra sua análise na relação com o tecido adiposo.

Indivíduos com sobrepeso e obesidade tendem a apresentar um aumento na secreção de substâncias inflamatórias pelo tecido adiposo.

Esse aumento na inflamação entre as células adiposas, por sua vez, resulta na produção adicional de hormônios e fatores de crescimento.

Conforme o médico aponta, esse cenário favorece uma divisão celular mais frequente e uma maior multiplicação de células. Dessa forma, eleva o risco do surgimento de células cancerígenas e da multiplicação celular descontrolada, o que provoca o desenvolvimento da neoplasia, ou diferentes tipos de câncer.

Prevenindo 13 tipos de câncer

Via Freepik

O câncer surge devido a uma complexa interação de diversos fatores. No entanto, enquanto o histórico familiar e o envelhecimento são elementos inalteráveis, outros podem ser modificados.

Entre esses, vale destacar o sobrepeso, a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo, a exposição a substâncias cancerígenas e o consumo excessivo de álcool e alimentos processados, conforme observações de Torres.

A promoção de uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos são medidas benéficas na prevenção do câncer.

Por exemplo, mulheres que se envolvem em qualquer atividade física apresentam um risco 13% menor de desenvolver câncer de mama, como indicado por um estudo da revista Seminars in Cancer Biology.

Além disso, realizar exames periódicos ajuda na identificação da doença nos primeiros estágios. Se o indivíduo possuir sobrepeso ou tendência a engordar, vale realizar check-ups anuais.

Cirurgia bariátrica pode ser aliada

Inclusive, quando as alterações no estilo de vida não conseguem promover a perda de peso desejada, é possível considerar abordagens mais invasivas, como a cirurgia bariátrica, que demonstrou ser eficaz na prevenção do câncer.

É o que mostra um estudo publicado no International Journal of Molecular Sciences.

Em média, a cirurgia bariátrica foi associada a uma redução de 38% na incidência geral de câncer e de 41% nos tumores relacionados à obesidade.

De maneira mais específica, a intervenção cirúrgica resultou em uma diminuição de 65% no risco de câncer de fígado e uma redução de 37% no caso de câncer colorretal.

Isso vai ao encontro da teoria do oncologista Luiz Gustavo Torres, que afirma se relacionar com o tecido adiposo. Afinal, com menos gorduras, menores as chances de células maléficas se reproduzindo.

Por isso, é fundamental que pessoas com obesidade procurem alternativas não apenas para mudar os hábitos, mas para reduzir as chances de ter câncer e acumular gordura.

 

Fonte: Canaltech

Imagens: Freepik, Freepik

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