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Por que o deserto do Saara fica tão frio à noite?

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Se você pensa em realizar uma travessia ao longo do Deserto do Saara, no Norte da África, será preciso levar água e um bom protetor solar. Agora, se você planeja realizar o mesmo trajeto durante a noite, é melhor levar um saco de dormir confortável, quentinho e roupas de frio.

Isso porque, de acordo com a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), as temperaturas no Saara podem despencam assim que o sol se põe, de uma média máxima de 100 graus Fahrenheit (38 graus Celsius) durante o dia para uma média mínima de 25 graus Fahrenheit (menos 4 graus Celsius) durante a noite.

Mas, afinal, por que essa mudança dramática de temperatura acontece nos desertos áridos como, por exemplo, o Saara? E como os animais e plantas destes ambientes lidam com esses extremos?

Temperaturas bruscas no deserto

A razão pela qual desertos áridos – regiões que quais cobrem cerca de 35% da terra do planeta – ficam tão quentes e, subsequentemente, tão frios, é uma combinação de dois fatores: areia e umidade.

De acordo com um relatório de 2008, elaborado pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em Pasadena, Califórnia, quando a luz do sol atinge um deserto arenoso, os grãos de areia, que sobrepõem a camada superior do deserto, absorvem uma certa quantidade de calor para, em seguida, liberá-lo.

Durante o dia, esse processo superaquece o ar e faz com que as temperaturas aumentem. Mas, à noite, a maior parte do calor da areia irradia-se rapidamente e, como não há luz solar para aquecê-la, o ambiente se torna extremamente frio.

A principal razão para essa mudança brusca de temperatura envolve o fato do ar do deserto ser extremamente seco. Em desertos áridos, como o Saara e o Deserto de Atacama, no Chile, a umidade – a quantidade de vapor d’água no ar – é praticamente zero e, ao contrário da areia, as moléculas de água tem uma grande capacidade de armazenar calor.

O vapor de água presente no ar retém o calor perto do solo como uma espécie de cobertor gigante e impede que se dissipa na atmosfera – segundo o World Atlas. Devido a alta umidade, o ar também requer mais energia para aquecer, o que significa que leva mais tempo para essa energia se dissipar e para o ambiente ao redor esfriar.

Portanto, a falta de umidade nos desertos permite que esses lugares áridos aqueçam rapidamente, mas também esfriem na mesma velocidade.

Luta pela sobrevivência

Apesar dessas rápidas oscilações de temperatura, os animais que habitam o deserto são adaptados às mudanças extremas de temperatura. “Tende a ser um problema relativamente pequeno para eles”, disse Dale DeNardo, fisiologista ambiental da Arizona State University que se especializou em animais do deserto. “O maior desafio é conseguir comida e água suficientes para sobreviver”.

Os répteis são os que estão mais bem adaptados às variações extremas de temperatura, pois são animais de sangue frio, ou ectotérmicos, o que significa que não precisam investir energia para manter uma temperatura corporal constante. Por isso, os répteis utilizam essa energia na caça.

Além disso, muitos répteis também se beneficiam das extremas mudanças de temperaturas por serem pequenos, o que permite que eles encontrem zonas sombreadas durante o dia ou rochas mais quentes à noite.

“Há muitos lugares diferentes para usufruir, especialmente quando os animais são de pequeno porte”, disse DeNardo.

Em contrapartida, mamíferos de sangue quente, ou endotérmicos, como, por exemplo, os camelos, são grandes demais para se esconderem do sol e não podem deixar a temperatura corporal cair. Em vez disso, os camelos sobrevivem mantendo uma temperatura corporal constante, seja em condições quentes ou frias, graças aos pêlos grossos,que os impede de sentir muito calor durante o dia e frio durante à noite.

Em contraste, os pássaros do deserto abusam de um método chamado de resfriamento evaporativo – o qual a água os ajudam a transferir o calor para longe de seus corpos, bem como os humanos, quando suam, e os cães, quando ofegam – por meio de uma variedade de métodos diferentes – alguns abutres urinam nas pernas para se refrescar.

As plantas, por outro lado, são mais vulneráveis. “As plantas enfrentam um desafio muito maior porque não conseguem se mover”, disse DeNardo. “É por isso que as icônicas plantas do deserto, como os cactos, desenvolveram uma série de defesas, como espinhos e toxinas, para proteger sua preciosa água dos predadores”.

Infelizmente, as temperaturas durante à noite podem ser fatais para as plantas porque a água congela e se expande dentro de seus tecidos, o que pode causar danos irreversíveis. Portanto, as plantas crescem apenas em áreas onde a temperatura do ar não cai abaixo de zero por mais de algumas horas por noite, conhecido como freezeline.

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