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Cheiro de bebê vicia como se fosse uma droga

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Já pegou um bebê e sentiu uma vontade incontrolável de sentir aquele característico cheiro? Ou então questionou se esse cheiro realmente existe? Saiba que a ciência explica tudo isso e mais. Primeiramente, é importante saber que o cheiro de bebê existe e cientistas da Universidade de Montreal tiveram o objetivo de entender a função do aroma característico.

Assim sendo, os pesquisadores canadenses pediram para 30 voluntárias cheirarem aromas de bebês desconhecidos. Depois, eles escanearam e analisaram cérebros desses voluntários. O que descobriram é que sentir o aroma turbinou a produção de dopamina, mesmo neurotransmissor ativado pelo uso de drogas. Portanto, chegaram à conclusão de que é possível viciar em cheiro de bebê, quimicamente.

Proteção

O autor do estudo, Johan Lundström, acredita que o cérebro das mulheres é feito para promover um incentivo às novas mães. “Acreditamos que isto é parte um mecanismo para focar a atenção da mãe no bebê. Quando a mãe interage com o bebê, ela sente aquele cheirinho bom e se sente recompensada”, explica Johan Lundström.

Além disso, o estudo identificou que o cheiro do filho fortalece o vínculo entre ele e a mãe, que também se torna mais protetora. Quando compararam a atividade cerebral de mães com o de outras mulheres enquanto cheiravam pijamas de recém-nascidos, os pesquisadores identificaram que as áreas ativadas eram diferentes.

No primeiro grupo, a reação acontecia no centro de recompensa, como acontece depois que saciamos a fome. Como tal ligação tem o objetivo de reforçar comportamentos essenciais para a nossa sobrevivência, como é o caso da alimentação, os pesquisadores concluíram que o cheiro de bebê desperta na mãe o instinto de proteção.

O psicobiólogo Ricardo Monezi, especialista em medicina do comportamento da Unifesp, não se surpreende com o resultado. “Ao longo de nove meses, enquanto a criança é gestada, o organismo da mãe também é programado para se vincular ao bebê, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico”, afirma.

Isso se reflete no aspecto social, ou seja, na relação entre mãe e filho que se constrói após o nascimento. Sendo assim, o olfato é tão importante para a formação do vínculo que, segundo Monezi, ambos reconhecem o cheiro um do outro, o que é comprovado cientificamente.

“A habilidade é necessária para que ela saiba quem é o filho e onde ele está, assim como se ele está bem, visto que algumas doenças alteram o suor e o hálito, por exemplo, interferindo no odor”, explica o psicobiólogo. Portanto, não é por acaso que o hábito de cheirar os filhotes esteja presente em outros mamíferos, como os cães e os gatos.

Cheiro de bebê

Foto: Getty Images/ BBC

No entanto, não se sabe exatamente o que causa o cheiro de bebê. Provavelmente, como qualquer outro odor corporal, são diversos fatores. “Odores são compostos químicos, mas é difícil estabelecer quais. Para se ter uma ideia no odor natural do corpo temos cerca de 120 a 130 compostos químicos de variam de cada indivíduo”, observa Johan Lundström.

Olfato

A pandemia do coronavírus afetou o olfato de milhões de pessoas, sendo que perder o sentido ou ter ele alterado é um dos sintomas e consequências da contaminação pelo vírus. “Não poder sentir aromas deixou muita gente abalada. Até porque não sabíamos — e ainda não sabemos, na verdade — os efeitos dessas perdas a médio e longo prazo”, afirma o cientista Harold McGee.

Ele começou a escrever o livro Nose Dive – A Field Guide to the World’s Smells (ainda sem edição em português) após 3 anos, mas que só veio a ser publicado uma década depois. “Há poucas referências bibliográficas sobre o tema. Para ir mais profundamente, precisei pesquisar muito”, explica.

Incrivelmente, o olfato, para muitos, é o sentido mais importante que temos quando consideramos as emoções. “Quando respiramos — algo que temos que fazer muitas vezes por minuto — estamos absorvendo as moléculas do mundo ao nosso redor. Poucos sentidos são mais íntimos que esse”, afirma o pesquisador.

Além da interação com o mundo, o olfato é responsável por despertar memórias emocionais, segundo um estudo da Universidade de Utrecht, na Holanda. “Não à toa, durante a nossa infância, quando experimentamos, por exemplo, o cheiro de comida sendo preparada pela nossa mãe, que é uma pessoa determinante para nossa existência, nosso cérebro registra este momento e esse cheiro vai estar sempre associado com conforto e cuidado, com amor e segurança”, explica McGee.

Isso vale de forma inversa também, se um cheiro for relacionado a uma experiência assustadora. “Nosso cérebro está constantemente percebendo o que se passa no mundo ao nosso redor, interpretando e fazendo associações com base nas experiências que acumulamos. O olfato é um importante aliado para nossa mente organizá-las”, detalha.

Fonte: Superinteressante

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