Como era a mulher mais bonita da Idade Média?

Em 1957, um grupo de operários que trabalhavam na impermeabilização da abóbada de uma cripta medieval em Whithorn, na Escócia, encontrou três caixões de pedra. Dentro deles, estavam enterradas três pessoas: dois homens e uma mulher, que pode ter sido considerada a mais bonita da Idade Média.

Os trabalhadores também encontraram alguns adereços que apontaram de quem seriam aqueles corpos.

Mais de 60 anos depois, especialistas utilizaram a tecnologia 3D para dar vida aos rostos dos indivíduos que estavam nos caixões. O resultado é impressionante.

A reconstituição do rosto da mulher

Foto: Christopher Rynn/ Universidade de Bradford/ Divulgação

O trabalho foi realizado por meio do projeto de pesquisa Cold Case Whithorn, desenvolvido no sítio arqueológico de Whithorn. O local era habitado pela mais antiga comunidade cristã já identificada na Escócia, e teria existido por aproximadamente 1.600 anos.

O projeto tem como meta trazer mais informações sobre como era esse período da história. “É sempre um desafio imaginar como era realmente a vida nos tempos medievais. Essas reconstruções são uma maneira brilhante de se envolver com quem essas pessoas do nosso passado realmente eram, de suas vidas cotidianas, suas esperanças e suas crenças”, disse à BBC Julia Muir Watt, gerente de desenvolvimento do projeto.

Os pesquisadores informaram que já conseguiram digitalizar e reconstituir o rosto destas três pessoas: um bispo, uma jovem mulher e um clérigo com lábio leporino e fenda palatina.

Essas pessoas teriam vivido no condado de Wigtownshire entre os séculos XII e XIV, e foram enterradas na região de Dumfries e Galloway, na Escócia.

Os rostos identificados

Foto: Christopher Rynn/ Universidade de Bradford/Divulgação

Com os métodos usados (que envolvem datação por radiocarbono, registros históricos e análise de isótopos estáveis), os pesquisadores conseguiram identificar a figura de um bispo chamado Walter, que teria presidido Whithorn entre 1209 e 1235.

O esqueleto de Walter apresentou sinais de obesidade e que ele possuía uma alimentação rica em peixe. De acordo com os cientistas, seus dentes confirmavam que ele cresceu em Galloway.

Junto ao corpo do religioso, estavam uma roupa e objetos de valor, como um anel de ouro incrustado de rubis e esmeraldas.

A mulher ainda não teve sua identidade descoberta. No entanto, os cientistas afirmaram que seu crânio revela uma jovem bonita, de rosto muito simétrico, e que teria morrido com aproximadamente 20 anos.

Devido aos objetos enterrados com ela, os pesquisadores apontam que ela pode ter feito parte da elite local.

Já o clérigo, que também não foi identificado, foi o indivíduo mais desafiador para fazer a reconstituição. De acordo com os pesquisadores, isso aconteceu por seu rosto ser assimétrico e apresentar uma fenda palatina.

Mesmo que ele tenha sido enterrado ao lado de membros da elite, os cientistas acreditam que o clérigo foi o mais pobre entre as três pessoas encontradas.

Técnicas usadas no estudo

Foto: Christopher Rynn/ Universidade de Bradford/ Divulgação

As técnicas utilizadas no estudo que identificaram o rosto da “mulher mais bonita da Idade Média” são consideradas inovadoras. Um pesquisador projetou imagem 3-D dos crânios. Logo em seguida, elas foram reconstruídas digitalmente para ficarem mais realistas.

“Isso envolve o uso de profundidades de tecidos moles faciais, musculatura esculpida individualmente para caber em cada crânio e métodos científicos de estimativa de cada característica facial, como olhos, nariz, boca e orelhas, a partir da morfologia do crânio”, explicou o antropólogo e artista forense Christoper Rynn, que trabalhou nesta parte do projeto.

Em relação às informações sobre a dieta e a saúde dos indivíduos encontrados, isso foi possível por meio da análise de isótopos estáveis dos corpos.

A arqueóloga Shirley Curtis-Summer descreveu qual a importância desses dados: “este projeto é de enorme importância, porque embora nunca possamos contar a história completa da vida desses povos medievais, podemos reconstruir sua dieta, mobilidade e agora seus rostos, o que nos permite mergulhar em seu passado e ficar cara a cara com eles”.

Fonte: Mega Curioso

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