Quando pensamos em cores opostas, logo imaginamos branco e preto. Mas e se essas cores pudessem ser intensificadas? O Vantablack é considerada a tonalidade mais escura já vista até hoje. Ela absorve praticamente toda a luz ao seu redor, apenas 0,035% da luz visual escapa.

E os cientistas criaram uma tinta super branca, que é o yin do yang do Vantablack. Os materiais ultra pretos conseguem absorver mais de 99,96% da luz solar. Já esse novo super branco é capaz de refletir 95,5% de todos os fótons que o atingem.

Os objetos pintados com esse novo material, ao invés de aquecer sob a luz direta, conseguem ficar mais frios do que a temperatura à  sua volta mesmo estando embaixo do sol. Isso poderia ser uma nova forma eficiente de controlar a temperatura dentro de prédios.

Atualmente, as outras tintas de rejeição de calor conseguem refletir somente de 80 a 90% da luz do sol e não conseguem atingir temperaturas menores do que à ambiente.

"É uma tarefa persistente desenvolver uma solução de resfriamento radiativo abaixo do ambiente que ofereça uma forma conveniente de tinta de matriz de partícula de camada única e alta confiabilidade. Isso é fundamental para a ampla aplicação de resfriamento radiativo e para aliviar o efeito do aquecimento global", disse o engenheiro mecânico Xiulin Ruan da Purdue University, em Indiana.

No verão, quando as temperaturas estão altas, os prédios tem unidades de ar condicionado que enviam calor de dentro para fora. Isso junto com o excesso de calor que é erado por toda energia necessária para conseguir resfriar o lugar ajudam a transformar as cidades em ilhas de calor. Além de agravar o aquecimento global.

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No entanto, o resfriamento radiativo é uma tecnologia passiva que reflete o calor de um prédio para o espaço. Entretanto, é muito mais difícil de conseguir do que o aquecimento radiante.

Tinta

Os cientistas tentam descobrir, desde a década de 1970, como refletir luz solar o suficiente para que o resfriamento passivo seja mais eficiente do que um ar condicionado ligado.

Alguns até tentaram montar recentemente painéis solares reversos que conseguiam capturar parte do calor que sai e transformá-lo em energia mesmo durante à noite.

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No entanto, eles são apenas conceitos. E não está claro como esses painéis poderiam funcionar realmente fora de uma simples simulação. Mas pintar os prédios residenciais e comerciais com o super branco pode ser uma abordagem mais viável. Pelo menos em um futuro próximo.

Essa nova tinta foi feita com cargas de carbonato de cálcio de alta concentração de partículas e ampla gama de tamanhos. Eles podem espalhar com eficiência todos os comprimentos de onda do espectro solar.

Além disso, a matriz dessa tinta também tem um pico de ressonância vibracional, que garante que uma quantidade grande de calor seja refletida para fora. Ela faz isso com uma taxa muito maior do que as outras tintas de resfriamento conseguem atingir.

Usos

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Os pesquisadores fizeram testes de campo durante dois dias em lugares diferentes e com várias condições climáticas. Eles colocaram em teste  as habilidades de resfriamento radiativo da tinta. E descobriram que ela conseguia espalhar 95,5% da luz solar ficando 10º Celsius abaixo da temperatura ambiente à noite. E, pelo menos, 1,7º C, ao meio-dia.

“Nossa tinta é compatível com o processo de fabricação de tintas comerciais e o custo pode ser comparável ou até menor. O segredo é garantir a confiabilidade da tinta para que seja viável em aplicações externas de longo prazo", disse Ruan.

A criação de uma tinta de camada única que conseguisse refletir o calor diretamente para o espaço sem precisar de uma entrada de energia seria realmente uma vitória grande para a crise climática. Até porque o resfriamento é geralmente alimentado por combustíveis fósseis e isso gera um grande impacto no aquecimento global.

Essa nova tinta super branca ainda tem mais alguns testes. Mas as suas patentes já foram depositadas e seu nome ainda não foi divulgado.

Publicado em: 27/10/20 14h43