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Entenda como a China pode ter “descoberto” as Américas antes do que se imaginava

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A história mais popular sobre a “descoberta” das Américas é que tenha sido feita pela Europa, mais especificamente durante a expedição do navegador Cristóvão Colombo. No entanto, há quase duas décadas uma história alternativa aponta que a China chegou antes ao “novo” continente.

Ao contrário do consenso historiográfico, a nova versão aponta frotas encabeçadas por dois almirantes chineses, Zhou Man e Hong Bao, que haviam navegado da África até a foz do Rio Orenoco, na atual Venezuela, descendo a costa do continente até o Estreito de Magalhães, ao sul da América do Sul, no ano de 1421, 71 anos antes de Colombo.

Os navegadores eram orientados pelo grande navegador chinês daquela época: o eunuco muçulmano Zheng He. 

Atualmente, esses nomes estão sendo relembrados pela alta cúpula do governo chinês, para reafirmar as pretensões globais da potência asiática.

A descoberta das Américas pela China

Foto: Getty Images/ BBC

A descoberta chinesa ficou famosa com os dois best-sellers escritos pelo ex-comandante da Marinha britânica Gavin Menzies no começo dos anos 2000: “1421: o ano em que a China descobriu o mundo” e “Who Discovered America? The Untold History of the Peopling of the Americas” (“Quem descobriu a América? A história oculta da ocupação das Américas”, sem tradução oficial).

A tese é fortemente criticada por alguns historiadores e considerada por outros, que chegam a afirmar que a China conseguiria chegar às Américas antes de Colombo.

“Tecnologicamente falando, a China tinha condições de chegar às Américas ou outras terras, e até não podemos descartar que isso tenha acontecido. Muitos navegadores podem ter chegado nelas e morrido no regresso ou sequer ter feito registros das descobertas. No entanto, a questão é que a tecnologia sozinha não responde essa pergunta”, explica Rita Feodrippe, pesquisadora da Escola Naval de Guerra e estudiosa da marinha chinesa.

A estudiosa apontou que os europeus foram explorar o Atlântico porque o Mediterrâneo estava fechado e eles precisavam encontrar novos mercados. No entanto, a China tinha um comércio terrestre bem estabelecido com a África, e atual Oriente Médio, além da própria Europa. Por isso, não haveria necessidade de buscar novas rotas.

De acordo com Vitor Ido, pesquisador do South Centre, em Genebra, na Suíça, a reação à possibilidade de Colombo não ter sido o primeiro a navegar pelo continente americano muda a forma que muitas pessoas pensam sobre a história, saindo da narrativa da hegemonia europeia.

O livro de Gavin Menzies

Menzies apontava que no começo do século 15, por volta de 1403, o imperador chinês Yongle (terceiro da Dinastia Ming) deu a Zheng He a missão de fazer a maior volta ao redor do mundo. A meta era ir “até o fim do mundo coletar tributos dos bárbaros espalhados pelo mar”.

Ele seria o responsável por treinar os navegadores que sairiam pelos oceanos enquanto navios gigantes eram construídos pelo império. Nos anos seguintes, eles teriam feito seis viagens pelo planeta, encontrado povos e terras desconhecidas, inclusive as Américas. O trajeto só não contou com a Europa.

Essas navegações teriam continuado se, em 1424, Zhu Di não tivesse falecido, o que interrompeu o projeto e o contato com as outras civilizações. Após a morte do chinês, outras duas viagens aconteceram, mas não tiveram muito sucesso.

No livro, Menzies aponta que após a morte de Zhu Di, a maioria dos mapas chineses foram destruídos por oficiais do império, restando apenas os de viagens menores feitas à Índia e outras partes da Ásia.

O autor aponta que viagens mais longas, como as ilhas de Guadalupe e de Cuba, só podem ser acessadas através de reproduções, como as encontradas por ele que foram feitas pelo cartógrafo veneziano Zuane Pizzigano.

Apenas em 1512, o cartógrafo turco Piri Reis projetou o mapa-mundi incluindo as Américas e a Patagônia, o que de acordo com Menzies, só foi possível usando informações dos chineses.

No entanto, os livros de Menzie são questionados pela fragilidade da metodologia, que são validadas usando as suas experiências pessoais e por causa de incoerências, que vão das correntes de ventos e as coordenadas usadas pelos chineses.

Um mapa antigo mostrando as Américas

Foto: Domínio Público via Wikimedia Commons

Mesmo com as polêmicas, em 2006, um advogado chinês chamado Liu Gang afirmou à imprensa internacional que tinha encontrado um mapa que provava que os chineses tinham chegado às Américas antes de Colombo.

O mapa com os cinco continentes do planeta foi feito em 1763, mas com uma anotação no verso dizendo ser uma reprodução de outro mapa de 1418.

De acordo com Gang, após estudos de cartografia, feito em conjunto com outros especialistas, foi possível chegar a uma conclusão similar à de Menzie: “A informação contida no mapa pode mudar a história”, disse Gang.

O “retorno” de Zheng He

Foto: BBC

O nome de Zhang He voltou a ser comentado durante o discurso do presidente da China Xi Jinping, no primeiro Belt and Road Forum (BRF), em 2017.

Na ocasião, Xi Jinping afirmou que Zheng He foi um dos “pioneiros chineses que entraram para a história não como conquistadores, com navios de guerra, armas ou espadas. Ao contrário, eles são lembrados como emissários amigáveis em caravanas de camelos e navegando em navios repletos de tesouros. De geração a geração, esses viajantes das rotas da seda construíram uma ponte para a paz e cooperação entre o Ocidente e o Oriente”.

Especialistas apontam que a menção de Zheng He foi devido a um contexto de disputa geopolítica, como forma de apontar que a China já fazia contato com outros povos, inclusive os das Américas, antes da Europa.

Fonte: BBC

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