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Como a restrição do uso médico de cannabis pode afetar os pacientes

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A cannabis tem sido usada durante muito tempo como uma erva medicinal, principalmente com função de analgésico. No entanto, ela tem seu uso proibido em alguns países, já que também é utilizada como instrumento de fumo. Mas o seu lado medicinal é inegável.

O Brasil parecia estar indo na direção certa com relação ao uso da cannabis para o uso medicinal, já que alguns medicamentos estavam sendo aprovados pela Anvisa e, em casos específicos, os pacientes ou suas famílias tinham permissão para cultivar a planta para fins medicinais.

Entretanto, na última sexta-feira, a nova resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) publicada no Diário Oficial limita o uso médico da cannabis. Segundo a nova norma, a maconha só poderá ser usada no tratamento de epilepsia refratária em crianças e adolescentes com síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut ou complexo de esclerose tuberosa. Além disso, só poder ser usado o canabidiol, o CBD, que é um dos 500 compostos da planta.

A norma também veda a prescrição de “quaisquer outros derivados” da maconha, e a indicação para uso terapêutico só poderá acontecer em estudos clínicos. Além disso, médicos também não podem ministrar cursos e palestras sobre o tema. A participação dos profissionais fica restrita ao ambiente científico e somente em congressos vinculados à Associação Médica Brasileira (AMB).

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Claro que essa resolução gerou um grande incômodo e retrocesso na área. Tanto que médicos estão suspendendo consultas, atendimentos, cursos e palestras. E pacientes que precisam da cannabis temem que seus tratamentos sejam interrompidos.

Os profissionais do setor falam em censura e veem essa resolução como um salto gigantesco para trás. Na visão de especialistas, essa nova orientação representa um retrocesso grave que coloca nosso país na contramão das evidências científicas mundiais.

“Existem mais de 30 condições médicas com estudos em curso e tratamentos efetivos, como no caso da doença de Parkinson, dores crônicas e distúrbios do sono”, disse Maria Eugênia Riscala, CEO da Kaya Mind, empresa de consultoria sobre cannabis.

Na visão dela, um dos pontos mais críticos dessa nova resolução é a falta de clareza do que acontecerá com os pacientes que já estão fazendo o uso e tendo resultados positivos com esses produtos. “Estimamos que por volta de 160 mil pessoas façam o tratamento com produtos à base de Cannabis hoje no Brasil”, pontuou ela.

Contudo, ela explica que o impacto maior será porque também afetará quem viria a usar esses medicamentos nos próximos anos. A projeção feita pela Kaya Mind é que 6,9 milhões de pacientes poderiam se beneficiar de tratamentos com cannabis medicinal. “O número de pacientes vem dobrando nos últimos anos”, informou Riscala.

Tratamento interrompido

Sports life

Uma dessas pessoas que faz o uso da cannabis medicinal é a filha de Patrícia Boscatto, de 47 anos, Isadora, de 13. A menina usa a medicação desde 2019 por conta do comportamento agressivo. Isadora tem síndrome de Down, TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), TOD (transtorno opositor desafiador), autismo e fissura labiopalatina, que é a má formação dos lábios e da região do céu da boca.

“Por causa da dificuldade em se comunicar, ela se expressava com o corpo, batendo”, explicou a mãe. A mãe estudou vários tratamentos e a filha chegou a tomar seis tipos de remédios ao mesmo tempo, mas todos sem sucesso.

Boscatto chegou até a Cannabis medicinal por indicação de uma amiga. Depois de quatro meses de uso, os resultados no comportamento de Isadora começaram a aparecer. “Ela começou a falar melhor, a se concentrar mais, melhorou a participação nas atividades na escola, passou a interagir melhor com professores e colegas”, contou a mãe.

Proibição desumana

Cognys

Na visão do neurocirurgião Pedro Pierro, um dos primeiros prescritores de Cannabis medicinal do Brasil, a resolução é desumana. “Restringe somente o uso para o canabidiol, mas e os pacientes com câncer que usam THC, uma outra substância presente na planta, para controle dos efeitos adversos dos quimioterápicos? Como explicar que o tratamento deles será interrompido?”, disse ele.

O médico aponta que o descompasso da resolução com autorizações da Anvisa com relação ao uso de cannabis gera uma insegurança desnecessária entre médicos e pacientes.

Ele também critica a proibição dos médicos em dar cursos e palestras. De acordo com o neurocirurgião, impedir a educação é obscurantismo científico. “Não é apenas proibir, mas apagar a luz para a ciência”, finalizou.

Fonte: UOL

Imagens: Olhar digital, Sport life, Cognys

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