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Entenda as origens do conflito entre Palestina e Israel

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O conflito entre Palestina e Israel começou há muito tempo, embora tenha ganhado a mídia apenas nos últimos dias, por conta dos ataques inesperados do Hamas.

Mesmo assim, as raízes históricas surgiram no final do século XIX, não por motivos religiosos, mas devido à colonização promovida pelo movimento sionista.

O sionismo, sendo tanto uma doutrina quanto um projeto político e nacionalista, foi fundado por Theodor Herzl em 1896.

Embora inicialmente não tenha tido base religiosa, o movimento usou a religião como justificativa para a criação de um Estado judeu. Herzl considerou outros locais para a nação judaica, mas escolheu a Palestina devido à “poderosa lenda (religiosa)” a seu favor.

O movimento sionista desde então evoluiu para um projeto colonial, buscando gradualmente apropriação do território por meio de colônias, obtendo inicialmente o apoio do Império Otomano.

Posteriormente, teve apoio dos britânicos também, incluindo simpatizantes proeminentes como o banqueiro Lionel Walter Rothschild.

Via Revista Galileu

Primeiras guerras

Durante a Primeira Guerra Mundial, a França e a Grã-Bretanha, em busca de apoio árabe para derrotar os otomanos, aproveitaram o desejo de independência que permeava o Grande Despertar Árabe no Oriente Próximo e Médio.

No entanto, as promessas de independência feitas por essas potências desde o início estavam comprometidas. Isso porque, simultaneamente, dividiam os territórios do império otomano derrubado em diferentes áreas.

Os acordos secretos Sykes-Picot de 1916, revelados pelos bolcheviques após a queda do czar, delinearam planos reais, dividindo a região em zonas de influência francesa e britânica, resultando na divisão da “Grande Síria” entre França e Grã-Bretanha.

A situação tornou-se mais complexa na Palestina devido à colonização britânica e ao compromisso formal, expresso na Declaração Balfour de 1917, de apoiar a construção de “um lar nacional judeu na Palestina”.

Essa declaração incentivou ainda mais a colonização sionista, que já havia começado no final do século XIX. A própria natureza do sionismo como um movimento colonial adotou o modelo de “colonização branca”, buscando substituir a população indígena por colonos emigrantes.

Esse modelo envolveu a “transferência” de população, uma forma mais branda de falar de expulsão. Isso era parte dos planos elaborados pela liderança sionista e executados por suas forças militares, uma dinâmica que perdura até os dias atuais.

O mandato britânico e a partilha da Palestina

O domínio britânico sobre a Palestina começou em 1917, oficializado apenas em 1920. Essa ocupação provocou diversas crises na população palestina, que protestou contra o colonialismo britânico e seu respaldo à contínua e agressiva migração sionista.

Eventos como o levante de al-Buraq em 1929, os tumultos de 1933, a grande revolta árabe de 1936-39 e, por fim, a destruição da maior parte da Palestina histórica em 1948 evidenciam as tensões geradas.

Diante das pressões, os britânicos, entre 1946 e 1947, decidiram transferir a questão palestina para as Nações Unidas.

Esta decisão surgiu tanto pelas demandas sionistas com apoio dos EUA quanto pelo aumento do terrorismo judaico na Palestina, que começou a impactá-los diretamente.

Além disso, enfrentaram a crescente pressão árabe, que reivindicava seus direitos e a concretização das promessas feitas.

A Resolução 181 da ONU, aprovada em 29 de novembro de 1947, formalmente dividiu Palestina e Israel, gerando dois estados, um judeu e outro árabe, ignorando a composição populacional do país.

Essa divisão concedeu 55% do território ao Estado judeu, mesmo com a maioria da população sendo árabe e os judeus detendo menos de 6% das terras.

Ambos os grupos rejeitaram a proposta, os judeus por aspirar a mais território sem a presença árabe, e os árabes por se recusarem a compartilhar a terra com uma comunidade de colonos que buscava retirá-los.

Via Revista Galileu

A criação de Israel e a Nakba

Por fim, o ponto que explodiu entre Palestina e Israel foi a colonização que ocorreu com a criação unilateral do Estado de Israel em maio de 1948.

Isso resultou na transformação violenta do território e na expulsão de mais da metade da população palestina.

Este evento é cada vez mais reconhecido pelos pesquisadores como uma limpeza étnica. Afinal, entre 750.000 e 800.000 pessoas de diversas religiões, incluindo muçulmanos e cristãos, precisaram abandonar suas casas e terras.

O episódio recebe o nome árabe de al-Nakba, traduzido como “a catástrofe”, ou “o desastre”.

Suas propriedades, tanto pessoais quanto coletivas, foram expropriadas ou destruídas.

Os vilarejos, vilas e bairros das cidades habitados por essa população foram demolidos ou esvaziados de seus legítimos proprietários. Em seguida, foram ocupados pelos colonos recém-chegados.

A partir desse ponto, a sociedade palestina se dividiu permanentemente em três grupos distintos. Primeiro, aqueles que foram expulsos para países árabes vizinhos ou outras localidades. Segundo, os que permaneceram no Estado de Israel recém-criado (não considerados refugiados). Por fim, em terceiro, aqueles que se estabeleceram na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém, partes remanescentes.

Infelizmente, Palestina e Israel não se entenderam, e o povo não teve permissão para retornar às suas residências originais até os dias de hoje.

Com isso, a busca por recuperar o território parte de um grupo mais extremista, gerando os resultados que acompanhamos nessa última semana.

 

Fonte: Revista Galileu

Imagens: Revista Galileu, Revista Galileu

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