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Essa espécie de aranha está praticando canibalismo por causa do aquecimento global

POR Bruno Dias EM Mundo Animal 08/05/20 às 16h41

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Há muito tempo o aquecimento global tem sido pautado nos mais diversos veículos e das mais variadas formas possíveis. Houve um momento em que muito se duvidou sobre a possibilidade desse super aquecimento causado pela atitudes humanas. No entanto, as pessoas começaram a ver e sentir em na pele os efeitos desse fenômeno.

O aquecimento global e consequentemente as mudanças climáticas, apesar de serem fenômenos globais, impactam diferentes regiões da Terra de diferentes maneiras. E além dos ecossistemas, todos os seres vivos do planeta são impactados com essas mudanças.

No Ártico, por exemplo, o aquecimento fez com que as aranhas-lobos ficassem maiores, se reproduzissem mais e diversificasse a sua alimentação. Alimentação essa que passou a ser até mesmo outras aranhas.

De acordo com um estudo, feito no Alasca pela Universidade de Washington em St. Louis, conforme as aranhas-lobos vão ficando maiores e se reproduzindo mais, a competição entre elas aumenta. E isso provoca uma alta taxa de canibalismo e acaba diminuindo o número de aranhas jovens que conseguem sobreviver até a sua vida adulta.

"Embora o canibalismo provavelmente não seja a melhor opção alimentar para essas aranhas, nossos dados experimentais e de campo sugerem que, quando há muitas aranhas por perto, elas se voltam para o canibalismo com mais frequência. É provavelmente um reflexo do aumento da competição entre as aranhas por recursos", explica Amanda Koltz, a primeira autora do estudo e pesquisadora de pós-doutorado em biologia.

E esse cenário pode ser uma realidade em algumas partes do mundo e ter consequências mais amplas para a população de invertebrados.

Aranhas

As aranhas, e outros animais que também regulam sua temperatura corporal externamente, tendem a sofrer mais com as mudanças climáticas. De acordo com descobertas de biólogos, em algumas partes do Ártico as aranhas-lobos são maiores depois de longos verões. Isso dá a entender que, conforme o Ártico vai se aquecendo por causa das mudanças climáticas, o tamanho das aranhas vai aumentando.

Além do tamanho, o número de filhos que as fêmeas tem também  aumenta. E uma questão importante é se essas mudanças tem como resultado mais aranhas na natureza. "O espaço e os recursos na tundra são finitos", disse Koltz.

Alimentação

Em sua pesquisa, Koltz observou as aranhas em dois lugares no Ártico do Alasca. Lugares em que o tamanho das aranhas-lobos variava naturalmente. Ela então combinou suas observações com um experimento de mesocosmo, que é um sistema experimental ao ar livre que examina o ambiente natural sob condições controladas.

Koltz então colocou um número de aranhas-lobos em um espaço fechado para ver como uma população maior iria afetar na dieta desses animais. Nas populações vistas no campo, Koltz viu que quanto mais aranhas maiores menos aranhas jovens existiam.

E usando a análise isotópica estável, ela descobriu que as aranhas, nos lugares onde tinham fêmeas maiores, tinham uma dieta diferente das que viviam em lugares só com fêmeas menores.

A mudança foi consistente para o canibalismo. O que apontava que, nos lugares onde existiam aranhas maiores e taxas de reprodução mais altas, as aranhas se canibalizavam mais frequentemente. E resultados experimentais apoiaram essa ideia.

"As aranhas-lobos que foram experimentalmente expostas a densidades mais altas passaram por uma mudança na dieta semelhante à da população de campo onde as fêmeas eram maiores. E onde esperaríamos que a competição e o canibalismo entre as aranhas-lobos fossem mais altos", explicou.

Observações

O que não ficou claro no estudo foi como esse comportamento afetou as populações naturais de aranhas-lobos. Mas os resultados sugerem que o canibalismo regula as populações na natureza, diminuindo a sobrevivência das aranhas jovens.

"Este projeto foi baseado no Ártico, mas a mensagem principal não se limita ao Ártico ou potencialmente a aranhas-lobos. Os resultados de nosso estudo são um lembrete de que alterações no tamanho do corpo de invertebrados, impulsionadas pelas mudanças climáticas, podem ter consequências ecológicas generalizadas. Incluindo mudanças na competição intraespecífica, dieta e estrutura populacional", concluiu Koltz.


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Bruno Dias
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