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Como a ‘ilusão do precipício criativo’ limita o surgimento de novas ideias

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Independente da área em que você atua, quer você seja do mundo do cinema, da publicidade ou de criação de softwares, depois que conseguimos realizar um brainstorm inicialmente impecável, alimentar novas ideias é cada vez mais difícil. No ato da criação, empenhar uma energia adicional para elaborar algo novo, em um determinado momento, parece uma atitude em vão. Depois de tentar e tentar, e não obter o resultado que desejamos, encerramos a árdua tarefa. Colocamos um fim no processo abraçando, aceitando as primeiras ideias, como se fossem a solução mais plausível.

Nesse ínterim, é comum acreditar que a criatividade se exaure com o tempo e que, por isso, nossas primeiras ideias são as melhores. No entanto, de acordo com uma nova pesquisa de da Universidade Cornell, realizada por Brian Lucas, professor de comportamento organizacional, quando pensamos assim, estamos sendo vítimas de um fenômeno conhecido como “ilusão do precipício criativo”.

“As melhores ideias vêm para aqueles que as esperam. Quando aprendemos a exercer um pouco de paciência e perseverança, todos podemos encontrar soluções mais inovadoras para os nossos problemas”, revela Lucas.

O princípio da acessibilidade

A teoria de Lucas finda-se com base na forma como as ideias são formadas. Para resolvermos qualquer tipo de problema, inicialmente, sempre vem à mente uma série de soluções, as quais, muitas vezes, parecem ser óbvias. Nesse processo, as ideias iniciais se mostram incrivelmente satisfatórias, mas uma vez decidimos eliminar essas possibilidades, novas soluções começam a surgir, mas de forma lenta. E quando surgem, exigem um maior esforço para serem desenvolvidas.

O problema aqui é que temos que trabalhar de forma árdua. Ao empenharmos esforços para desenvolver uma ideia, acabamos voltando para o princípio, onde as ideias iniciais, que surgiram de forma rápida, se mostram mais valiosas. Assim, combatemos um sentimento de frustração que não existe e evitamos a sensação de que a criatividade estava perdendo sua essência.

Essa falsa crença elimina a possibilidade de vivenciarmos algo maior, de desenvolvermos uma ideia mais qualitativa, pois se desenvolvemos melhor um pensamento, a originalidade pode, sim, se fazer presente de uma forma mais concisa.

“É o princípio básico da acessibilidade: a primeira coisa que você considera provavelmente é o que todo mundo está considerando, o que significa que não são novidades”, diz Lucas. “Então, você tem que superar isso para chegar às coisas que são um pouco mais exclusivas”.

Falsas crenças

Lucas colocou a teoria à prova em uma série de experimentos. Alguns, por exemplo, colocaram participantes diante da necessidade de criar estratégias para aumentar as doações para uma instituição de caridade local. Durante a atividade em questão, o pesquisador notou que a maioria dos participantes acreditavam que a criatividade diminuía ao longo do processo.

Outros experimentos convidavam os participantes a relatarem os momentos criativos que viveram em um período de cinco anos. Nestes, Lucas percebeu o quão as pessoas eram vítimas da suscetibilidade, um dos principais fatores que demonstram a existência da ilusão do precipício criativo.

Em seu experimento final, o pesquisador investigou se as pessoas que abraçaram as primeiras ideias de um ato criativo tomam tal decisão para não abandonar o brainstorming antes de chegarem às suas melhores ideias. Nesta fase, Lucas percebeu que a maioria dos participantes acreditam que as primeiras ideias são realmente as melhores. Aqueles que não demonstraram abraçar as primeiras ideias, disseram que preferem recorrer a mais iterações e mais recursos, para, assim, desenvolver algo novo.

“Essas pessoas, normalmente, adotam projetos de longo prazo, dividindo-os em sub-objetivos e tarefas”, diz o pesquisador. Para Wilma Koutstaal, professora de psicologia da Universidade de Minnesota, Minneapolis, Estados Unidos, reconhecer a ilusão do precipício criativo é o caminho mais fácil para qualquer pessoa que queira criar algo inovador. “Uma das coisas que tento ensinar aos meus alunos é que precisamos ser pacientes com nossos próprios processos criativos e, assim, dar tempo para que as ideias surjam”.

Como mostra a pesquisa de Lucas, muitos presumem que as ideias inovadoras vem com facilidade e são “divertidas” de serem executadas. No entanto, na verdade, não é bem assim. O processo criativo muda quando superamos o sentimento de frustração que a ideia de desenvolver uma ideia de forma mais cabível pode ocasionar. Só assim podemos criar um trabalho que seja verdadeiramente novo.

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