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Pós onda de calor: entenda por que seus pneus devem dar prejuízo quando esfriar

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Nas últimas semanas, o país passou por uma forte onda de calor e nove capitais registraram recordes de temperatura, tendo máximas de até 43° Celsius. Felizmente, de acordo com a previsão do tempo, essa onda já está prestes a passar. Contudo, muitas pessoas nem relacionam, mas essa mudança de temperatura não afeta somente nós, mas também os pneus dos automóveis.

Por mais que os pneus tenham sido calibrados antes ou durante a onda de calor, a pressão interna deles terá que ser revisada depois que o tempo der uma esfriada. Se isso não for feito, o consumo de combustível do carro pode aumentar, além do desgaste dos pneus, um risco maior para as rodas, furos e até mesmo o risco de acontecer algum acidente.

Clima e pneus

Olhar digital

Muitas pessoas não sabem, mas a temperatura está diretamente associada à variação da calibragem. De acordo com artigos a respeito do tema que a Continental divulgou, foi visto que é preciso um aquecimento de cerca de 5,5° Celsius para que a pressão do pneu aumente uma libra. Ainda de acordo com ela, a cada quatro libras a menos, o consumo de combustível aumenta cerca de 1,5%.

Um exemplo, se a pessoa tiver calibrado os pneus em um dia de calor, quando eles atingem temperaturas mais altas do que a ambiente, ela verá que quando o clima voltar a ficar mais frio a temperatura do ar dentro dos pneus irá acompanhar essa queda, o que diminuirá a pressão interna deles.

Isso quer dizer que se, hipoteticamente, a temperatura do pneu cair 15° Celsius, o carro irá perder cerca de três libras em cada um dos cantos, ou até mais. Assim, se a pessoa não for no posto fazer a calibragem, as chances de acontecer alguma das consequências mencionadas aumentam.

Além delas, existe também o risco de calibragens desiguais, o que não resulta somente no desgaste diferente dos pneus, mas também irá forçar partes do carro como o diferencial.

Com um desgaste maior nos ombros dos pneus, a estabilidade do carro fica comprometida, o que gera um problema nas curvas com um aumento do “peso” da direção e à degradação do poder de frenagem do veículo.

De acordo com a NHTSA, agência governamental que cuida do trânsito nos Estados Unidos,  andar com os pneus com a pressão abaixo do que é indicado é a maior causa dos problemas neles. Mesmo assim, 27% dos carros e 32% das vans, caminhonetes e utilitários andam com, pelo menos, um pneu com a calibragem menor.

E como as ruas do nosso país têm buracos, quanto menos ar tiver dentro do pneu, mais vulnerável as rodas ficam, o que faz com que elas possam amassar mais facilmente.

O que fazer

Karvi

Para evitar esses problemas existem algumas coisas que podem ser feitas. Por exemplo, verificar o manual do fabricante para saber qual é a calibragem correta e indicada.

Sempre calibrar os pneus antes de uma viagem. Dessa forma, eles estarão o mais frio possível, o que ajuda na precisão de leitura feita pelo calibrador do posto e garante que o carro não fique com uma pressão menor do que a recomendada.

No caso de o veículo estar mais pesado que o normal, é necessário olhar novamente no manual do fabricante para saber qual é a calibragem para os pneus quando o carro estiver carregado.

Futuro

Tecmundo

Esses problemas acontecem por conta da variação do ar dentro dos pneus. Mas e se existisse um pneu sem ar nenhum? Os fabricantes dessas peças automotivas tão importantes já estão se movendo no desenvolvimento dessa tecnologia. Em alguns casos, os processos já estão nas fases de testes.

Goodyear

Basicamente, cada marca busca uma forma diferente de criar um pneu sem ar que seja resistente e que não dê tantas tremulações ao carro. Um exemplo disso é a Goodyear, a qual trabalha nessa tarefa em conjunto com a Tesla.

Em Luxemburgo, as duas forças do mercado se unem para testar essa engenhoca em uma pista de corrida. Dessa forma, um Tesla modelo 3 acelera e freia bruscamente para atestar a segurança de ser um pneu sem câmara de ar e sem uma borracha capaz de absorver esses movimentos.

Em suma, a estrutura se monta com raios de plástico que se ligam verticalmente com um grande e resistente anel de borracha. Logo, enquanto o carro passa pelas situações de estrada, esses ligamentos se dobram e desdobram, refazendo o papel da câmara de ar.

Apesar de ser uma ideia sagaz, colaboradores da própria fabricante reconhecem os desafios que a tecnologia ainda precisa superar. Michael Rachita é gerente de programas da Goodyear para pneus não pneumáticos, e de acordo com ele: “haverá ruídos e um pouco de vibração. Ainda estamos aprendendo como suavizar a direção. Mas achamos que o desempenho será surpreendente”.

Conforme aponta o gestor, a intenção não é tornar inútil os pneus de ar. No entanto, é preciso que as fabricantes busquem maneiras de diminuir as dores de cabeça que as pessoas costumam ter com seus veículos.

“À medida que entramos em um mundo onde os veículos autônomos estão se tornando mais comuns e muitas cidades estão oferecendo estratégias de transporte como serviço, a importância de termos pneus livres de manutenção é imensa”, reflete ele.

Michelin

A princípio, a Michelin é uma das marcas com maior potencial de trazer ao mercado um pneu sem ar de confiança. Afinal, a empresa francesa é líder mundial na venda de “tweel”, que são estruturas arredondadas sem ar que sustentam máquinas agrícolas.

Desde 2005, esse tipo de pneu satisfaz as necessidades desses veículos que andam a baixas velocidades. Porém, a questão agora é se a tecnologia funcionaria em veículos em altas velocidades nas rodovias do mundo. Além disso, vale lembrar que essas estruturas possuem maior atrito com a rodovia, o que aumenta a necessidade de energia para o carro rodar. Portanto, é preciso minimizar esse efeito para que o pneu sem ar seja rentável.

Por isso, a Michelin vem trabalhando junto com a GM Motors desde 2019. Inclusive, o Sistema de Pneus à Prova de Furos Unique poderá estrear nas rodas do carro elétrico Chevrolet Bolt, em sua versão de 2024.

A fabricante francesa, por sua vez, também aposta em um sistema de grades que deixa um espaço livre dentro de si para que a estrutura se movimente conforme o impacto. No entanto, diferente da Goodyear, os pneus da Michelin possuem mais materiais envolvidos na composição.

Enquanto a marca americana utiliza apenas plástico e borracha, a Michelin entregará um produto que contém fibra de vidro, resina de alta resistência e borracha composta. Além disso, no futuro, a empresa quer criar uma espécie de pneu inteligente que se conecta à internet e é produzido por impressoras 3D. Ao fim do uso, esse sonho de engenharia automotiva ainda poderá passar por fusão e reutilização.

Fonte: UOL, BBC

Imagens: Tecmundo, Olhar digital, Karvi

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