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Essa cidade do Rio Grande do Sul é marcada até hoje por cena de exorcismo

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O exorcismo é uma cerimonia religiosa que tem o objetivo de expulsar demônios do corpo de alguém, ou de algum lugar. Esse ritual é feito por uma pessoa autorizada, que faz orações e rezas para conseguir atingir o objetivo. O exorcismo é uma prática bem antiga e, de acordo com os relatos bíblicos, Jesus foi um dos primeiros exorcistas da história.

Essa prática tem toda uma mística em volta dela. Talvez por isso fique tão marcada na vida de alguém ou de um lugar, como por exemplo, no município de Farroupilha, na Serra Gaúcha, pouco mais de 100 quilômetros de Porto Alegre.

Nessa cidade, a primeira igreja de Nossa Senhora do Caravaggio, construída em 1890 pelos imigrantes italianos, foi palco de um ritual de exorcismo. Ele aconteceu em 1947 e foi feito em uma mulher que morava no interior do Rio Grande do Sul.

De acordo com documentos históricos, a mulher era jovem e não teve sua identidade revelada pela igreja, e tinha sido “amaldiçoada” por seu ex-noivo. No caso, ele teria falado para ela: ”No dia do seu casamento, acontecerá algo de estranho com você”.

Esse exorcismo e como ele foi feito é relatado no livro “Linha Palmeiro” do professor Ermínio Dall’Agnol Decó. Quem realizou o ritual foi o padre Teodoro Portolan, com autorização do bispo Dom José Baréa.

”De acordo com a Igreja Católica, o exorcismo é permitido, mas deve seguir algumas regras. O ritual deve ser praticado obrigatoriamente por um sacerdote com a devida permissão do bispo. Além disso, a pessoa atormentada precisa passar por uma avaliação médica que assegure não se tratar de alguma doença ou transtornos mentais”, explicou o padre Jocimar Romio, 39, que trabalha no Santuário desde 2016.

Comportamentos

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Segundo relatos, quando a jovem saiu da igreja de Nossa Senhora do Caravaggio depois do seu casamento, ela passou mal e desmaiou. Então, ela foi socorrida pelas pessoas que estavam lá e levada para a casa da sua família, no interior do município. E desde então, a jovem nunca melhorou.

Ainda conforme os relatos, ela tinha depressão profunda e melancolia, além de fazer coisas como se esconder pelo matagal da região, fugir angustiada e pronunciar blasfêmias em público com uma voz diferente.

Por conta desses comportamentos, o padre Teodoro ficou sabendo do caso e se colocou à disposição para fazer o exorcismo porque ele tinha certeza de que a mulher estava possuída pela diabo.

Preparação

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Conforme o livro “Linha Palmeiro”, antes do ritual para afastar a “besta”, a primeira coisa a ser feita é uma vigília de três dias com orações. Isso foi feito dentro do Santuário de Caravaggio, com rezas do Rosário e exposição do Santíssimo Sacramento.

Isso foi feito junto com quatro irmãs. Enquanto isso, o padre, que iria fazer o exorcismo, recebeu orientação para fazer um retiro e uma confissão em um convento em Garibaldi, município vizinho.

Depois desse preparo, a mulher que estaria possuída foi levada até a igreja de Nossa Senhora do Caravaggio, onde ela gritou com uma voz masculina e foi preciso cinco homens para contê-la.

O padre estava esperando a jovem dentro da igreja, mas não conseguiu fazer o ato litúrgico porque ela estava em estado de fúria, jogando-se no chão e se arrastando embaixo dos bancos da basílica.

Por conta disso, ela foi levada à força para uma das sacristias do lado esquerdo do altar. Esse espaço recebeu o nome de ”Espaço Livrai-nos do Mal – Exorcism Memorial” desde 2018.

”O padre Teodoro fez o ritual de exorcismo, que inclusive foi bem-sucedido. Esta sala permaneceu por muito tempo fechada. As pessoas, na época, falavam muito da janela e das grades. Dizem, os mais antigos, que durante o ritual do exorcismo, o diabo saiu pela janela, entortando as grades. Nós não temos comprovação oficial da questão da grade, e sim da janela. O certo é que foi o seguinte: o ritual de exorcismo foi realmente feito e o diabo saiu pela janela. Não sabemos se tinham grades naquela época, mas há relatos de pessoas de que sim, havia grades”, afirmou o padre Jocimar Romio.

Exorcismo

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O ritual durou aproximadamente oito horas e teve a presença do padre e mais quatro irmãs. Quando o exorcismo aconteceu, houve diálogos ríspidos, cansativos e cheios de acusações.

Depois de horas de rezas e ordens para o demônio sair do corpo da mulher, o espírito maligno finalmente se entregou e a jovem desmaiou. Contudo, ela ainda “rosnava”.

Então, foi colocado um crucifixo no peito dela e dito: “Em nome de Jesus Cristo, teu soberano e senhor, presente na hóstia consagrada, retira-te desta pessoa e vai para o teu lugar destinado por Deus, o criador do céu e da terra”.

Com isso, a mulher acordou e apontou para a janela da sala, ainda zonza, dizendo que o diabo ainda estava ali e pediu orações. Nisso, o padre borrifou água benta no lugar que a mulher apontou e o diabo saiu pela janela. Essa saída, teoricamente, teria sido o que deixou os ferros retorcidos na ventana pequena da igreja.

E isso até hoje causa muita controvérsia se realmente foi o diabo escapando que deixou os ferros daquele jeito. Na visão de Arlete Bortolini, 71, natural de Garibaldi, que vai na igreja desde adolescente, o diabo realmente saiu pela janela.

“Eu acredito porque já vivenciei um caso na família. Foi muito estranho e horrível de ver. Aconteceu com uma tia minha, ela tinha 40 anos. Quando ela tomava bebida alcoólica, ela se transformava em outra pessoa. Não aceitava objetos religiosos, como crucifixos em sua proximidade, e apresentava muita raiva. Chamamos um padre na época, e na consulta ele borrifou água benta com um aspersório. Meu Deus, a língua dela vinha aqui embaixo [indicando com as mãos na altura do peito] e os olhos se reviraram. Era preciso umas cinco pessoas para segurá-la. Eu devia ter uns 15 anos quando vi tudo isso. Ela ficava em pé na cama com os olhos revirados”, disse ela.

Fonte: UOL

Imagens: UOL

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