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Besta louca, que viveu entre os dinossauros, quebrou as regras da evolução

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Oficialmente chamado de Adalatherium hui, que literalmente se traduz do malgaxe, a língua nacional de Madagascar, e do grego como “besta louca”, o mamífero, descoberto no início deste ano e anunciado na revista Nature, viveu com os dinossauros há aproximadamente 66 milhões de anos.

Mesmo tendo sido descoberto no início de 2020, o tratamento monográfico sobre a besta louca, que abrange de 234 páginas retratando a história evolutiva e as principais características da criatura, foi publicado apenas agora.

O tratamento, que consiste em sete capítulos, faz parte da série de memórias da Society of Vertebrate Paleontology (SVP), que publica estudos mais aprofundados dos fósseis de vertebrados mais significativos.

Escrito por uma equipe de 14 pesquisadores, o documento compara a estatura do mamífero com a de um gambá. De acordo com pesquisadores da Stony Brook University, nos Estados Unidos, o esqueleto da besta que foi encontrado no hemisfério sul, no início deste ano é o mais completo em relação aos de outros animais que já foram descobertos.

Para os pesquisadores, o animal também é surpreendentemente grande, comparado aos mamíferos de sua época, pois a academia acredita que a maioria eram do tamanho de camundongos. Além disso, há indícios de que a besta louca criava túneis sob a terra para buscar alimento e evitar os dinossauros.

De todas as características que englobam o animal, as mais surpreendentes envolvem sua estrutura óssea. Sua coluna, por exemplo, contém mais vértebras do que a maioria dos outros mamíferos e seus membros traseiros, relativamente musculosos, eram dispostos em ângulos semelhantes aos crocodilos.

Outras características da besta louca

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Segundo os pesquisadores, a besta louca também possuía uma estranha lacuna nos ossos, que ficavam entre o topo do focinho e os dentes da frente. A pontual característica foi comparada com a estrutura mandibular de um coelho.

“Sua mandíbula era incrível, completamente diferente das de qualquer outro mamífero conhecido, seja vivo ou extinto”, aponta o documento.

“Sabendo o que sabemos sobre a anatomia esquelética de todos os mamíferos – vivos e extintos – é difícil imaginar que um mamífero como o Adalatherium pudesse ter evoluído. O animal, de acordo com nossos estudos, quebra inúmeras regras em relação a pontos específicos sobre a evoluçao”, disse o pesquisador David Krause.

Para os cientistas, se o esqueleto da criatura não estivesse tão completo, inúmeros mistérios não poderiam ter sido revelados durante o estudo e, com isso, uma gama de perguntas permaneceriam sem respostas.

O esqueleto da besta louca foi encontrado em meio às rochas de Madagascar. Análises mostram que os fósseis datam de 66 milhões de anos atrás, ou seja, final do período Cretáceo, que corresponde ao terceiro e último período da Era Mesozoica, que durou de 135 a 65 milhões de anos.

Nessa época, Madagascar já havia se separado da África. O rompimento do continente – uma das principais características que marca o período cretáceo, além da proliferação de espécies de animais e vegetais – ocorreu há mais de 150 milhões de anos e o do subcontinente indiano há mais de 20 milhões de anos.

“Com a separação, houve bastante tempo para o Adalatherium desenvolver de forma isolada características extraordinariamente peculiares”, relatou Krause.

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