
A ilha vulcânica de Tristão da Cunha, localizada no meio do Oceano Atlântico, entre o Brasil e a África do Sul, pertence, atualmente, a colônia britânica. Conhecida como a “ilha habitada mais remota da Terra”, o território, uma das maiores áreas com vidas marinhas preservadas, tornou-se, hoje, um dos lugares mais protegidos do mundo.
De acordo com o The Guardian, cerca de 250 pessoas vivem ali. Recentemente, medidas de conservação que visam proteger a fauna marinha totalmente entraram em vigor. A pesca de arrasto, a mineração em alto mar e outras atividades, como, por exemplo, a caça são completamente proibidas.
O território, em que a ilha se encontra, por abranger uma área três vezes maior que o Reino Unido, é considerado o quarto maior santuário de vida selvagem do mundo e a maior zona de interdição de captura do Oceano Atlântico.
“Nossa vida em Tristão da Cunha sempre foi pautada pela nossa relação com o mar, e isso continua até hoje. A comunidade de Tristão está profundamente comprometida com a conservação”, disse James Glass, autoridade chefe do local.
“O mar é nosso recurso vital. É por isso que protegemos 100% das nossas águas. E por isso temos orgulho de poder desempenhar um papel fundamental na preservação da saúde dos oceanos”.
Tristão da Cunha possui uma das mais ricas biodiversidades do mundo. Suas águas abrigam espécies em situações críticas, como, por exemplo, elefantes-marinhos e tubarões-de-sete-galhos. A ilha é um ambiente extremamente importante para pássaros, pinguins e outras espécies vulneráveis, como o albatroz-de-nariz-amarelo, que está em extinção.
Por ser território britânico, a conversão de Tristão da Cunha em área protegida torna o Reino Unido um dos maiores ‘guardas’ do oceano. A mudança é um passo significativo em direção à meta do governo, que deseja proteger 30% do oceano até 2030.
A Royal Society for the Protection of Birds (RSPB), a maior instituição de proteção do Reino Unido de preservação da natureza, considera a ilha uma “joia do Reino Unido”. “Tristão da Cunha é um lugar como nenhum outro”, disse o presidente-executivo do RSPB, Beccy Speight. “Dezenas de milhões de aves marinhas, pinguins e focas lotam as praias. Além disso, tubarões ameaçados de extinção se reproduzem de forma considerável e inúmeras baleias vivem em harmonia. Sendo, agora, uma área protegida, tudo isso estará protegido também”.
A conversão é resultado de uma parceria que envolve governos, instituições e um consórcio internacional de parceiros, incluindo a National Geographic e a Blue Marine Foundation.
Tristão da Cunha foi descoberta pela primeira vez em 1506, pelo explorador português Tristão da Cunha. No século 19, a ilha foi reivindicada pelos britânicos, que construíram uma guarnição no local para evitar tentativas de resgate de Napoleão Bonaparte, que estava preso na ilha de Santa Helena, a 1.500 milhas de distância. Depois que a guarnição foi removida, alguns soldados britânicos permaneceram no local e passaram a viver em comunidade.
Hoje, seus 250 habitantes são, em sua maioria, cidadãos britânicos, cujos ancestrais são originários de países como Escócia, América, Holanda e Itália.






