Pequim enfrenta a maior tempestade de areia da década
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Pequim enfrenta a maior tempestade de areia da década

Nesta segunda-feira, 15/03, Pequim, a capital da República Popular da China, foi dominada por uma tempestade de areia. De acordo com especialistas, a tempestade de areia, que originou-se no Deserto de Gobi, foi a maior dos últimos 10 anos. O fenômeno, além de ter provocado o cancelamento de 350 voos com decolagem prevista na capital chinesa, agravou ainda mais a poluição.

Para se proteger tanto da poeira quanto da areia, os residentes locais, ao saírem de casa, tiveram que recorrer ao uso de óculos, máscaras e outros adornos. Mesmo sendo um fenômeno comum, os moradores, há anos, não observavam o céu tão carregado.

O governo da cidade ordenou que as escolas cancelassem todas as atividades e aconselhou todos a permanecer em casa. De acordo com as agências meteorológicas chinesas, antes de chegar em Pequim, a tempestade de areia varreu o norte da China. Segundo os meios de comunicação internacionais, na Mongólia, seis pessoas morreram e, até o momento, 81 foram declaradas desaparecidas.

Tempestade de areia

A Bloomberg relatou que Pequim emitiu recentemente um alerta sobre o nível de poluição presente no ar. Sob o céu pesado, que cobriu prédios e marcos históricos, os residentes, além de lutarem contra a tempestade de areia, seguem batalhando contra os altos níveis de poluição. “Tenho a sensação de que cada respiração vai causar problemas pulmonares”, declarou Zhang Yunya, moradora da capital chinesa, à Agence France-Presse.

Por ter sido a pior tempestade de areia de todos os tempos, o governo local retomou a ideia de reconstruir uma barreira natural para impedir que tais fenômenos assumissem novamente a capital. A barreira, conforme expôs uma reportagem publicada pela CBS News, será construída com árvores – um estudo publicado na revista Nature Sustainability revelou que cerca de dois milhões de quilômetros quadrados de vegetação foram adicionados à superfície da terra desde 2000, um quarto foi responsabilidade China.

Mesmo dedicando-se ao reflorestamento, o impacto desses cinturões verdes bate de frente com a desertificação prevalecente no noroeste do país, que, com a falta de chuva ou neve, torna o ambiente ainda mais favorável para a proliferação das tempestades de areias.

“Sem chuva, as barreiras de proteção verde não serão muito eficazes”, revela Pan Xiaochuan, especialista em saúde ambiental.

Cenário apocalíptico

As tempestades de areia que atingem Pequim anualmente são resultado de condições climáticas extremas e da desertificação. A cor amarelada que envolveu a cidade se deu por conta da areia e da poluição do ar, ocasionada pelas intensas atividades industriais, as quais baseiam-se na produção de aço, cimento e alumínio.

Diante destas condições, muitas pessoas acabaram recordando as antigas tempestades de outras décadas. “Lembro que as tempestades de areia de mais de 10 anos atrás acabavam após uma hora, mas temo que esta não acabe até o fim do dia”, disse Xiaochuan.

“Esta tempestade de areia vermelho-alaranjada faz com que pareça o fim do mundo”, disse um usuário do Weibo.

Atualmente, por conta da indústria e de outros setores, as taxas de poluição na cidade atingiram níveis “perigosos”. De acordo com o site de monitoramento da qualidade do ar Aqicn, “no início da manhã, o nível de partículas PM10 era quase 20 vezes maior que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O nível das partículas PM2,5, ainda mais nociva, chegou a 560, um nível poucas vezes registrado nos últimos anos em Pequim”.