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Qual motivo de os millennials estarem com preguiça de conversar no WhatsApp?

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Muitos millennials estão transformando a relação digital e têm um pouco de preguiça de conversar no WhatsApp.

As relações sociais passaram por transformações drásticas devido aos avanços tecnológicos desde o início da pandemia.

Esses avanços foram úteis para transmitir a sensação de proximidade com entes queridos durante o isolamento, porém, trouxeram um cansaço das telas e do contato escrito com os outros.

Por isso, cada vez mais millennials, que geralmente tiveram acesso a computadores desde a infância, estão evitando conversar no WhatsApp.

Especialistas compartilham que a valorização do contato superficial está mudando. Hoje, existem mais informações simultâneas para visualizar.

Assim, quando alguém envia um texto, é preciso sentar e responder com calma, em vez de enviar um retorno rápido e receber novas centenas de mensagens.

Embora os aplicativos tenham popularizado a ideia de comunicação instantânea, a vida real se tornou diferente.

Isso porque cada pessoa tem seu próprio ritmo, e nem todas conseguem manter essas conexões e responder todas as mensagens instantaneamente.

O resultado é exaustão física e mental, prejudicando, ainda mais, as relações que deveriam se tornar mais simples e acessíveis.

Paralelamente, são justamente os millennials que estão redescobrindo as vantagens de interagir ao vivo com outras pessoas. Isso não foi possível durante o isolamento social e ainda representa uma experiência recentemente traumática.

Via Pexels

Falta de privacidade

Segundo Juliana Bomfim, psicóloga e pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia, a natureza imediata de conversar no WhatsApp pode criar a ingrata sensação de hipervigilância nas pessoas.

Esse estímulo vem até mesmo de muitas operadoras de telefonia, que oferecem pacotes com uso gratuito do aplicativo.

A ansiedade surge do uso constante e contínuo, resultando em um excesso de informações nem sempre positivas ou enriquecedoras.

Quando estamos online, é como se estivéssemos disponíveis o tempo todo. Essa pressão social para responder instantaneamente, juntamente com a sensação de relacionamentos superficiais, causa desgaste e pode levar o usuário a desenvolver aversão ao uso.

Betânia Caroline, coordenadora de atendimento de 27 anos, também acredita que existe uma ilusão de disponibilidade. Ela diz que as pessoas sabem quando você entra, visualiza e responde.

Dessa forma, passam a esperar uma resposta, mesmo que o usuário não queira conversar naquele momento. É como estar acessível 24 horas por dias, o que não é normal.

Conversar no Whatsapp é sempre o ideal?

Psicólogos avaliam a profundidade de conversar no Whatsapp, e nem sempre essa relação é o ideal. Muitas pessoas fazem várias coisas ao mesmo tempo, e deixam de ter uma interação pessoal e significativa.

Além disso, saber a expressão da pessoa e seu tom de voz marca uma série de entendimentos sobre como a conversa está fluindo e se existe algum problema.

Com isso, vale lembrar que vivemos em uma sociedade focada na imagem e, portanto, marcada por um ideal narcisista.

Assim, a fadiga das telas do WhatsApp é um preço considerado “justo” a pagar, já que constantemente somos atormentados pela suposta imagem que transmitimos aos outros, de acordo com Bruno Reis, psicanalista, mestre em estudo de linguagens e vice-presidente da APBA (Associação de Psicanálise da Bahia).

Como ela aborda, o ambiente virtual permite que o personagem assuma as conversas, e pode estragar as coisas em encontros reais. No entanto, realizar a manutenção desse cenário é prejudicial para o próprio entendimento social.

Via Pexels

Em um cenário onde é possível “conectar sem encontrar”, diversas demandas nos são endereçadas a qualquer momento, afinal, as relações pessoais exigem esforço.

Para estar verdadeiramente presente com os outros, é necessário tempo, dedicação e atenção. Nas redes sociais, por outro lado, podemos “editar” a vida real.

Muitos acreditam que as amizades virtuais e conversas no WhatsApp aumentam a sensação de carinho e de ser aceito pelas comunidades. No entanto, vale reduzir o tempo gasto nessas interações e abrir oportunidades para outros espaços.

Caso contrário, muitas pessoas poderão experimentar novos quadros e condições, inclusive de ansiedade social, deixando de se acostumar com esse contato mais próximo e real.

Na prática, assumir um equilíbrio é o mais saudável, e os millennials estão propondo isso com maior rigidez, priorizando as conversas reais e estabelecendo limites.

Por via das dúvidas, estabeleça horários de conversa, desative as notificações e procure relações mais próximas com aqueles que ama.

 

Fonte: UOL

Imagens: Pexels, Pexels

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