‘Trauma brutal’, diz homem que relatou agressões após marcar encontro por app

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesoutubro 12, 2022

Os aplicativos de encontro são um dos mais usados pelas pessoas. Contudo, nem sempre a experiência das pessoas é boa, podendo ser até traumatizante. Esse foi o caso desse homem que foi agredido e roubado depois de marcar um encontro por um aplicativo de relacionamento direcionado para o público LGBTQIA+.

O caso aconteceu em Porto Alegre e a Polícia Civil do Rio Grande do Sul está investigando o ocorrido que teria acontecido na última quinta-feira. Em entrevista, o homem que foi vítima disse que ainda não conseguiu voltar para casa depois do que aconteceu.

“Tenho um trauma brutal para lidar a partir de agora. Não sei quando vou voltar a dormir no meu apartamento”, disse o homem, que prefere não ser identificado.

A Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância da Capital está apurando a ocorrência. De acordo com Andréa Mattos, a delegada, a vítima marcou o encontro em sua casa com dois homens. Quando eles chegaram no local, a dupla amordaçou e amarrou o jovem, que foi forçado a transferir dinheiro via PIX para os criminosos. Além disso, uma quantia em espécie e uma caixa de som foram roubados.

Ao todo, os criminosos ficaram 40 minutos fazendo a ação. E como se o roubo não fosse o suficiente, o homem também foi agredido com coronhadas e socos no rosto. Embora a vítima tenha ficado ferida no rosto, ele não precisou ser internado e passa bem.

Depois desse caso, o homem se mostrou preocupado com a segurança das pessoas que usam o aplicativo, já que as contas nem sempre são verificadas ou têm uma autenticidade confirmada pelas plataformas. “É o alerta que fica. Se a pessoa quiser fazer o uso desse aplicativo, que ela seja mais precavida”, pontuou ele.

Caso

Guia gay São Paulo

O caso começou com o homem fazendo contato com uma dupla através do aplicativo de encontros por volta das 17h de quinta-feira. Na descrição da dupla, apareciam dois jovens de 24 anos. Eles então trocaram fotos e mensagens marcando o encontro para mais tarde.

“Por algum motivo, o meu sexto sentido estava achando meio estranho aquilo ali. Mas eu estava em um momento um pouco difícil e estava precisando ter uma aventura dessa, um encontro diferente, e me coloquei à disposição”, disse o homem.

O jovem até chegou a desconfiar que o perfil era falso quando os dois homens demoraram para aparecer no horário que eles tinham combinado. Contudo, por volta das 19h20 a dupla apareceu. Como o jovem estava desconfiado, ele avisou um amigo.

“Disse que ‘se algo me acontecer e em uma hora eu não ter dado retorno, é que algo aconteceu comigo'”, lembrou ele.

Quando eles chegaram na casa, os suspeitos estavam com máscaras de proteção contra o coronavírus e um deles ainda estava de boné. “Então, não tinha como fazer reconhecimento facial”, pontuou a vítima.

Já no apartamento, o jovem ofereceu cerveja para a dupla. E de acordo com ele, um dos homens da dupla agia de uma maneira mais agressiva e agitada. “O mais tranquilo pediu um copo d’água e o mais agressivo pediu para usar o banheiro. Ele voltou para a sala e começou a mexer nos interruptores, dava para ver que estava mais agitado, nervoso”, contou.

Homem agredido

G1

As agressões começaram quando os três foram para o quarto. “Assim que a gente entrou, o agressivo me deu um soco na nuca e puxou um revólver. Ele meio que comandava a ação. Ele falou: ‘deita na cama, isso aqui é um assalto’. Falou para o outro me amarrar”, lembrou a vítima.

O dono do apartamento teve suas mãos e pés amarrados e sua boca tampada com uma fita isolante. “Eu achei que eles iam me matar asfixiado. No meu instinto, gritei”, contou.

Por conta dessa reação, o mais agressivo começou a dar socos no rosto da vítima e tampou o nariz dele. “Eles falavam: ‘quem sabe a gente apaga esse cara’. Não desmaiei, parei de reagir e não falei mais nada”, disse.

Além das agressões físicas, a vítima conta que também sofreu agressões homofóbicas, principalmente do homem que parecia estar mais agitado. Enquanto isso, o homem mais tranquilo dizia que não queria machucar o jovem, apenas roubar o objetos.

Foi então que os criminosos pegaram notas de dinheiro que estavam guardadas no guarda-roupa e também roubaram dinheiro da conta bancária do jovem via PIX.

A vítima disse que a dupla conversava a respeito de como sair do apartamento e deixar o jovem de uma forma que ele se libertasse. “Eles conversavam entre eles: ‘será que esse cara não vai morrer aqui? Ele sangrou demais’. O último ato deles antes de irem embora foi deixar uma tesoura na minha mão esquerda. Dois ou três minutos depois, eles apagaram todas luzes e foram embora com a minha chave. Eu consegui cortar a corda que ligava meus pés às minhas mãos”, contou.

Depois de se libertar, o jovem saiu do apartamento e pediu socorro aos vizinhos que chamaram a polícia e uma ambulância. Como o atendimento demorou, ele foi junto com um amigo para o Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre.

No outro dia, ele registrou o caso na Polícia Civil. Com isso, o homem fez exames médicos e teve a sua casa periciada.

Investigação

G1

Embora não tenham outros registros de crimes parecidos em Porto Alegre, a polícia suspeita que possam existir mais vítimas desse golpe. “Há uma série de elementos que me levam a crer que possa haver outras vítimas e que elas não tenham registrado boletim de ocorrência por vergonha”, afirmou a delegada Andréa Mattos.

Um vídeo de uma câmera de segurança mostra a dupla chegando à casa do jovem onde o crime aconteceu. Contudo, os suspeitos estavam usando máscara e boné, o que dificulta a identificação deles.

Agora, a polícia procura saber se eles foram até a casa da vítima de carro de aplicativo ou se existia uma terceira pessoa envolvida na ação.

Fonte: G1

Imagens: G1, Guia gay São Paulo

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