Natureza

Metano e vírus descongelado: como fica a Terra se gelo dos polos derreter

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Se o gelo derreter nos polos, podemos enfrentar uma série de consequências ambientais, mas nem todos parecem saber disso.

O aquecimento global desencadeia diversas ocorrências visíveis, sendo uma das mais evidentes o gradual derretimento das geleiras que pontilham nosso planeta.

No Ártico, as vastas extensões de mar congelado estão diminuindo a uma taxa de 12,85% por década desde a década de 80. Na Antártica, a perda de gelo atinge uma média de 145 gigatoneladas por ano.

Diante desse cenário, surge a inevitável reflexão: como seria o mundo se as geleiras polares se derretessem por completo?

Os impactos seriam significativos não apenas no aumento do nível dos oceanos, mas também em diversas outras esferas.

Medições antigas

Via Freepik

As medições desde 1993 revelam um aumento no nível dos oceanos a uma média de 3,3 milímetros por ano. Com a aceleração do derretimento das geleiras, a tendência é que esse ritmo cresça ainda mais.

Vale ressaltar que o derretimento no Ártico, embora preocupante, representa apenas a ponta do iceberg.

Nessa região, as chances do gelo derreter na água aumentam. Com isso, a transição do estado sólido para o líquido teria impactos limitados no volume total de água.

O foco principal reside no derretimento das geleiras situadas sobre massas de terra, como na Antártica, que recentemente registrou temperaturas recordes, e na Groenlândia.

A Antártica abriga cerca de 30 milhões de quilômetros cúbicos de gelo, enquanto a Groenlândia contribui com 3 milhões de km³, representando impressionantes 90% do total de gelo terrestre.

Cenários

A magnitude do impacto é palpável ao considerarmos o que ocorreria se essas geleiras derretessem simultaneamente. Estimativas apontam para um aumento médio de cerca de 70 metros no nível dos oceanos.

Para ilustrar, alguém que reside no 26º andar de um prédio à beira-mar perderia não apenas uma vista panorâmica, mas também se depararia com água salgada ao nível de sua janela.

Esse cenário marcaria o fim das praias e resultaria na submersão praticamente completa de cidades litorâneas ao redor do mundo.

Aproximadamente 10% da população global reside em cidades costeiras localizadas a menos de dez metros acima do nível do mar. Enquanto isso, 40% vive a uma distância de até 100 km do litoral.

Esse quadro desencadearia uma crise humanitária sem precedentes, com a possibilidade de milhões de vidas perdidas.

Como resposta a esse desafio, veríamos um intenso fluxo migratório em direção ao interior dos continentes, acompanhado por significativas transformações na geografia mundial.

O Flood Map oferece a oportunidade de simular o impacto do aumento do nível dos oceanos, evidenciando como áreas do litoral brasileiro e partes da Amazônia seriam gradualmente submersas.

Impacto na natureza

Via Freepik

Enquanto a humanidade enfrentaria desafios consideráveis, outras espécies animais sentiriam de maneira mais intensa as ramificações do derretimento das geleiras.

Criaturas associadas a ambientes frios, como pinguins, focas e ursos polares, enfrentariam uma ameaça séria de extinção.

Essas espécies não estariam sozinhas nesse desafio. As geleiras de regiões como Groenlândia e Antártica consistem principalmente em água doce.

Uma vez no oceano, essa água doce alteraria a salinidade, exercendo um impacto significativo na vida marinha.

As espécies marinhas estão adaptadas a uma salinidade de 35 mil ppm (35 gramas de sal por litro de água), e qualquer mudança nesse equilíbrio representaria uma ameaça séria para a sua sobrevivência.

A sequência de eventos desencadearia uma reação em cadeia persistente. Mudanças na salinidade e temperatura das águas marinhas alterariam as correntes oceânicas. Além disso, também teriam o potencial de intensificar eventos climáticos catastróficos.

É crucial destacar que fenômenos como o El Niño e furacões estão intrinsecamente ligados à temperatura dos oceanos.

O redirecionamento das correntes teria repercussões significativas nos padrões de chuva em diversas regiões.

Não seria surpreendente observar áreas úmidas tornando-se mais áridas e vice-versa.

Essas mudanças afetariam a flora e a fauna global, além de representar uma ameaça potencial para vários aspectos da atividade humana, incluindo a produção de alimentos.

Outras consequências

Um dos desdobramentos mais críticos do gelo derreter nos polos seria a liberação massiva de carbono na atmosfera.

Estamos diante do que pode ser descrito como um desastre autossustentável. A crescente presença de carbono na atmosfera intensifica o efeito estufa, elevando a temperatura global e acelerando o derretimento do gelo.

Esse derretimento, por sua vez, libera mais carbono na atmosfera, perpetuando o ciclo de forma contínua.

O aumento das temperaturas impacta significativamente o equilíbrio ambiental do nosso planeta, acelerando a destruição das preciosas florestas tropicais.

Essas florestas desempenham um papel crucial na regulação do clima global e na retenção de carbono. À medida que são perdidas, os efeitos das mudanças climáticas se amplificam.

Além disso, a elevação das concentrações de carbono na atmosfera contribui para a acidificação dos mares, afetando o ciclo de vida das algas responsáveis pela produção de oxigênio.

Com um aumento do carbono e uma redução do oxigênio na atmosfera, o risco de doenças respiratórias cresce, potencialmente sobrecarregando os sistemas de saúde em todo o mundo.

Outro aspecto a considerar é o conceito de albedo, que representa a capacidade de uma superfície de refletir a radiação solar.

As superfícies congeladas, como as geleiras, contribuem significativamente para cerca de um terço do albedo da Terra.

Sem essas superfícies refletoras, a tendência é que o planeta absorva mais radiação solar, resultando em um aumento adicional da temperatura global.

E se o gelo derreter profundamente?

Via Freepik

Como se não bastasse, à medida que o aquecimento global se intensifica e o gelo continua a derreter, camadas mais profundas do solo congelado, conhecidas como permafrost, começam a descongelar.

Essas camadas permaneceram congeladas de maneira permanente por milhares de anos.

Ou seja, o derretimento desse solo não apenas resultaria na liberação massiva de gases de efeito estufa, como o metano, proveniente da decomposição de material orgânico presente no permafrost, mas também abriria a possibilidade de vírus e bactérias que estavam “adormecidos” retornarem à atividade.

Assim, as preocupações possuem fundamentos, e a Terra pode nunca mais ser a mesma.

 

Fonte: UOL

Imagens: Freepik, Freepik, Freepik

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