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Essa atriz pornô tem duas vaginas. Saiba o que é o útero didelfo

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A vagina é um órgão realmente complicado e não apenas para algumas mulheres que parecem ter bloqueio em falar sobre o órgão sexual, mas também para a ciência. E se um órgão sexual já tem suas complicações, imagine dois? Pode parecer uma coisa estranha, ou até mesmo impossível, mas esse é o caso de Evelyn Miller, de 31 anos.

A mulher é uma atriz pornô australiana e tem duas vaginas e dois úteros. Isso acontece por conta de uma má-formação congênita que é bem rara chamada útero didelfo.

Além de ela ter dois órgãos, Evelyn os divide. De acordo com a própria em uma entrevista dada ao Daily Mail, ela separa sua vida pessoal da profissional usando uma vagina para transar com seu marido e a outra para o seu trabalho.

Duas vaginas

VivaBem

Como a condição da mulher é bastante rara não são todas as pessoas que a conhecem ou sabem o que pode causá-la. O útero didelfo é uma má-formação faz com que o útero tenha uma duplicidade, o que consequentemente pode fazer com que algumas mulheres tenham duas vaginas. E essa condição pode ser diagnosticada com uma ressonância magnética.

“Esses dois úteros são como se fosse um dividido ao meio. Em geral, os úteros são menores do que o útero normal”, explicou Carolina Ambrogini, ginecologista coordenadora do Projeto Afrodite, do Centro de Sexualidade Feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Essa condição é rara, mas ela tem subtipos. No caso, as mulheres que têm a formação completa de outro canal vaginal e as que não têm. Em determinados casos pode haver um septo, que é como se fosse uma trava, em um dos canais vaginais. Ele pode chegar no canal todo ou então em apenas uma parte dele.

Quem tem essa condição consegue viver normalmente com ela, como é o caso de Evelyn. Contudo, existem mulheres que sentem dores na relação e precisam passar por cirurgias para retirarem esse septo e poder aumentar o canal vaginal. Além disso, a condição pode ter alguns riscos para a vida delas. Isso porque quando a mulher tem uma cavidade uterina menor, as chances de partos prematuros e até mesmo abortos são maiores.

Dúvidas

Jornal ciência

E se a mulher tem duas vaginas ela pode ter duas gravidezes? No caso de Evelyn, ela tem dois filhos e contou na entrevista que usava preservativo durante as gestações para evitar de ficar grávida de novo.

“Sempre houve o risco de eu estar grávida de dois bebês ao mesmo tempo. Quando eu estava esperando um, ainda tínhamos que usar camisinha se quiséssemos fazer sexo na outra vagina”, contou ela.

No entanto, a ginecologista Carolina Ambrogini explica que isso não é uma coisa possível de acontecer. “O hormônio da gravidez inibe a ovulação. Então não tem sentido dizer isso, não é nem por causa de uma questão anatômica, mas por uma questão hormonal, que quando a mulher está grávida inibe”, pontuou.

Cuidado

Dr. Alexandre Nunes

Quando o assunto é vagina, muitas pessoas não sabem, mas o Brasil é o líder mundial em cirurgias íntimas femininas. Para se ter uma ideia, somente em 2020, a labioplastia, como a cirurgia é chamada, foi feita por 20.334 mulheres no Brasil, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). Em segundo lugar está os EUA, com 13.697 cirurgias feitas.

Desde 2013, a Isaps reúne os dados de procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos. E desde então o Brasil está no topo da labioplastia. Já em 2013, o número de cirurgias feitas no país foi de 13.683.

Na visão da ginecologista Lucia Alves da Silva Lara, presidente da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), a busca por essa cirurgia é em muitas das vezes uma questão apenas de estética. As mulheres buscam a labioplastia porque acreditam na “vulva perfeita”.

“Existe um questionamento: qual seria a vulva perfeita? Existe uma variação, padrão de medidas, de dimensões? Isso seria de extrema importância para estabelecer normas para uma labioplastia adequada, mas isso não existe”, alertou a ginecologista.

A mestre e doutora em ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Flávia Fairbanks, também concorda com isso e tem preocupações com esse “conceito estético”.

“O que nos preocupa é buscar a cirurgia baseada em um conceito estético, um padrão estético que pode ser diferente daqui uns anos. Se não conseguimos nem definir um padrão para o corpo feminino, quem dirá para a região vulvar”, disse ela.

É importante ressaltar a diferença entre vulva e vagina. A vulva é o nome dado para a parte externa do aparelho genital feminino, enquanto a vagina é uma cavidade dentro da vulva.

Assim como praticamente todas as partes do corpo de alguém, é normal que as vulvas tenham formas e tamanhos variados, além de não existir um padrão de beleza vulvar. Por conta disso, a mulher só deve procurar pelo procedimento se ela quiser e não por uma pressão.

“Não sou contrária ao procedimento, mas é extremamente problemático a mulher que não tem problema ou uma indicação ser convencida que seu padrão de vulva não é adequado. Eu não vejo pessoas catalogando mãos, pés. De onde tiraram isso de catalogar a vulva?”, concluiu Fairbanks.

Fonte: VivaBem, G1

Imagens: VivaBem, Jornal ciência, Dr. Alexandre Nunes

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