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Capacitismo? Globo escala Sophie Charlotte como deficiente visual

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Sophie Charlotte foi escolhida para interpretar uma deficiente visual na nova trama de João Emanuel Cristo, “Todas as Flores”, uma novela original Globoplay que estreia no dia 17 de outubro no streaming da Globo. Assim sendo, o fato de a atriz enxergar na vida real e interpretar uma personagem cega abre o debate sobre a falta de representatividade PcD na televisão e capacitismo. Vale destacar que, no dia 21 de setembro, comemorou-se o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

O Brasil ainda precisa caminhar muito para ser considerado um país que celebra a diversidade de fato, mas avançou na presença de pessoas negras em produções audivisuais e nas abordagens multiculturais. No entanto, o mesmo não pode ser dito sobre atores e atrizes PcD. Desse modo, existe até um termo para se referir à prática de personagens com deficiências sendo interpretados por atores sem deficiência: cripface.

Embora seja importante que uma personagem com deficiência visual ganhe protagonismo nas telinhas, é fundamental também que continue a luta contra o capacitismo. Isso porque, ao escalar uma atriz sem deficiência, levanta a pergunta: por que PcDs não estão mais presentes em todos os papéis de destaque? Principalmente considerando que pelo menos um quarto da população brasileira tem alguma deficiência, de acordo com o IBGE.

A situação merece debate, ainda mais que, recentemente, a própria TV Globo demonstrou esforço para promover pessoas com deficiência em suas novelas. Em 2017, Juliana Caldas teve um papel de destaque em “O Outro Lado do Paraíso”, de Walcyr Carrasco.

A atriz, que tem nanismo, falou em entrevista ao GShow sobre a importância de tratar do assunto em pleno horário nobre da televisão brasileira. “Estou muito feliz e esperançosa para que a novela dê visibilidade e respeito às pessoas com nanismo e com algum tipo de deficiência”, disse na época.

Reprodução

No entanto, Juliana Caldas não recebeu mais oportunidades para atuar na telinha depois de seu trabalho em “O Outro Lado do Paraíso”.

Falta de representatividade

Assim sendo, Juliana Caldas veio a público falar sobre o assunto, criticando a falta de sensibilidade das emissoras e o estigma que envolvem uma pessoa com deficiência. “Estudei para interpretar qualquer personagem. As pessoas têm todo o direito de não gostar do meu trabalho, mas acho que precisam separar o nanismo do meu talento”, declarou.

Não precisa fazer uma pesquisa extensa para perceber que, na dramaturgia brasileira, a ausência de representatividade ou até o capacitismo ainda são bastante comuns. Nana Datto, comunicóloga do Rio de Janeiro, realizou uma pesquisa sobre como as pessoas com deficiência são retratadas nas novelas das nove.

A pesquisa conclui o que já é de se esperar: nenhum PcD foi escalado no papel de uma novela das nove no Brasil. Além disso, somente quatro novelas incluíram pessoas com deficiência em seus elencos, isso nos últimos 20 anos.

As novelas foram “Páginas da Vida”, “América”, “Viver a Vida” e “O Outro Lado do Paraíso”. Porém, ainda de acordo com Nana Datto, apesar de incluir PcDs, os roteiros ainda possuem toques de capacitismo e outros estereótipos.

“Dessas quatro novelas com representação de pessoas com deficiência, apenas duas [“Páginas da Vida e “O Outro Lado do Paraíso”] tinham atrizes PcDs representando as personagens”, explica Nana Datto em entrevista ao site Jornalista Inclusivo.

A jornalista ainda aponta o problema de representatividade que se destaca agora na novela estrelada por Sophie Charlotte. “Nas outras produções [“América” e “Viver a Vida”], as personagens PcDs foram representadas por atrizes sem deficiência”, pontua. Ela defende que esse tipo de representatividade é classificado como cripface, que é quando atrizes e atores sem deficiência interpretam PcDs.

Essa prática aparentemente inofensiva impacta diretamente nos postos de trabalho para atores e atrizes com deficiência, além de passar ao espectador uma mensagem capacitista, excluindo PcDs da dramaturgia.

Fonte: Hypeness

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