Laranjas cortadas ao meio

Composto natural com aroma cítrico pode ter ação anti-inflamatória, indica estudo

Pesquisadores brasileiros identificaram que um composto natural presente em diversas plantas aromáticas pode apresentar potencial anti-inflamatório relevante. Esse composto é o citral, responsável pelo aroma cítrico característico de plantas como capim-limão e erva-cidreira.

Laranjas cortadas ao meio

Foto: Freepik/ Reprodução

O estudo foi conduzido por cientistas da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Durante a pesquisa, os especialistas analisaram diversos trabalhos científicos para entender melhor como o citral atua no organismo humano.

Além disso, os resultados foram publicados na revista científica Pharmacological Research Natural Products. Segundo os pesquisadores, o citral apresenta efeitos promissores em diferentes sistemas do corpo. Entretanto, a maior parte das evidências ainda vem de estudos experimentais ou pré-clínicos, o que indica a necessidade de novas pesquisas com seres humanos.

O que é o citral?

Primeiramente, o citral é um composto natural encontrado em vários óleos essenciais de plantas. Ele é formado por dois isômeros chamados geranial e neral, responsáveis pelo aroma semelhante ao limão.

Além disso, o composto aparece em diversas plantas conhecidas, como capim-limão, erva-cidreira e algumas variedades de frutas cítricas.

Por causa dessas características, a indústria utiliza o citral na produção de perfumes, alimentos, bebidas e produtos de higiene.

Como o composto atua no organismo

Além do aroma agradável, o citral despertou grande interesse da comunidade científica. Pesquisas recentes mostram que esse composto pode atuar em diferentes vias relacionadas à inflamação.

Por exemplo, o citral pode inibir a enzima COX-2, que participa da produção de prostaglandinas, moléculas que intensificam processos inflamatórios no organismo.

Além disso, o composto também interfere na atividade do NF-κB, um fator de transcrição que regula genes ligados à inflamação crônica. Quando essa via sofre redução, o organismo passa a produzir menos mediadores inflamatórios.

Outro ponto importante envolve a atuação do citral em receptores conhecidos como PPAR-α e PPAR-γ, que ajudam a regular metabolismo, estresse oxidativo e resposta inflamatória.

Possíveis aplicações futuras

Por esse motivo, cientistas investigam possíveis aplicações do citral em diferentes áreas da medicina. Estudos experimentais já apontam efeitos positivos em processos inflamatórios ligados ao sistema respiratório, gastrointestinal e neurológico.

Além disso, algumas pesquisas sugerem que o composto pode apresentar efeitos neuroprotetores, o que abre novas possibilidades para investigações científicas.

Entretanto, os especialistas reforçam que ainda são necessários estudos clínicos em humanos antes de qualquer aplicação terapêutica.

Assim, embora o citral apresente resultados promissores, os cientistas precisam confirmar sua eficácia e segurança em tratamentos médicos.

Fonte: USP

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